Sin City: Mulher Fatal

Sin City: Mulher Fatal

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A cidade do pecado está de regresso

A anos-luz daquela que terá sido a melhor adaptação de uma BD ao grande ‘écran’ nas últimas décadas – a “Sin City” de 2005 –, esta sequela intitulada “Sin City: Mulher Fatal”, novamente co-realizada por Roberto Rodriguez e Frank Miller (também autor da banda desenhada homónima), tinha tudo para dar certo mas não conseguiu, e não foi pelo poderoso efeito surpresa de há quase já 10 anos.

De facto, de pouco lhe valem agora as personagens escuras, eróticas, violentas, sórdidas de então, sempre tão aparentemente desgarradas entre si, ou alguns dos actores (Mickey Rourke, Jessica Alba, Powers Boothe, Bruce Willis) que tão bem deram corpo e fama ao primeiro filme.

A acção, a muita acção continua, tal como a narrativa se mantém assente naquela virtuosa montagem aos solavancos. Contudo, tudo parece repetição e não fora a nova fabulosa história de amor sado-masoquista à ‘film noir’ dos anos 30-40, protagonizada pelo par de fazer faísca Eva Green E Josh Brolin e um tal de ‘chauffeur’ de nome Manute (talvez a personagem mais bem conseguida de todas) obcecado pela patroa (alô “Sunset Boulevard”…), e estávamos perante uma imensa desilusão, mau grado a sombra, o movimento e os fluxos sanguíneos que continuam a jorrar a branco e encarnado, ao sabor dos violentíssimos sopapos e arrancares de olhos de Marv (a personagem interpretada por Rourke é de facto imprescindível a esta BD) ou dos golpes de espada da acrobática Miho.

“Sin City: Mulher Fatal” só mesmo a espaços consegue não perder com o primeiro filme, apresentando buracos surpreendentes no enredo e histórias que nem chegam a colar, como sejam as das vinganças de Nancy e do jogador de póquer Johnny, ambas contra o terrível e sanguinário senador interpretado por um Powers Boothe sempre em forma. Além do mais, desta vez há muito menos efeito BD, muito menos grafismo e muito mais rostos reais. Não, de facto, sem a história da mulher-fatal (e que cena espectacular a da piscina, em novo aceno ao imortal filme de Wilder) e só restariam o estilo e Marv.

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