Ninguém escapa à recessão geral

A recessão económica vai atingir inevitavelmente todo o planeta – e Portugal, com todas as suas fragilidades, não escapará. Apenas resta saber qual vai ser a extensão dos estragos, mas as previsões são assustadoras.

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Economistas da Universidade Católica desenharam cenários para os impactos da pandemia na economia portuguesa, que vão do mau ao péssimo. Se a fase crítica durar apenas três meses, o PIB português cai 10%. Se durar seis meses, a economia contrai 20%. Já o desemprego subirá, nestes cenários, para 10,4% ou 13,5%, respectivamente.

O Núcleo de Estudos da Universidade Católica (NECEP), liderado por João Borges de Assunção, divulgou esta semana uma edição antecipada e extraordinária da habitual Folha Trimestral de Conjuntura, onde apresenta uma nova estimativa para a evolução da economia portuguesa para o conjunto de 2020, assumindo a “disrupção generalizada na economia mundial” causada pelo Covid-19.

Nesse sentido, o NECEP desenhou três cenários. Uma coisa é certa: pelas contas do NECEP, mesmo num cenário optimista, em que a fase crítica da pandemia não vai além de Abril, a economia portuguesa sofrerá uma contracção forte, neste caso de 4%. Também o desemprego vai subir, de qualquer forma, para 8,5%. Mas os peritos do NECEP avisam que “este último cenário toma, ainda, em consideração medidas adicionais e mais incisivas além daquelas já anunciadas pelo Governo. Qualquer um dos cenários corresponderá a um agravamento significativo do desemprego e em perdas do rendimento das famílias”.

Os economistas avisam que “um colapso abrupto das economias desenvolvidas é agora o cenário mais plausível, se bem que subsista uma elevada incerteza sobre a dimensão e a duração da contracção”. Embora esta crise seja vista “tipicamente como temporária”, os economistas da Católica consideram que “os únicos sectores da economia com alguma protecção de emprego e rendimento são as administrações públicas, as franjas da sociedade delas dependentes e os sectores considerados estratégicos no abastecimento de bens e serviços essenciais e a sua logística”.

Por outro lado, admitem, as autoridades estatísticas podem vir a ter “dificuldades em calcular o crescimento económico” do primeiro e segundo trimestres do ano. “Como esta crise se abateu sobre Portugal apenas em meados de Março, os dados do primeiro trimestre podem vir a transmitir, ainda, uma ideia de normalidade ou de uma quebra relativamente pequena face aos desenvolvimentos dramáticos dos últimos dias”, avisa o NECEP.

Como em 2008… “ou pior”
A semana começou com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, a avisar os países do G20 de que esta recessão provocada pelo Coronavírus será tão má como a da crise financeira de 2008, “ou pior”. Contudo, há uma esperança: “Prevemos uma recuperação em 2021”. Para lá chegarem, os países têm de dar prioridade à contenção do vírus e ao reforço dos sistemas de saúde “em todo o mundo”.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas