A guerra do PCP contra a floresta portuguesa

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A esquerda portuguesa nem sempre gostou da floresta, que hoje diz amar e querer defender. Em meados do século XX, comunistas e outros extremistas opuseram-se tenazmente à florestação das serras do Norte do País, sob pretexto de prejudicar o usufruto dos baldios. O DIABO recorda um tempo em que a esquerda ainda não era tão amiguinha das árvores como pretende ser hoje…

A guerra à floresta foi uma “bandeira” que os comunistas usaram com furor, e algum despudor, no seu combate ao regime de Salazar.

Aquilo que nos panfletos oposicionistas ficou conhecido como “a questão dos baldios” – gravada em tons romanescos e épicos pela propaganda do partido, como uma causa justa dos camponeses pobres contra uma ditadura cruel que lhes roubava as terras comunitárias – pretendia esconder, na verdade, uma esforçada campanha oficial de florestação das serras agrestes e improdutivas, em especial as do Norte, em muitos casos acompanhada da abertura de estradas em recessos de montanha que até ali apenas haviam conhecido o trote do asno.

Embora em tom mais comedido, também a oposição democrática criticou o método autoritário usado pelo Governo na sua campanha de florestação, ainda que reconhecendo mérito e progresso à iniciativa silvícola do Estado Novo. Memória dessas reticências ficou-nos na obra Quando os Lobos Uivam, de Aquilino Ribeiro, que acabaria por suscitar uma polémica que extravasou em larga medida o tema social de que o escritor se ocupava.

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