diaboJOÃO VAZ

É comum dizer-se que a queda do muro de Berlim, em 1989, seguida do colapso da URSS dois anos depois marcou o fim do comunismo. Ou a sua derrota. Infelizmente, as coisas não se passaram assim. O projecto comunista pode ter sido derrotado no plano económico, substituído pelo capitalismo triunfante, mas no resto a história foi diferente. A hidra marxista apresenta diversas cabeças, como é óbvio, e a mais perniciosa remete para a cultura.

É um facto indesmentível que, nesse campo, a esquerda marxista soube levar a água ao seu moinho de forma extremamente eficaz. Fosse no leste, no oeste, nas democracias socialistas ou em regimes autoritários, o seu veneno foi-se espalhando insidiosamente por via editorial, universitária e outras, correspondendo ao plano estabelecido por Gramsci – é curiosa a diferença de tratamento reservada aos cabecilhas, reais ou não, das diferentes facções em outros tantos regimes. Enquanto Gramsci escrevia na prisão fascista ou Afonso Costa mandava vir as refeições do restaurante quando preso nas masmorras monárquicas, os centros de reeducação republicanos ou comunistas não oferecem tratamento tão simpático aos que lá albergam.

Derrotados, portanto, no plano económico, os marxistas haviam de continuar a porfiar em outras frentes. A Escola de Frankfurt, através da sua pequena diáspora, haveria de fazer chegar a voz e os escritos aos Estados Unidos e, posteriormente, aos diversos recantos do mundo Ocidental. Os desconstrucionistas e outros companheiros alargariam o processo e hoje é o que se vê. O marxismo cultural, nos seus diversos produtos, que vão do politicamente correcto à ideologia de género impôs a sua presença nefasta no mundo europeu e norte-americano, contribuindo para destruir a Civilização.

É um processo conhecido, mas que nunca é demais recordar. Perdidos os operários e os camponeses, outros oprimidos haveriam de ser criados, desde minorias reais a algumas imaginárias. Ruidosas e exigentes, fariam e fazem o seu percurso perante a indiferença de uma maioria narcotizada e infantilizada que se deslumbra à passagem do “progresso”, entendido geralmente como uma qualquer aberração ou futilidade. Que os arquitectos deste processo destrutivo têm conseguido os seus intentos vê-se no estado actual daquela que deveria ser pilar da Civilização contra a decadência e o relativismo, a Igreja Católica, também ela minada pelas forças marxistas.

É a história, a evolução deste movimento que esta “Breve História do Marxismo Cultural e do Politicamente Correcto”, de Jefrey D. Breshears e publicada pela Contra-Corrente, nos oferece. Com os seus desígnios, os seus actores, a sua linguagem reptiliana (veja-se o exemplo dos ilegais que passaram a ser “migrantes”), as suas variações camaleónicas. Um trabalho obrigatório. Porque o Mal não foi derrotado. Mudou de rosto, como sucede tantas vezes.

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