Marcelo tem mais dois concorrentes

As eleições presidenciais de 2021 já estão a mexer e Marcelo Rebelo de Sousa ficou a saber que vai ter mais dois adversários a disputar-lhe os votos em Janeiro.

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Tiago Mayan Gonçalves anunciou a candidatura a Presidente da República com o apoio da Iniciativa Liberal (IL). Por outro lado, o presidente do Partido Democrático Republicano (PDR), Bruno Fialho, também já avisou que quer ter uma palavra nas presidenciais e anunciou que vai mesmo ser candidato. Com Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura, a corrida presidencial do próximo mês de Janeiro já soma quatro concorrentes.

Depois de em Fevereiro deste ano André Ventura, líder e deputado do Chega!, ter sido o primeiro a arrancar para Belém, os dias de pandemia deixaram para segundo plano a eleição presidencial. Ventura tem feito jantares e almoços com apoiantes um pouco por todo o país, mas sem cobertura dos Media mergulhados no Covid-19. Deste ponto de vista, o actual PR acaba por ser quem mais ganha, pois é maior a sua visibilidade.

Uma campanha presidencial tem custos elevados, e o apoio de um partido à candidatura dá uma rede de base aos candidatos. Mas a questão dos apoios financeiros é uma matéria séria, que já tem deixado candidatos em apuros em todos os quadrantes políticos. Basta lembrar que Freitas do Amaral e Maria de Belém ficaram pessoalmente com dívidas das campanhas por pagar, isto por terem dado o aval pessoal a despesas que não tinham cobertura nos fundos angariados.

Tiago Mayan Gonçalves

O advogado Tiago Mayan Gonçalves anunciou que é o “primeiro candidato genuinamente liberal” à Presidência da República, uma corrida às eleições do próximo ano que tem o apoio da Iniciativa Liberal, partido do qual é membro fundador. Fonte oficial da Iniciativa Liberal refere que “foi com grande entusiasmo que recebeu a disponibilidade e motivação do Tiago Mayan Gonçalves para assumir uma candidatura à Presidência da República”, considerando o partido liderado pelo deputado João Cotrim Figueiredo que assim fica garantido que “na eleição para a mais alta função da nação os portugueses terão um candidato verdadeiramente liberal no qual votar”.

Foi através de um vídeo divulgado nas redes sociais que o advogado de 43 anos, nascido e criado no Porto, anunciou que é candidato “para que um grande espaço político tenha em quem votar, um espaço político que congrega liberais mas também pessoas que não se revêem num Presidente, como Marcelo Rebelo de Sousa, que abdicou de o ser”.

“Olá, sou o Tiago Mayan Gonçalves e sou candidato à Presidência da República. Sou o primeiro candidato genuinamente liberal à Presidência”, afirma, no arranque do vídeo, gravado na Pérgola da Foz, na Avenida Brasil, um dos locais icónicos da cidade portuense. O membro fundador da Iniciativa Liberal – que actualmente preside ao Conselho de Jurisdição – manifesta “muito orgulho em ter o apoio do partido que trouxe uma forma diferente de pensar e de fazer política a Portugal”.

“Sou um cidadão como vocês, farto da bolha em que o sistema político vive, alheado da vida dos portugueses. Sou descomprometido. Não estou envolvido em teias de interesses, de cumplicidades e de conveniências, dos séquitos e das elites do Terreiro do Paço”, garante. Tiago Mayan Gonçalves assume desde já o compromisso de dizer a verdade aos portugueses, sendo o seu objectivo recentrar “a acção política no soberano que é o cidadão” e criar “um país mais justo, mais próspero, mais livre”.

“Portugal tem a oportunidade de mudar de vida já em Janeiro. Do Porto para o país sou o candidato liberal à Presidência da República”, enfatiza. Depois deste anúncio, segue-se a recolha de assinaturas necessárias para poder formalizar a candidatura à corrida eleitoral para o Palácio de Belém, sendo para isso necessário um mínimo de 7.500 proponentes.

De acordo com a nota biográfica disponibilizada, o advogado tem um “longo percurso de serviço associativo e voluntário, do qual se destaca o trabalho na ELSA (The European Law Students Association) e na Refood. Tiago Mayan Gonçalves esteve envolvido nas campanhas e movimento “Porto, o Nosso Partido”, que elegeram Rui Moreira para a Câmara do Porto, sendo membro suplente da Assembleia da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde por este movimento

Bruno Fialho
“ao centro”

O presidente do Partido Democrático Republicano (PDR), Bruno Fialho, anunciou igualmente a intenção de se candidatar nas eleições presidenciais de Janeiro de 2021. “Eu pretendo ser um candidato efectivamente de todos os portugueses e abrangendo todas as ideologias políticas, já que até sou candidato do centro, um centro que abrange toda e qualquer posição, desde que seja a mais correcta a ser aplicada em determinado momento”, disse à Lusa.

O líder do partido fundado pelo advogado e ex-eurodeputado Marinho e Pinto afirmou que “o PDR apoiará a candidatura”, desejando poder “trazer mais-valia ao debate democrático que irá suceder-se”. “Qualquer pessoa que concorra tem dificuldades em ser eleito devido à popularidade do actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mas não vejo a Presidência como um mero concurso de popularidade”, defendeu.

Fialho tornou-se assim o terceiro candidato anunciado à Presidência da República, depois do populista André Ventura, do Chega!, e do advogado e fundador da Iniciativa Liberal, Tiago Mayan Gonçalves.

Para já, o actual Presidente da República ainda não definiu publicamente o seu futuro político. Campeão nas sondagens, Marcelo Rebelo de Sousa remete o anúncio para o final do ano – mas nos bastidores da política ninguém duvida de que se recandidatará. Por seu turno, a diplomata socialista Ana Gomes admitiu “ponderar” uma candidatura, mas ainda não anunciou qualquer decisão.

O candidato apoiado pelo PDR assegura que “não teria tomado a decisão abrupta relativamente ao Estado de Emergência que o actual Presidente da República tomou porque tem tido uma actuação de secundar todas as decisões do actual Governo. Teria sido mais fácil para o país ter encerrado as fronteiras e não encerrar o país inteiro, provocando este estado caótico em que estamos”, disse.

Bruno Fialho tem 45 anos e formou-se em Direito, tendo exercido a profissão de advogado. Actualmente, é chefe de cabina de uma companhia aérea, unido de facto e pai de Bruno, cinco anos, e de Sara, três anos. O anunciado candidato pensa que um Chefe de Estado deve “tomar as rédeas da política externa de Portugal, nomeadamente ao nível da União Europeia” e, por outro lado, evitar “atribuições tão voláteis de condecorações, a pessoas que se vêm a confirmar, judicialmente, que não eram suficientemente merecedoras”.

O presidente do PDR defendeu que a Presidência da República “deve ouvir todos os partidos, com representação parlamentar ou não, pelo menos duas vezes por ano”, para “não discriminar dezenas de milhares de portugueses” que votam noutros partidos que não estão no Parlamento.

Fialho é adepto do serviço militar ou cívico obrigatório e considerou que o Comandante Supremo das Forças Armadas deve ter uma “posição mais firme” sobre os ex-combatentes, “que nunca tiveram aquilo que merecem e lhes é devido por terem lutado por Portugal no Ultramar”.

Este novo concorrente a Belém defende ainda a revogação do actual Acordo Ortográfico. ■