Supostos “anti-racistas”, “feministas”, “anti-colonialistas”…

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A morte de um cadastrado por crime violento, causada, aparentemente, por excesso policial, espoletou uma onda de violência contra os símbolos nacionais e históricos. Não apenas na cidade de Minneapolis, no Estado de Minnesota, onde ocorreu. Alastrou por toda a América, espalhando, depois, a todo o Mundo Ocidental. Com alguns focos em países ocidentalizados. A estupidez da fúria vai tão longe que vandalizam a estátua de Churchill, que recusou a paz com o III Reich. A pretexto de anti-esclavagismo atacam uma estátua, ou várias estátuas, de Abraham Lincoln. O presidente que aboliu a escravatura nos EUA. E imensos casos que merecem todo um estudo.

Em Portugal, uma das estátuas atingidas foi a do Padre António Vieira. Há que dizer que o Presidente da República e o Primeiro-Ministro reagiram, condenando essas fúrias de vandalismo e ameaçando com as sanções da lei. Honra lhes seja feita. Também foi vandalizada uma placa evocativa dos mortos do Ultramar. Que conste, não mereceu condenação expressa. 

Esta fúria, desatada a nível internacional, nada tem de espontâneo. Tem vindo a ser preparada, por várias formas, ao longo de décadas. Vamos dar alguns exemplos escolhidos do clima a instalar. O caso Marega, logo no início do ano. Um incendiário debate a nível nacional, por um jogador do FCP, vindo do Mali, ter sido vaiado e mandado dar banho ao cão. Uma acusação de “racismo” à sociedade portuguesa, em geral.    

Comecemos pelas “Destemidas”, uma série de desenhos animados, na RTP-2, destinados ao público infanto-juvenil. O 20º episódio foi particularmente agressivo. “Therese Clair” relata a vida e obra de uma francesa, criada numa família católica, tradicional, mãe de quatro filhos. Descobriu o comunismo pela pregação dos padres-operários. É a descoberta do marxismo que a faz ver a luz! Quando abre o livro, com a foice e o martelo, ilumina-se e ouve-se como que um “aleluia”. Tem uma revelação quase mística! O marido careca e barrigudo comia a sopa com ruído. A “destemida” arrancou a toalha da mesa, declarando “Não é apenas o meu corpo que me pertence. A minha vida pertence-me”. E descobriu a homossexualidade! O coro dos filhos faz “Ah”. A locução é feita por uma actriz (?), engrossando a voz, para os papéis masculinos, o que lembra aquelas feministas que detestam ser mulheres. Na nova morada, uma mulher vai procurá-la, murmurando que quer fazer um aborto. E ela diz: “Não murmures, grita ao Mundo!” E lá aparece a “destemida” com punho fechado, participando numa manifestação comunista. Este desenho animado aparece no espaço “Zig-Zag”, Sábado de manhã, destinado, em teoria, ao público até aos 14 anos. Mas que na realidade, é visto pelos mais pequenos. Finalidade: passar a mensagem de que o aborto não é uma situação extrema. Antes uma coisa banal. 

A melhor definição da situação é dada pela inesperada manifestante nacionalista, a actriz Maria Vieira. “Destemidas” “faz a apologia da homossexualidade, do aborto, do divórcio, do ódio ao catolicismo, da abolição da família tradicional e do marxismo, entre outros lamentáveis apontamentos, que jamais deveriam ser inculcados no cérebro de crianças inocentes e de tenra idade, de crianças que estão sendo alvos de formatação ideológica, no sentido de se tornarem nos futuros robots e idiotas-úteis que a Esquerda-Globalista tanto aprecia e valoriza”. Assim escreve nas redes sociais. 

Noutra perspectiva de doutrinamento, tivemos a chamada “lição de socialismo”. Na sequência das aulas televisionadas, duas professoras de calças de ganga muito justas dão uma lição de História destinada aos 5º e 6º anos. Certamente para poupar tempo (e trabalho), recorrem a um programa gravado de Rui Tavares. Aquele irmão de partido anterior da nunca por demais citada Joacine. É certo que não foi “escolhido para dar a aula”. Mas uma porção considerável do tempo de antena foi a exposição do dirigente trotskista. As duas “storas” que deram a aula escolheram um trecho, que não foi tão curto, para falar sobre a “Exposição do Mundo Português”. A linguagem politizada não foi empregue em tempo de campanha eleitoral. Foi num programa dirigido a 5º e 6º anos de escolaridade. Ou seja, a alunos cuja idade varia entre os 10 e os 12 anos. A noção com que ficam é: “se é ensinado, é porque é assim”. Uma mensagem reprovadora de tudo quanto fosse o Estado Novo. Mas o que mereceu a atenção deste vosso amigo foi o encarreiramento dado em seguida. É mostrado o tradicional mapa de Portugal, Continental, Insular e Ultramarino, colocado sobre o mapa de Europa. Prática do antigo regime, para provar que, afinal, o nosso território nacional não era assim tão pequeno. Seguem as docentes: “Perguntarão vocês – então era assim e ninguém fazia nada?”. Dito doutra maneira: “éramos um país pluricontinental, multirracial e ninguém fazia nada? Ninguém fazia nada para acabar com essa situação?”. “Um dos maiores futebolistas da altura era vindo de Moçambique e ninguém fazia nada?”.

