Maná do céu socialista

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O primeiro-ministro, mais histérico que um pregador evangélico em dificuldades financeiras, grita que vem aí muito maná do céu! Costa andou esganiçado pelos palcos de Portugal a proclamar que se os portugueses pagarem o dízimo, perdão, votarem nos fiéis autarcas dele, choverá dinheiro do céu! 

Um programa nacional baseado no “slogan”: “Aleluia que vêm aí mais esmolas alemãs” seria algo impensável num país rico e autossuficiente como a Inglaterra, de onde escrevemos este artigo. 

O mais parecido com Costa que testemunhámos no mundo, com a voz trémula e esganiçada pela emoção nos concelhos mais pobres do interior de Portugal, em transe a apregoar “vai haver dinheiro para todos”, foram pregadores evangélicos que ouvimos no estado mais pobre do Brasil, o Maranhão, ou no estado mais pobre dos EUA, o Mississipi. Os pobres ficam sempre à espera de que um dia lhes caia do céu dinheiro. Crédula e submissamente, não exigem aos seus falsos ídolos nem boas contas, nem ética. 

Tal como um pregador numa região pobre e desesperada tem na mão a sua congregação, Costa tem na mão a comunicação social. Os seus fiéis jornalistas, nada fiáveis, em vez do termo verdadeiro “esmola europeia” usam o eufemismo da propaganda: “bazuca.” Isto para embelezar falsamente a humilhante ajuda humanitária internacional a Portugal, nação pobre devido à falhada governação e ao esbanjamento socialista. 

Tentando impingir-nos que uma mentira religiosa-partidária pode ter significado estratégico-financeiro, vários jornalistas e comentadores televisivos proclamaram, a uma só voz com o Partido Socialista, que a prova está na “Moody’s” ter aumentando a avaliação de Portugal. Esta agência de “rating” de facto, no final da semana passada, melhorou ligeiramente a nota portuguesa de Baa3 para Baa2. No entanto, fê-lo com a condição dos “fundos europeus serem usados para implementar reformas estruturais”, algo que poderia levar à “diminuição pública”. A notação Baa, independentemente do número na frente, continua a significar que quem investir no Portugal socialista continuará a fazê-lo com risco de “características especulativas”, segundo a definição da própria “Moody’s”.  

A especulação consiste em apostar que o mesmo conjunto de políticos socialistas, com os mesmos vícios que nos levaram à quase bancarrota de 2005 a 2011, que, tal e qual como dantes, de 2015 até 2021, também não fizeram reformas estruturais (pelo contrário reverteram a maior parte delas) e que continuaram a aumentar a dívida pública (mais 35 mil milhões de euros), de repente, vão fazer reformas e diminuir a dívida! Boa sorte para tal fé! 

Apostar nesta hipótese de milagre futuro sem comprovação empírica parece-nos tão especulativo (especulação que a “Moody’s” não nega) como acreditar no maná do céu nos dias de hoje. Ora, o livro bíblico do Êxodo, que no capítulo 16 descreve tal maná, foi escrito seis séculos antes de Cristo nascer! Segundo essa antiga fonte, maná foi o que os israelitas comeram no deserto durante 40 anos a caminho da terra prometida por Moisés. Aparentemente, após a evaporação do orvalho da madrugada, ficava uma espécie de geada esbranquiçada que dava para fazer bolos que sabiam a mel. Esta comida não podia ser armazenada ou poupada e tinha que ser logo consumida.

Achamos, portanto, que maná é uma metáfora muito apropriada para os fundos europeus, que nas últimas décadas os políticos socialistas têm gasto assim que recebem, sem qualquer reforma estrutural. Mantêm-nos assim no deserto da pobreza, de estarmos em últimos da Europa, mudando de Moisés periodicamente. Já foi Sócrates, agora é Costa, poderá ser a Vieira da Silva Júnior. Não interessa, desde que continuem a ter um líder histérico e gastador a pregar tal maná para todos.   

Segundo o Eurostat, a dívida pública portuguesa em relação à percentagem do produto interno bruto (PIB), em 2021, está em 137%, tendo aumentado 18% em relação ao ano anterior. Na tabela, o contraste deste desastre é óbvio por comparação logo com os países nas linhas alfabeticamente mais próximas. A Polónia tem apenas 59% e a Roménia 47%. Somos humilhados até pelos membros do antigo bloco comunistas, apesar de recebermos fundos europeus há mais tempo e em muito maior quantidade. Somos dos piores e mais endividados da Europa, graças ao histerismo sem reformas do socialismo. 

Relembremos que na União Europeia ainda é suposto, para boas contas, os países não terem uma dívida governamental maior que 60% do PIB, nem um défice maior que 3%. O dinheiro europeu não cai do céu como Costa, que nunca teve profissão desligada da política, poderá pensar. Segundo a revista “Economist”, o que está a acontecer é uma transferência de dinheiro dos países ricos para os países pobres, tolerada, mas não activamente permitida pela Alemanha: 750 milhares de milhões de euros, dos quais 390 milhares de milhões são bolsas a fundo perdido. Ora, quando um rico dá dinheiro a um pobre, a coisa deve ser chamada pelo que ela é: uma esmola. 

Como portugueses deveríamos todos ter vergonha de ter um governo, deputados e conjunto de autarcas acólitos, pedintes ao seu redor, que localmente o suportam a nível nacional, cuja única visão religiosa-partidária para Portugal é terem o país pobre e a viver de esmolas. E que, ainda por cima, há já demasiadas eleições, até esta inclusive, e fazem disso motivo de orgulho e grande “slogan” eleitoral. 

Do ponto de vista da ambição que temos para que Portugal seja um país rico em vez de pobre, que finalmente dê ajuda humanitária aos outros em vez de a receber há décadas, tal postura pedinte parece-nos de uma decrepitude inaceitável. São precisas reformas estruturais da política, da Justiça, do Estado e das Finanças que nos tirem deste descalabro e aumento gigantesco da dívida pública. Nós conhecemos estes socialistas de ginjeira, melhor que os optimistas analistas da “Moody’s”, lá longe, a imaginar inocentemente que os governantes socialistas portugueses da nova geração têm agora qualificações como os governantes dos outros países europeus. Se calhar até pensam que “juventude socialista” é uma universidade. Ora nós, os portugueses, sabemos bem que não e que o nível dos governantes socialistas só tem descido ainda mais. Com esta gente mais uma vez não vai haver reformas estruturais. Rapidamente, e assim que estes novos fundos europeus se acabarem, a dívida pública vai aumentar mais. Sem mudança de curso, um dia voltaremos a notações financeiras de Lixo, como já estivemos a seguir à anterior festa socialista de esbanjamento de fundos europeus.

Na realidade, os socialistas são como toxicodependentes, sentados a um canto do chão do edifício europeu, sempre de mão estendida para o vício dos fundos europeus, que esbanjam sempre, a maioria consigo próprios (ou com os amigos dos negócios ruinosos misturados com política) e só muito ligeiramente nas necessidades básicas dos portugueses, quanto mais em investimento autossustentável, bem gerido e que dê retorno financeiro de longa duração. É a única forma de vida e de governação que conhecem. Para disfarçar, arranjam entre eles o líder do momento que minta melhor e faça melhor o papel de pregador. Qual boa gestão ou visão estratégica. A “agenda para a década” da campanha legislativa de 2015 era uma fantasia tão grande como agora é, nestas autárquicas de 2021, a suposta “bazuca” ir resolver todos os nossos problemas. Enquanto acreditarmos nestas falsas pregações socialistas seremos pobres. ■