O Exército Iluminado

O Exército Iluminado

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JOÃO VAZ

O gordo Comodoro, Azucena, Milagro, Cerillo e Ubaldo. Mais o professor/maratonista Ignacio Matus. Seis personagens à procura de um autor que, felizmente para eles, encontararam em David Toscana. Comparam-no, na contracapa, a Gabriel Garcia Márquez ou Jorge Amado.

Inevitavelmente e infelizmente. Porque é bem capaz de ser maior do que qualquer um deles. E talvez seja mais devedor, se é que deve alguma coisa, a Juan Rulfo do que àqueles dois.

O gordo Comodoro há-de ser, se é que não é já, um dos nomes que ficará para a história da literatura. Eu gostava de ter criado tal criatura. Ainda por cima um gordo, no tempo em que ainda o podiam ser, antes de serem substituídos por obesos e programas de emagrecimento e iam à baliza e resfolegavam depois de corridos poucos metros.

Seis personagens, cinco incapazes e um ressentido, à procura da glória, da eternização dos nomes numa placa, numa medalha, num percurso em que os intervenientes ditos normais conseguem ser mais inaptos do que os retardados (eis outro termo que hoje não se pode usar).

Glória ao México, a esse grande país, espoliado do Texas pelos gringos, roubado e atingido na sua honra, a necessitar de reparação. Que virá pela mão dos iluminados, esse exército irregular que parte para a reconquista armado com fisgas, veneno para ratos e espingardas cujo prazo de validade se encontra prestes a expirar.

E ainda há maratonas, a de 1924 e a de 1968, com a passagem do testemunho dos finlandeses para os africanos, do tempo em que a Etiópia era um reino e a Tanzânia uma república socialista que olhava o futuro com esperança, crente no progresso que haveria necessariamente de chegar, mesmo que fosse sob a forma de conselheiros soviéticos.

De Monterrey saíram todas estas figuras encantadas. Uma caiu a quarenta e dois quilómetros do destino. Outra, no final de quarenta e dois quilómetros que foram o seu destino.

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