Agronegócio vence pandemia

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Livre da agitação revolucionária no campo, sem invasões de propriedades, ataques a laboratórios de pesquisa avançada, o sector agrícola brasileiro vem crescendo em produtividade e qualidade nestes 18 meses de governo conservador. No caso da soja, o Brasil voltou ao primeiro lugar este ano, passando os EUA, com produção de 135 milhões de toneladas. E mais: a pavimentação de 80 quilómetros na rodovia que escoa a produção do centro-oeste deu ganhos aos produtores na economia estimada em 10% do frete até o porto.

Colaborou para o fechamento positivo do primeiro semestre do ano o facto de a China não ter sido tão atingida como podia parecer pela pandemia, surgida lá. Na soja, os chineses representam quase 70% das exportações. No café, o Brasil também volta ao primeiro lugar, e com ganhos de qualidade; e o milho, com 100 milhões de toneladas, mantém o país na terceira posição, perdendo para a China e os EUA.

A população mais espalhada colaborou também para que o COVID-19 chegasse de forma menos impactante ao meio rural. Os bancos oficiais fizeram fluir normalmente as linhas de crédito das safras, que foram mantidas com boas condições para o financiamento de implementos, como colheitadeiras modernas de alto custo, que pedem grandes herdades. Hoje, elas estão presentes não apenas na soja, no milho e na cana, mas até no café.

Neste momento, a desvalorização do Real também ajuda o desempenho da exportação de produtos agrícolas em geral, que deve fechar o ano com mais de cem mil milhões de Euros, sendo que a metade para a China e a União Europeia. O total das exportações brasileiras neste ano complicado, incluindo tudo, vai beirar os duzentos mil milhões de dólares. 

A produção do etanol, quase todo como combustível da frota automotiva, de uso direto ou na mistura a gasolina, ficará nos 36 mil milhões de litros, 90% de cana de açúcar. A produção do adoçante aumentou empurrada pelo preço internacional, ficando em 35 milhões de toneladas na actual safra.

Produtos em que o Brasil vinha perdendo terreno vêm recuperando, como o caso do algodão, que já abastece o mercado interno e exporta alguma coisa. E a produção vem crescendo. Outro caso emblemático é o cacau, que o Brasil vinha perdendo posição, estando hoje em sétimo lugar na produção e importando, uma vez que tem uma grande indústria beneficiando o cacau. Para se ter uma ideia do que foi a escalada revolucionária no campo nos governos pós período militar, o cacau na Bahia, maior produtor nacional até então, e o terceiro do mundo, foi atacado de uma praga denominada “vassoura de bruxa”, fruto de sabotagem política. Movimentos de inspiração comunista levaram a praga do Estado de Rondônia, onde surgiu e estava sendo controlada, para os campos do sul da Bahia. Os culpados foram presos, soltos e não se fala mais no assunto. Assim foi também com a invasão de destruição do mais moderno laboratório de pesquisas agrícolas, no Rio Grande do Sul, com imensos prejuízos. Hoje, o melhor cacau do Brasil é no Norte, no estado do Pará, e a produção vem crescendo.

A fruticultura vive um grande momento, com bons preços para o suco de laranja em que o Brasil é o campeão de vendas, assim como as frutas irrigadas do Nordeste, mamão, melão e manga, que representa a maior exportação para a União Europeia. A maçã, em Minas e nos Estados do Sul, que tem qualidade semelhante à argentina e à americana, está muito presente também na indústria dos sucos. A irrigação, que ficou parada 30 anos, foi agora retomada pelo governo no Vale do São Francisco, expandindo a actual área, em Minas e no Nordeste. E, claro, a proteína animal, seja ela bovina, suína e avícola, continua líder mundial. Praticamente dominada por quatro empresas, sendo que, pelo menos, duas com forte presença também nos EUA; o sector tem um faturamento invejável.

A crise não será mais profunda graças a esta realidade do moderno e eficiente agronegócio, que tem apoio dos governos pela força política da chamada “bancada ruralista”, no Parlamento brasileiro. A deputada Teresa Cristina, Ministra da Agricultura, está entre os mais bem avaliados do governo. Discreta e eficiente. ■