Para que serve o Parlamento Europeu?

0
566

Elevados níveis de abstenção e uma maior liberdade para ‘castigar’ quem é governo marcam tradicionalmente as eleições europeias em Portugal. Fora do núcleo restrito das pessoas mais atentas à política, ou mesmo militantes, as eleições para o Parlamento Europeu apenas lembram prateleiras douradas pagas a peso de ouro, para as quais o cidadão não quer contribuir com o seu voto.

De pouco serve a ‘pedagogia’ feita em véspera das chamadas às urnas para explicar que 70% da legislação nacional é consequência directa do decidido em Bruxelas. Sem saber muito bem para que serve o Parlamento Europeu – e na verdade há muito se fala na necessidade de mudar as regras de funcionamento da União Europeia –, outros eleitores decidem votar para ‘castigar’ quem está no Governo, sem que isso tenha consequência directa nas eleições legislativas que ocorrem escassos meses depois. Este ano, a proximidade dos dois actos eleitorais leva a leituras mais directas.

O ‘poucochinho’
Nas europeias de 26 de Maio, quem está mais pressionado acaba por ser António Costa, que é obrigado a vencer de forma clara se não quiser ser confrontado com o ‘poucochinho’ com que apelidou o resultado de António José Seguro nas últimas eleições. Em termos estatísticos, e um pouco à maneira de comentário de futebol, diga-se que desde que Portugal integrou a União Europeia o PS ganhou quatro das sete eleições europeias e o PSD três, com os socialistas a alcançarem o seu melhor resultado em 2004, quando António Costa subiu a ‘número um’ após a morte do cabeça-de-lista Sousa Franco.

Já os sociais-democratas conseguiram o seu melhor resultado em europeias logo no primeiro sufrágio, em 1987, numa lista encabeçada pelo futuro líder social-democrata e primeiro-ministro Pedro Santana Lopes. Nas últimas eleições , em que Portugal perdeu mais um eurodeputado – ficando com 21 – o PS venceu as eleições europeias: com Francisco Assis a cabeça-de-lista, conseguiu 31,5% dos votos, correspondentes a oito eurodeputados.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas