O algoritmo da m3rd@

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Conta-se que Deus, quando fazia o Homem, tinha à sua disposição um pouco de barro e uma data de outros ingredientes que ia juntando às pitadas, como a inteligência, a humildade, o perdão, a perspicácia, a resiliência, a beleza e tantos outros que fazem com que todos sejamos diferentes, dependendo da quantidade que o Criador resolveu pôr em cada um deles. Era mais ou menos como os temperos das avós – a olho! Moldados que se encontravam os bonecos, Deus verificou que todas as características eram boas, pelo que pegou também num potinho de merda, conferindo-nos o livre arbítrio e a suprema capacidade para fazer asneiras por nossa conta e risco. Nos casos em que a porção de excrementos excedia a mão, nasciam ministros.

Só por esse mistério divino se concebe Costa e os seus acólitos, tal o rol de disparates. Aos que se vão coleccionando em jeito de almanaque, Patrícia Gaspar juntou-lhe mais um, sob fórmula matemática. É que se os disparates são universais, os dos socialistas parece que saíram da NASA…

Deu-nos, a Excelentíssima Senhora Secretária de Estado, a conhecer a existência de um algoritmo capaz de calcular uma expectável área ardida, para, escorada no mesmo, mandar tocar a banda e estralar foguetes que, afinal, estávamos bem abaixo da quota no que respeita a área ardida.

Ora, eu, que sou de letras e fujo às matemáticas como as notas de quinhentos fogem do meu bolso, não durmo há quase uma semana a pensar no (bem)dito do algoritmo. Desde logo, pelo nome, que parece petisco que acompanha rissóis e bolinhos de bacalhau:

– “O Senhor António! Traga aí dois rissóis, uns bolinhos de bacalhau e meia dúzia de algoritmos para encher o bandulho enquanto aguardo pelo cozido!”. Era coisa para correr bem, regado por um palhete fresquinho…

Também me tira o sono esta mania de achar que os algoritmos são coisa que para funcionar requerem que os alimentemos de dados para que eles possam esmoer a coisa e deitar cá para fora resultados. Vai daí, que dados é que andaram a mandar para lá, para que se arrotassem números redondos? X área de mata, mais Y de temperatura, Z de vento, vezes o número de potenciais incendiários, corrigido pelo factor de risco acidental, subtraindo a falta de meios de corporações dos bombeiros, os “Canadairs” na oficina e o número de vezes em que o SIRESP não funciona?

Sendo a matemática como o algodão – não engana! – uma de duas:

– Ou os dados foram mal inseridos.

– Ou o Governo é tão incompetente que nem sequer consegue que uma porcaria de um incêndio obedeça aos cânones da ciência. 

Para que a coisa bata certo, estou a ver uma panóplia de ministros a distribuírem “kits” pela populaça como se fossem as entradas permanentes do “Avante”, com direito a isqueiro, acendalhas, um mapa com indicação dos melhores sítios, três golas do Cabrita e manual instruções de instruções de como atear um incêndio em cinco pequenos passos (lá pelo Rato chamam-lhe etapas, que passos é vocábulo proibido).

Encontrando-se a malta com um défice de 30% face ao algoritmo prevê-se, igualmente, um festival pirotécnico em pleno Gerês e a Festa das Fogueiras do Marvão, com acompanhamento do Jorge Palma a cantar o “Dá-me lume” em “loop”!

Também as coincidências me inquietam o descanso. Com tanto Portugal para arder, o raio dos incêndios tinham logo que lavrar os sítios destinados à concessão de lítio? É que vislumbrando nexo de causalidade, vou tratar de distribuir umas quantas placas de extracção do minério por uns amigos menos quistos e aguardar que a providência opere…

Já sabemos que os socialistas são animais competitivos e desde que Cabrita inaugurou o célebre “A minha asneira é bem maior que a tua” tem sido um corrupio de actuações sempre a elevar o nível, dificultando de sobremaneira a tarefa dos jurados. Mais apagadita até então, lá veio a Mariana prestar provas, garantindo que a Serra da Estrela ficará bem melhor que antes, com passadiços, escadas rolantes e barracas de farturas, na esteira do seguimento do “até foi uma coisa boa o que aconteceu”. Adivinha-se, de ora em diante, a destruição maciça do património português para que o Cabrita Reis possa espalhar a sua magia pelo território…

Mas o que verdadeiramente me tira o sono é saber como é que o Medina vai adjudicar a obra ao Sérgio Figueiredo!

Quanto ao algoritmo, não sendo versado em matemática, tenho qualquer coisinha que me diz o que falhou: ao preço a que está a gasolina, nem os incendiários têm condições de fazer o seu trabalho na perfeição. Para o ano espero que subsidiem esta gente para não passarmos vergonhas…

Inadmissível! ■