Maria d’Aljubarrota: O estranho caso da mãe vítima e do bebé culpado

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Não queria ocupar-me do caso do bebé que uma mãe caboverdiana atirou ao contentor do lixo: é um caso escabroso que me repugna, como repugnará a qualquer pessoa bem formada, e só pensar nele me dá vómitos. Mas tenho de ocupar-me dos aspectos políticos que o delimitam.

Antes de mais, é preciso dizer sem equívocos: a classe política portuguesa, da pseudo-direitinha à extrema-esquerdinha, decidiu, desde o primeiro momento, que o culpado de tudo era o bebé; a mãe não passava de “uma vítima da sociedade”. 

O bebé era culpado porque não tinha nada que vir complicar a vida a uma pobre sem-abrigo; e a mãe era vítima porque era mulher e era negra.

É incrível que o primarismo do pensamento dominante nos tenha feito chegar a um tão baixo nível de raciocínio público. Mas foi a isto que chegámos: os problemas mais graves reduzidos a ‘clichés’ baratos, a ideias pré-fabricadas, a um infantilismo que fez do acto de pensar uma caricatura.

Como sempre, o exemplo vem de cima.

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