A nossa projecção pluricontinental no Mundo teve defensores convenientemente esquecidos. O Gen. Norton de Matos, político da I República, chegou a ser grão-mestre da Maçonaria. Foi governador de Angola na I República. Os seus mandatos foram polémicos. E o facto de ter concorrido à Presidência da República contra o Gen. Craveiro Lopes mostra até que ponto manteve a oposição ao Estado Novo. Como muitos oficiais republicanos, era intensamente africanista. O que levou a que que propusesse uma solução federalista para o então Império. “Portugal tem”, escreveu, “de povoar essas terras, intensa e rapidamente, com famílias brancas portuguesas e continuar a assimilar os habitantes de cor que lá encontramos. Assimilação completa, material e espiritual”. E o facto de ser oposicionista aguerrido e dirigente maçónico não impediu o mesmo Estado Novo de lhe erguer uma estátua em Nova Lisboa. Mais perto do nosso tempo, já em Junho de 1974, Costa Gomes foi questionado sobre uma solução de continuidade territorial. O que viria a ser Presidente meses depois declarou que era mais agradável pertencer a um país de 25 milhões habitantes do que a um de 9 milhões.

Estamos no presente. Por mais perfeito que o pretérito nos possa agora parecer. Ao que parece, num episódio do “Eixo do Mal”, a inspirada Clara Ferreira Alves interroga: “Já viram um polícia negro? É uma raridade absoluta!”. É verdade que, no Norte, não serão muitos os polícias não-europeus. Por acaso, o autor destas linhas recorda-se que uma das primeiras mulheres-polícias (eram assim designadas) que apareceram no Porto, em 1972/73, era o protótipo de mulher africana. Mas não foi caso único. Nos últimos quarenta anos, pudemos ver vários agentes de tonalidades diferentes. 

Mas no Sul, onde a pensadora reside, é uma realidade extremamente frequente. Não apenas na PSP, incluindo na “Intervenção”, mas também GNR e na Guarda Prisional. E nas Forças Armadas. É preciso não sair à rua para não fazer essa constatação. 

Um outro exemplo de formatação vem de Paris, pela voz de Rosário Salgueiro correspondente da RTP. Perguntarão: qual a relação entre a morte dum suspeito, por abuso de força policial no Estado do Minnesota, e andar a pilhar armazéns em Marselha? Reposta: aparentemente, nenhuma. A locutora justifica os desacatos com o caso de Adama Traoré, “que morreu às mãos da polícia”. Um cadastrado violento morreu durante uma operação policial, em 2017. A autópsia revelou falha cardíaca, associada ao consumo de álcool e drogas. A automática acusação de racismo policial foi imediatamente afastada. Dos três agentes captores, dois eram antilhenses. Passou a ser um caso de “violência policial”. Aproveitando a leva dos tumultos internacionais, “Black Lives Matter”, os vingadores do delinquente do Mali voltam a queimar automóveis e pilhar lojas. A decisão do ministro da Justiça é aberrante. Perante a mínima suspeita de “racismo”, o agente é de imediato suspenso. Ou seja, substitui-se a presunção de inocência pela presunção de culpabilidade. Sendo que os agentes se sentem extremamente desamparados perante a imprensa. O único partido que apoiou publicamente as forças da ordem foi o RN da polémica Marine Le Pen.  O que levou a diversas manifestações de descontentamento por parte dos agentes. A locutora, ao “descrever a situação”, declara que “está a população contra a polícia. E a polícia está contra o governo”. Ora, a população francesa, incluindo os imigrantes, não é constituída nem representada pelos “jovens” dos “bairros”. Delinquentes com forte participação no Islão radical. Da mesma forma que a população de Portugal não é representada pelos criminosos que vandalizaram a estátua de Baden Powell em Coimbra. Ou os meninos estragados, anarcas e frustrados, tipo manifestação “Polícia bom é polícia morto”.

No dia 2 de Julho, um desacato na Amadora envolveu quatro agentes policiais. Devido a uma banal questão de trânsito, dois africanos agrediram violentamente os agentes. Que se viram obrigados efectuar disparos para o ar, “dada a complexidade física” dos agressores e o facto de vários transeuntes pretenderem impedir o desempenho policial. Se um dos agentes fosse africano, a agressividade seria igual. Provavelmente, pior. Esta falta de respeito, a noção de impunidade, face à autoridade legítima, em exercício correcto de funções, tem vindo a ser alimentada, em ritmo acelerado, nos últimos meses. Estas opiniões giram e rodam nas televisões, nas rádios e nas redes sociais. Sem cessar. Os debates tipo “Marega”, mas a nível planetário. São estas lavagens ao cérebro que estão a formatar as mentalidades dos mais novos. São lavagens ao cérebro que datam de há mais de cinquenta anos. E que, finalmente, estão a ter este efeito. ■