Impérios em Guerra 1911-1923

Impérios em Guerra 1911-1923

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João Vaz

Num ano fértil em publicações que assinalam os cem anos do início da Primeira Guerra Mundial, eis que surge algo completamente diferente – mais ou menos.

“Impérios em Guerra – 1911-1923” é uma colectânea de estudos sobre os impérios envolvidos naquela, sobre o antes e o depois imediatos. Um antes que começa em 1911, quando a Itália se lançou á conquista da Tripolitânia, aproveitando a debilidade do Império Otomano e o desejo de fazer parte do conjunto de nações que possuíam as suas parcelas de terreno além-mar, sobretudo depois da vergonhosa derrota em Adwa, às mãos das forças etíopes, ocorrida quinze anos atrás. E um depois que nos leva a 1923, quando após o Tratado de Sèvres o Império Otomano deixou de o ser, o califado também e Ataturk lançou as fundações de uma república que hoje vacila às mãos dos integristas vestidos à ocidental e com pretensões a integrar a Europa e o seu projecto, que ainda ninguém percebeu ao certo em que consiste, a não ser aqueles que o vão refazendo semanalmente, de acordo com as convicções – sobretudo mercantis.

De tudo isto ressalta um paradoxo interessante: depois da destruição causada pela guerra e da derrota dos Impérios Centrais, parecia que o domínio europeu nunca estivera tão plenamente enraizado sobre o planeta. No entanto, como bem se vê através destes estudos, os sintomas de decadência já se faziam sentir e a concorrência começava a apertar. Novos actores, como os EUA e o Japão emergiam na cena internacional mais determinados a intervir na mesma e a reclamar o estatuto de grande potência, e a Europa vira expostas algumas das suas debilidades, das quais a menor não seria a falta de mão-de-obra para o futuro, tamanho o morticínio nas diferentes frentes de combate, aumentado pela pandemia de gripe e pelos estropiados que se juntaram ao cortejo. Mulheres fora de casa, seriam daí em diante uma realidade definitiva e o mapa mental de mundo iria também refazer-se para não mais parar. E há quem veja na presença de tropas e contingentes africanos, oriundos sobretudo da África Ocidental Francesa, o despertar de uma certa consciência que conduziria, mais tarde, aos movimentos independentistas.

Destaque para um capítulo reservado ao nosso império esquecido, da autoria de Filipe Ribeiro de Meneses, que verdadeiramente só começou a ser colonizado e desenvolvido durante o Estado Novo, queira-se ou não. Pelo que, episódios como os de Naulila e do Rovuma não são de estranhar, tamanha a falta de implantação efectiva dos portugueses no terreno e a deficiente preparação das tropas enviadas para a defesa do território, aliadas à superioridade germânica.

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