Uma aragem de mudança

“O ministro Pedro Nuno Santos, na impossibilidade de fazer a demonstração racionalmente aceitável das suas afirmações, opta pelo silêncio e pelo insulto àqueles que o interrogam na procura da verdade”

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Uma aragem de mudança foi o que passou este domingo pela política portuguesa, em que a vitória de Carlos Moedas em Lisboa foi um sinal inequívoco. Mas não só, na minha terra do coração, a Marinha Grande, depois de quase meio século de alternância na autarquia entre o PCP e o PS, o Partido Socialista perdeu agora a eleição e o “+MPM”, movimento independente – Movimento pela Marinha Grande – ganhou, depois de uma maratona de persistência e de pedagogia democrática de vários anos.

Como sempre defendi, os graves problemas que Portugal enfrenta resolvem-se com mais democracia e não com menos democracia, o que é negado pelos partidos através de leis eleitorais que lhes permitem evitar a escolha pelo povo dos seus representantes na Assembleia da República. 

O crescimento do número de vitórias no passado domingo de cidadãos independentes mostrou que a liberdade e a democracia encontram sempre formas de se afirmar e que apenas transitoriamente podem ser subjugadas. 

O Partido Socialista obteve nestas eleições o maior número de câmaras, mas significativamente perdeu nos grandes centros urbanos, onde o nível de educação é em média superior, onde os cidadãos não se deixam enganar tão facilmente pela verborreia comunicacional e pelas falsas verdades do PS. Por isso insisto, é a educação em sentido amplo, a qual envolve também a formação dos comportamentos e dos valores, que permite o voto consciente e livre dos cidadãos. Pelo contrário, é a mentira consentida que dá ao Partido Socialista e a António Costa o poder para dominar a política portuguesa e esbanjar os recursos europeus, como o trabalho dos portugueses, a fim de manter no poder a grande família socialista.

Não faltam os exemplos, que faço o possível por denunciar, onde a mentira e a meia verdade usam o controlo possível sobre a comunicação social, a menor preparação existente em parte da população e a dependência do Estado de largos sectores da sociedade, para que o Partido Socialista possa iludir a realidade nacional. Dois exemplos:

Transição energética

Num artigo publicado recentemente no jornal “Público”, o primeiro-ministro António Costa, consciente dos erros já cometidos pelo seu Governo no campo da energia e criticado no caso da Galp e pelo fecho da refinaria de Matozinhos, escreveu o seguinte: “Agora, já sabemos que a transição energética tem custos”. Agora? Não há um ano? Não há dez anos? Como é possível que um primeiro-ministro de um país da União Europeia só agora saiba que as políticas energéticas, iniciadas pela dupla José Sócrates/Manuel Pinho e continuadas pelo seu Governo, têm custos para o desenvolvimento económico do País? Custos que conduziram a que Portugal tenha a energia mais cara da União Europeia em termos de poder da compra, o que está a conduzir à perda de competitividade e ao fecho de muitas empresas. A Covina vai para Marrocos e a siderurgia avisou que com os preços actuais da energia não consegue exportar. Milhares de empresas estão nas mesmas circunstâncias.

Ferrovia

O ministro Pedro Nuno Santos não se cansa de afirmar que a questão da bitola é um falso problema e anda há anos a esconder dos portugueses a forma de fazer chegar as exportações nacionais ao centro da Europa em comboios de bitola ibérica, razão porque recentemente lhe escrevi a carta que aqui deixo para conhecimento dos leitores. 

“Ex.mo Senhor ministro das Infraestruturas e da Habitação, Dr. Pedro Nuno Santos,

Junto um texto publicado acerca de um investimento de 5,8bn euros que os países bálticos – Estónia, Letónia e Lituânia – estão a realizar para ligar a ferrovia dos seus países à Polónia e daí a quase toda a Europa, fundamental para a competitividade da economia, no total de 872 quilómetros em bitola UIC, vulgo europeia.

Como V.Ex.ª tem o segredo das soluções tecnológicas que permitem resolver o problema das diferenças de bitola de forma competitiva com menos investimento e na suposição de que não o queira levar para o outro mundo, sugiro que esclareça esses países do enorme desperdício que estão a cometer. 

Já agora, poderá fazer o mesmo com os nossos vizinhos espanhóis, que lidam com este problema nas suas fronteiras há muitas décadas e ainda não perceberam a maravilha que são as soluções tecnológicas do senhor Ministro. Certamente que lhe agradecerão.

Com as mais sinceras saudações democráticas,

Henrique Neto”

O ministro Pedro Nuno Santos é um dos governantes que mais ousa fazer afirmações que, na impossibilidade de fazer a sua demonstração de forma racionalmente aceitável, opta pelo silêncio e pelo insulto àqueles que o interrogam na procura da verdade. O ministro João Pedro Matos Fernandes e o secretário de Estado João Galamba são igualmente competentes teóricos da desinformação, a fim de iludirem alguns dos desafios que Portugal enfrenta. Os casos do aeroporto, do lítio, do hidrogénio e os custos da energia, são o exemplo da forma como a propaganda ilusionista se substitui à resolução dos problemas reais do País.

Estas são algumas das razões porque, na impossibilidade de o ministro Pedro Nuno Santos tratar com seriedade os problemas que lhe estão confiados, como a ligação ferroviária à Europa, recusando-se a responder às várias cartas que lhe enviá-
mos sobre o assunto, só nos resta fazer humor sobre a forma como o ministro administra os problemas a seu cargo e a maneira autoritária como trata os portugueses que se interessam pelo progresso do País. ■