Ele faz a festa, lança os foguetes e apanha as canas. O respeitável público gosta, as televisões adoram, o poder agradece a ajudinha e todos parecem felizes. Todos? Não. Entre a imensa maioria que elegeu Marcelo Rebelo de Sousa, a imagem do Presidente degrada-se, gasta- se ao ponto de perder tecido e está cada vez mais colada a uma esquerda que só o tolera porque pode usá-lo. Os elogios do Chefe do Estado ao Partido Comunista, na última semana, ultrapassaram os limites daquilo que o povo de Direita está disposto a engolir sem protesto.

O mandato de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República foi poupado ao triste espectáculo do nascimento da ‘geringonça’. Marcelo já tinha anunciado a candidatura (a 9 de Outubro de 2015), mas ainda nem sequer iniciara a campanha que o levaria a Belém quando, em 26 de Novembro, António Costa era empossado pelo menos amistoso dos parceiros institucionais: Aníbal Cavaco Silva.

O então comentador televisivo pôde, por isso, lavar calmamente as mãos dos contorcionismos e ludíbrios a que António Costa teve de recorrer para sobreviver na liderança socialista e passar de derrotado nas eleições a primeiro-ministro – aquilo a que, em jargão político, se chama passar de besta a bestial.

Assim, quando Marcelo ganhou a eleição presidencial, em 24 de Janeiro de 2016, e quando foi solenemente empossado, em 9 de Março, já Costa governava graças à aquiescência de Cavaco Silva.

Mas logo se percebeu, por actos ou omissões, que o novo Presidente da República não se importava nada. Mais embaraçoso lhe seria, porventura, um Governo de Direita, ao qual ficaria grudado na imagem pública até ao fim dos seus dias. A Direita já Marcelo a tinha consigo, desde o dia em que se insinuara como “o mal menor” numa eleição sem candidato conservador. O que ele desejava era uma ‘entente cordiale’ à esquerda – e essa era-lhe oferecida de bandeja por António Costa e a ‘geringonça’.

Desde o seu primeiro instante de mandato, o novo Presidente foi um cordato patrocinador da solução de Governo engendrada por António Costa e apoiada no Parlamento pela esquerda mais radical, a mesma que até 2015 dizia do PS cobras e lagartos e chamava a Marcelo Rebelo de Sousa nomes cuja publicação faria corar a Senhora Directora deste jornal. Mas Marcelo não se importou: Costa servia-lhe às mil maravilhas, mesmo que para isso tivesse de indispor contra si muitos dos dois milhões e meio de portugueses que lhe entregaram o voto em Janeiro de 2016.

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