É a crise da qual ninguém fala, mas que todos sentem na hora de pagar as compras. Portugal importa hoje uma grande parte de tudo o que come, e paga uma boa maquia pelo abandono da sua agricultura. Os preços da comida em Portugal, dos mais elevados da Europa em termos comparativos, estão a subir, e ainda não se começaram a sentir os efeitos da seca. Mas a esta crise silenciosa o Governo fecha os olhos.

A julgar pela forma como os governantes olham para a agricultura, quase que se diria que não precisam de comer. Ou melhor, comem do bom e do melhor à nossa custa (ler caixa, nestas páginas) mas não parecem muito preocupados com o facto de Portugal ter hoje de importar grande parte da sua comida. Entre 10 e 15 por cento do orçamento das nossas famílias tem como destino a alimentação, e o peso desta rubrica nos bolsos dos portugueses está outra vez a aumentar, depois de anos em queda.

Tudo porque o preço médio dos alimentos aumentou 1,3 por cento só em Outubro, e há quatro meses que os alimentos não param de ficar mais dispendiosos para os bolsos dos portugueses. Em apenas um mês, os preços dispararam em todos os géneros: mais 2,7% na fruta, mais 2% nos legumes, mais 1,7% na carne, mais 1,3% no leite.

Esta crise, no entanto, deve-se quase unicamente à dependência externa de Portugal causada pela classe política e não por um aumento dos lucros dos agricultores. Muito pelo contrário, no mesmo período de tempo o preço pago aos produtores agrícolas portugueses por frutos caiu 7,6 por cento, mesmo tendo o preço da fruta no supermercado aumentado. Não são poucos os agricultores que se queixam de serem forçados a vender com margens de lucro quase inexistentes.

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