O Novo Estado Islâmico

O Novo Estado Islâmico

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JOÃO VAZ

Que o Ocidente enfrenta um processo de decadência, não é novidade. Que a Europa está à venda, qual prostituta velha que se oferece aos novos senhores do capital, idem. Basta olhar para as camisolas de muitos dos maiores clubes de futebol do continente, patrocinados por potentados do Qatar, dos Emirados Árabes ou outros. Que alguns desses países sejam, curiosamente, os maiores patrocinadores do terrorismo mundial, é coisa que não parece afligir demasiadas consciências.

“O Novo Estado Islâmico”, da autoria do correspondente do “The Independent” para o Médio Oriente, Patrick Cockburn, relata a emergência de uma dessas entidades dedicadas a espalhar o terror, o EIIL, agora mais conhecido por EI (Estado Islâmico).

É a história de mais um capítulo no fracasso que tem sido a “guerra contra o terror”, pomposamente alardeada por políticos incapazes e de vistas curtas como capaz de infligir a derrota ao inimigo, quando esse mesmo adversário se passeia impunemente por terras ocidentais. Desde 2003 foi perdido o Iraque, a Líbia, a Síria e outra vez o Iraque.

Há dez anos existia um ou dois estados falhados, o mais notório a Somália. Mas os dirigentes mundiais são demasiado eruditos para assistirem a filmes “fascizantes” como “Black Hawk Dawn”, e tudo fizeram para copiar para outros terrenos o que se vivia – e vive – no citado país africano.

No fim, quem paga são os civis locais e os europeus que se vêem submergidos por vagas de imigração ilegal, particularmente notórias desde que a Líbia se viu privada do ditador Khaddafi em troca dos democráticos grupos islamitas que se digladiam no que foi outrora um país.

O Iraque segue o padrão. Um país destruído, minado pela guerra civil sectária e que viu emergir o EI, associação que agrupa jihadistas de todas as origens, antigos elementos do exército iraquiano e outros, numa amálgama de origens que tem em comum o ódio a tudo o que não seja sunita, bem como o apoio das monarquias do Golfo.

O ISIS soube aproveitar a instabilidade criada pelos EUA e capangas na Síria para se fortalecer como nunca. Hoje, é o que vemos: um novo estado que vai do norte e oeste do Iraque ao leste da Síria, numa extensão maior do que a Grã-Bretanha e controlado por fanáticos, aos quais a alternativa oferecida parece ser a de uma oposição “moderadamente fanática” que combate o regime de Assad, ali ao lado.

Junte-se a isto o território controlado pelos curdos, que certamente não o irão querer perder de boa vontade, e a simpática Turquia que deseja entrar na UE, apesar de prender jornalistas, silenciar a oposição e etc., e temos um cenário grandioso montado pelas potências do costume. As mesmas que depois se encarregarão de salvar a situação, embora sem terem a noção de como fazê-lo.

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