Acordo à Esquerda? Tenho medo, muito medo

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JOÃO FILIPE PEREIRA

Não vou partir do princípio que esta coligação que parece surgir à Esquerda será particularmente pior que qualquer outro governo de coligação ou de partido único. Simplesmente não acredito em nenhuma força partidária neste preciso momento. Já acreditei e espero vir a acreditar. Mas não agora. 

O que vejo agora é uma cambada de oportunistas e de fervorosos adeptos nas redes sociais da internet que defendem a Esquerda ou a Direita como se estivéssemos a falar de futebol. O que vejo são oportunistas que querem fazer um ataque ao poder em nome de qualquer coisa que não se entende bem.

E quando não entendemos algo, normalmente temos medo. E eu tenho medo. Pela minha família que vive em Portugal, pelos meus amigos que trabalham em Portugal e por mim, que um dia gostaria de regressar a Portugal.

O governo de coligação PSD-CDS/PP foi o primeiro nessa condição a conseguir terminar uma legislatura. Não sem antes passar por uma quantidade enorme de novelas, entre as quais a famosa “demissão irrevogável”. Eram dois partidos e uni-los foi um desafio que um dia alguém explicará como foi superado.

Como irá Costa, um fraco líder que perdeu eleições, lidar com um Jerónimo de Sousa que tem nas mãos o impulsionar do comunismo ou o seu fim no nosso País? E como irá Costa lidar com uma Catarina Martins que parece uma guerreira sedenta por colocar em prática um programa mais popularucho do Syriza em Portugal?

O meu problema não é com a Esquerda. É com quem está a liderar a Esquerda portuguesa nesta época. Parecem ser traidores e salteadores a quem estamos a entregar o País.

Um dia os livros de História irão explicar como é que António Costa conseguiu não apresentar uma alternativa a Cavaco Silva, mas que mais tarde quis chumbar um Governo para fazer um assalto ao Poder.

Vale tudo neste País?

O Partido Socialista tem pela frente o maior desafio da sua História. Costa está a jogar a sua vida política contra os interesses dos portugueses e contra os interesses do seu próprio partido. Assis não está sozinho, mas a máquina quando começa a rolar não pode ser parada. Aconteceu o mesmo quando um cobarde Pedro Passos Coelho tirou o tapete a Sócrates e ao País a mando do líder da máquina “laranja”: Marco António Costa.

Na altura escrevi que tinha medo de Passos e da coligação à Direita. E provou-se que tinha razão por temer as políticas que nos quiseram impor. Neste momento, temo muito mais esta coligação à Esquerda.

Que eu esteja enganado. Mas se não estiver, nas próximas eleições (que serão em breve) quem não se sentir representado na Esquerda parlamentar vai votar em quem? Pobre Portugal.

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