Grandes mulheres brasileiras no século XX

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O Brasil da segunda metade do século XIX e primeira do século XX teve mulheres de grande presença e importância, de personalidade e independência. Todas de alto nível social, económico e cultural, que entraram para a história. Nenhuma das duas principais deixou descendência, mas marcaram a história da sua época.

A mais conhecida foi Eufrásia Teixeira Leite, riquíssima herdeira na cidade de Vassouras, sobrinha do Barão de Vassouras, que viveu um longo caso de amor com Joaquim Nabuco, diplomata, político, fundador da Academia Brasileira. Eufrásia viveu muitos anos em França, onde multiplicou a herança e se tornou numa das referências da Paris do seu tempo, morando num palacete a cem metros da “l’Étoile”. Ficou na história, pois deixou sua fortuna para a cidade de Vassouras, onde está a ser recuperado o seu principal imóvel, agora por novo mecenas, o ex-banqueiro e coleccionador de referência de obras de arte Ronaldo Cezar Coelho, que foi deputado em dois mandatos. Mas outros imóveis foram legados por ela, como o hospital local.

Na mesma época, pioneira em abrir os salões de sua casa para reuniões de cunho social e até político foi Laurinda Santos Lobo. Também herdeira de uma bela fortuna, fez de sua casa o mais importante centro da vida social da então capital da República. A sua casa ficou em ruínas e hoje está aberta ao público. Todos os livros da época se referem à casa, o que a fez ser considerada a “Madame de Stael brasileira”, numa referência à Baronesa de Stael, que, aliás, viveu um romance em Paris com o então jovem Pedro de Sousa Holstein, que veio a ser o primeiro Duque de Palmela.

Outra mulher notável foi Nair de Teffé, a primeira caricaturista brasileira e talvez do mundo. Estudou em Paris e, ao regressar ao Brasil, casou-se com o Presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, que era viúvo. Nascida em Petrópolis, Cidade Imperial, era filha do Barão de Teffé e fundou a Academia de Letras de Petrópolis, que funciona até hoje.

Mulher à frente de seu tempo, pioneira na defesa do divórcio, do voto feminino, do acesso feminino às universidades, Júlia Lopes de Almeida foi também de grande notoriedade. Participou no início da Academia Brasileira de Letras, não tendo ingressado pelo estatuto, baseado na Academia francesa, não permitir mulheres. Mas seu marido, o escritor português Filinto de Almeida, foi fundador e ocupou a cadeira número 3 na Casa de Machado de Assis. O casal morou cinco anos em Portugal e seis em França, tendo ela falecido no Rio de Janeiro, em 1934, e ele, em 1945.

E a mais popular, estimada, a Princesa Isabel, filha de Pedro II e sobrinha da Rainha D Maria II, de Portugal. 

A sociedade brasileira, como se verifica, com um mínimo de conhecimento, sempre contou com a participação feminina, que, com a exemplar miscigenação racial e religiosa, são valores hoje negados pelas esquerdas, que querem apresentar o Brasil como uma nação racista, machista e preconceituosa.

A esquerda esquece-se que tivemos uma presidente mulher, temos várias senadoras e deputadas, desembargadoras e duas ministras no Supremo Tribunal. ■