Duas Notas Breves

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José António Cerejo denunciou em tempos Sócrates, e bem. Agora anda obcecado com a Igreja Católica. Escreve um artigo, este Sábado de Páscoa, a denegrir a instituição e as suas finanças. O visado é o cónego Álvaro Bizarro, que gere o património e finanças do Patriarcado de Lisboa há mais de duas décadas. Como católico, acho profundamente errado que um mesmo homem se eternize num lugar chave. No entanto, o ataque soez contra uma instituição que assegura mais de setenta por cento da assistência social em Portugal é vergonhoso.

Numa enorme confusão de números que Cerejo não consegue entender, nem explicar, percebe-se que uma das verbas que dá é a de que um seminarista estrangeiro em pensão completa em Lisboa, incluindo roupa, alojamento, comida, estudos, livros, papel, computador, viagens, não pode custar mais de 333 euros por mês ao Patriarcado. O que faria o Patriarcado ao resto do dinheiro das dádivas quaresmais que são mais de duzentos mil euros? Esquece-se de que há mais dádivas para além dessa e espanta-se que a Igreja gaste muito mais em assistência, seriam uns oitocentos mil; mas por outro lado falta dinheiro, afirma Cerejo! Talvez seja da veterania, que Cerejo é jornalista há mais tempo do que Bizarro é ecónomo, mas as confusões do jornalista são muitas e muito pouco explicadas.

Não sei se Cerejo tem filhos, mas ele que ponha a receita para gastar 10 euros por dia com um estudante universitário ou liceal em Lisboa, incluindo duas viagens por ano para a Índia ou Mindelo ou outra localização intercontinental, que o povo agradece. Eu penso que nem o Salazar, reconhecidamente económico, conseguiria tal milagre. Talvez a Igreja Católica o consiga, mas se assim for, aqui fica o elogio a esta instituição.

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Várias semanas após a escolha de Teresa Leal Coelho para encabeçar a lista do PSD em Lisboa, confirma-se o anunciado desastre que conduzirá Medina de novo ao poder, levado ao colo pela antipatia da senhora e pela sua história recente.

Teresa Leal Coelho não faz declarações, não aparece no combate político, não denuncia nem capitaliza a pouca-vergonha da gestão Medina em Lisboa. Teresa Leal Coelho é o vácuo, o nulo, sem ideias, sem plano, escrito sem convicção pela mão alheia de José Eduardo Martins, e não tem qualquer hipótese, também devido à sua figura desgastada e antipática de defensora número um da troika e de Passos Coelho que desagrada visivelmente ao eleitorado.

Medina, que chegou a presidente de câmara sem ir a votos, continua com sorte: com tal escolha é inevitável uma derrota esmagadora do PSD. A única vantagem é que uma derrota estrondosa do PSD perante um fraco Medina em Lisboa deverá levar a uma rápida substituição de Passos Coelho por alguém capaz como Rui Rio. Marcelo, “o catavento político” de Passos Coelho, agradece, mais uma vez, a pouca inteligência da escolha.

Entretanto, no Porto, o PSD anuncia uma campanha em que vai tentar provar que “Rui Moreira é um bom presidente de Câmara” é um mito! Meu Deus! Será que ninguém consegue ensinar àquelas cabecinhas que fazer uma campanha já de si negativa, e ainda por cima afirmando peremptoriamente no princípio estratégico fundamental a negação do que querem provar usando o termo “bom presidente de câmara”, vai reforçar a imagem positiva de Rui Moreira junto da população? A mensagem é muito complicada e não passa para o público. Lembram-se da fase de Guterres “No jobs for the boys”? O “não” caiu e ficou apenas a parte dos “boys” do PS e de tachos para a rapaziada.