O mau relacionamento entre a Sonangol e as companhias petrolíferas multinacionais que operam em Angola foi o pretexto do Presidente João Lourenço para pôr fim à gestão do clã dos Santos na “galinha dos ovos de ouro” do país. Compadrio, gestão burocratizada e ausência de estratégia para a refinação também foram motivos invocados na hora do “saneamento”. À distância, os Estados Unidos da América acompanham com um olhar benévolo todo o processo de destituição dos antigos “donos daquilo tudo”.

Em 6 de Outubro, apenas uma semana depois de ter tomado posse como Presidente da República de Angola, João Lourenço recebia discretamente no palácio presidencial, na Cidade Alta de Luanda, uma delegação de administradores das seis principais multinacionais petrolíferas a operar no país: Cabinda Gulf Oil Company (subsidiária da Chevron), Esso, Statoil, BP, Eni e Total.

O que os representantes destes seis potentados foram dizer ao novo Presidente angolano já este sabia há muito: que a concessionária nacional do petróleo, a empresa estatal Sonangol, não podia continuar a trabalhar como trabalhava. Mas, embora o soubesse melhor do que ninguém, João Lourenço precisava de ouvir a queixa de viva voz. Oficialmente. Só assim teria o pretexto para iniciar o delicado e perigoso processo de exoneração da presidente máxima da empresa, Isabel dos Santos, filha primogénita do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, ainda o líder máximo do partido do Governo, o MPLA.

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