O grande pensador católico brasileiro

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O escritor e pensador católico Gustavo Corção marcou seu nome na história do catolicismo e da luta contra o comunismo no Brasil. Muito jovem, engenheiro electrónico, andou pelas esquerdas, no ateísmo e apenas aos 41 anos se converteu e passou a uma intensa militância. Autor consagrado, com dezenas de livros publicados, alguns com sucessivas edições e colaborador de grandes jornais, como O Globo, no final da vida, foi sempre uma referência respeitada.

Sua obra, entretanto, estava confinada aos estudiosos, às livrarias de publicações de segunda mão, aos sebos. Agora, a editora Vide, de São Paulo, começa a reeditar a sua obra, embora não tenha ainda chegado a seu grande final, que foi “O Século do Nada”, de certa maneira um livro de memórias e de conclusões. Corção teve livros editados em Portugal, França e América do Norte.

Comparado por muitos a Machado de Assis, na forma clara de seus trabalhos, era homem de bravura moral e cívica e de independência intelectual singular. Rachel de Queiroz, que começou também pela esquerda, o tinha como grande referência de texto.

Apoiou desde o início o movimento que desembocaria na Revolução de 1964 no Brasil, convencido de que o presidente Goulart estava levando o país para a esfera de influência soviética. No dia do levante, chegou a escrever que, com o comício da véspera de Goulart com sargentos, “o Brasil chegou ao ponto mais baixo de sua história”.

O pós-64 o levou a romper com antigos companheiros ligados à Igreja, como seu amigo Alceu de Amoroso Lima e Dom Hélder Câmara, que assumiram posições mais à esquerda naqueles anos. Criticou duramente o Arcebispo de Olinda por fazer campanha contra o Brasil na Europa. Reagiu com energia ao envolvimento dos dominicanos com os grupos comunistas que optaram pela luta armada contra o regime militar, inclusive tornando o Convento Dominicano de São Paulo esconderijo de comunistas notórios como o ex-deputado Carlos Marighela, autor de atentados e instrutor de jovens que foram levados à aventura revolucionária que custou a vida a muitos deles.

No último livro, já nos anos 1970, Corção diz ter a oportunidade de preencher uma lacuna em sua obra que foi se referir à guerra civil espanhola, onde acreditava ter sido jogado o destino da democracia e do catolicismo na Europa. E veementemente lembra a forma ignóbil e cruel com que foram assassinados 15 mil religiosos, incluindo 12 bispos, denominados por Pio XI como “verdadeiros mártires em todo o sagrado e glorioso significado da palavra”.  Alguns destes, cerca de dois mil, já foram beatificados por João Paulo II. Corção aproveita a oportunidade e exalta as figuras de Queipo de Llano e José António Primo de Rivera e recorda o caso do Alcazar emblemático, com o gesto do seu então comandante Moscardó, hoje contestado pelas esquerdas espanholas como que “fake news”.

A Igreja no Brasil hoje está mais nas suas redes de TV, como a Aparecida e a Canção Nova, do que nos livros. E as publicações de religiosos como Padre Marcelo e Padre Paulo Ricardo são menos profundas dos que as de Corção, fruto de uma imensa cultura e séria reflexão.

Gustavo Corção atribuía ao padre Lebret, dominicano francês, as primeiras pregações, no início dos anos 50, no Brasil, do que veio a ser a Teoria da Libertação, de clara identidade revolucionária de esquerda. ■