O ano que mudou o mundo

O ano que mudou o mundo

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Num ano marcado, a nível editorial, por muitos e (alguns) bons lançamentos relacionados com o centenário da Primeira Guerra Mundial, eis uma excelente obra acerca de uma outra data marcante para a História, neste caso contemporânea.


1979, um ano marcante para a evolução posterior do mundo em muitos aspectos. Um ano marcante em diversas partes do globo, das quais cinco são aqui particularmente referenciadas. 1979, o ano em que a subida de João Paulo II ao trono de S. Pedro se fez sentir de modo particular no seu país natal, com a histórica visita, que embaraçou de modo notório as autoridades comunistas e marcou o início de uma evolução que viria a culminar no desabamento do sistema comunista ateu, lá e em outros países.

O ano em que o Irão viu a ascensão irremediável do aiatola Khomeini ao poder, com o progressivo afastamento dos moderados num percurso imparável para o estabelecimento da república teocrática que vigora ainda hoje, passados 35 anos, e cujas repercussões se fizeram sentir no Médio Oriente e em boa parte do mundo islâmico, desde logo com as esperanças de um renascimento, cristalizadas no Irão xiita, e progressivamente disseminadas por outros pontos da ummah.

1979, o ano em que, após seis anos de convulsões, golpes e contragolpes, o PDPA (mais concretamente a facção de Babrak Karmal) assumia em definitivo o poder num Afeganistão dilacerado por conflitos internos e recebia de braços abertos as tropas soviéticas que, durante dez anos, o iriam sustentar, numa luta que também contribuiu para o fim do “império do mal”. E que, talvez ainda mais do que no caso iraniano, teve reflexos no mundo islâmico, reflexos que hoje se fazem sentir desde a Líbia às Filipinas.

1979, o ano em que Margaret Thatcher, após um percurso relativamente discreto, mas tenaz, assumia o cargo de primeiro-ministro da Grã-Bretanha e iniciava, também ela, uma revolução contra o socialismo de estado, o poder inqualificável dos sindicatos, o peso excessivo dos organismos públicos numa economia e numa sociedade descrentes, num processo longo e repleto de dificuldades, mas que mudou a face do país e influenciou reformas em outros pontos do mundo, do Brasil à Índia (naturalmente, por cá assistimos à ascensão de um primeiro-ministro “de direita”, cujas políticas traziam o traço keynesiano da despesa pública, concretizada em auto-estradas e injecções de capital público sem efeitos produtivos, além do aumento do peso do funcionalismo público).

1979, o ano em que Deng Xiaoping ressuscitava em definitivo pela terceira vez e encaminhava o país para aquilo que é hoje, através de reformas económicas progressivas, mas que nunca deixaram de ter como guia supremo o partido comunista, algo que Deng deixou bem claro dez anos depois, durante a feroz repressão dos movimentos pró-democracia.

1979, enfim, uma data daquelas que marcam para sempre o calendário histórico. Cinco países, cinco escolhas certeiras, com um enquadramento histórico muito bem conseguido. Porque não é apenas o ano de 1979 em si que é aqui analisado, mas também o antes, o percurso que conduziu até ao que foi, e o depois, as consequências, a herança do que se passou naquele ano em que estar vivo era bom, mas ser jovem era, efectivamente, esplendoroso, sobretudo se se desse o caso de ser possível assistir a tudo o que viria a ocorrer depois e ainda hoje ocorre.

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