EVA CABRAL

De nada valeram os apelos de Marcelo Rebelo de Sousa para que não se politizasse a questão dos incêndios, com particular destaque para o de Pedrógão Grande, onde morreram dezenas de pessoas. Mal o tempo arrefeceu, os partidos começaram a assacar responsabilidades uns aos outros. Mas desta vez há uma novidade: ao contrário de toda a gente, o PS não tem pressa em accionar as indemnizações às vítimas…

Há uma matéria em que o PS de António Costa está totalmente sozinho e a criticar a pressa do PSD, CDS, PCP e BE: na aprovação de uma lei para acelerar o processo das indemnizações às vítimas dos incêndios de Pedrógão.

A posição do PS é dúbia, pois se critica a pressa de todos os outros partidos, afirma igualmente não ter “objecções de princípio” ao diploma. “Não há nenhuma objecção de princípio, nem há nenhuma razão para obstar à aprovação do projecto”, afirmou Pedro Delgado Alves, deputado do PS, em declarações aos jornalistas, no Parlamento. Porquê contrariar então a sua aprovação a curto prazo? A resposta é inverosímil: porque “pretendemos que o seja com as necessárias salvaguardas, para ser um diploma com qualidade”…

A juntar a esta súbita preocupação socialista pela “qualidade” da peça legislativa, Pedro Delgado Alves referiu que, quando se chegar “à fase indemnizatória, é necessário um quadro jurídico claro e de fácil aplicação” – o que imediatamente levantou dúvidas quanto às garantias de recurso de uma decisão pela comissão proposta pela direita e pelo PCP.

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