Tolerância com desgovernos é geral

O presidente Lula da Silva, no terceiro mandato, depois de 12 anos fora do poder e mais de um ano na cadeia, mostra pensar muito nos seus 77 anos. Lula da Silva já não é o mesmo conciliador que conseguiu ter dois mandatos sem problemas de maior e eleger para dois mandatos Dilma Roussef. Volta ao poder com pressa e com raiva. A pressa é implementar os seus projectos e os da esquerda brasileira, combatendo o mercado financeiro, o agronegócio, vetando privatizações e tentando reverter outras já feitas. A sua agenda é voltada para anular medidas liberais na economia e severas na segurança pública do seu antecessor, Jair Bolsonaro. Lula nega-se a assumir que foi eleito muito em função do comportamento atípico de Bolsonaro, que com isso anulou até um governo marcado pela ordem e o progresso.

Hábil e experiente, Lula fez poucos intervenções na campanha, deixando o seu opositor criar as condições para sua vitória. O pouco que prometeu, não está a cumprir.

Lula sabe que com 81 anos, em 2026, vai ser difícil disputar mais um mandato, que a esquerda não tem outro nome para competir e que haverá o desgaste do governo que se bate com os agentes económicos. Por isso, tem pressa em levar o Brasil para um regime parecido com o da Venezuela, alinhado com a China e a Rússia. E, claro que sem democracia. Esta semana recebeu com honras Nicolas Maduro.

Conta mais uma vez com os bolsonaristas para dividir os seus opositores, levando muita gente à omissão. Bolsonaro é incapaz de reprimir os insultos de seus seguidores nas redes sociais e nas câmaras, nem os ataques aos militares que não aceitaram dar um golpe e desrespeitar o resultado das urnas. Também cobra uma fidelidade canina aos eleitos no segmento conservador, como começa a ocorrer com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, homem educado e conciliador que quer fazer um bom governo e não abraça cegamente as bandeiras bolsonaristas.

A oposição ao PT tem bons nomes nos governadores de São Paulo e Minas, mas eles vão precisar do apoio dos bolsonaristas que, mesmo em queda, são relevantes numa eleição com duas voltas.

Os projectos de Lula da Silva podem ser barrados pelos parlamentares, de maioria conservadora, pela unidade dos militares em torno da ordem e pelo bom senso empresarial. Toda e qualquer acção para preservar valores democráticos, do sistema da livre iniciativa, independente de posições radicais e sonhos irracionais como a barbárie de Janeiro, feita com a omissão criminosa do ex-presidente Bolsonaro, inconformado com a derrota que ele mesmo provocou. E hoje colhe os frutos da maneira arrogante e grosseira com que se comportou ao longo do mandato. Apesar dos excessos do actual governo, na vingança e perseguição, o facto é que estes sentimentos menores foram estimulados pela postura do então presidente.

Neste verdadeiro linchamento, o ex-presidente e seus familiares não encontram a solidariedade de forças vivas da sociedade, apenas na popularidade remanescente que é grande. Impressiona como a política vem sendo exercida, e não apenas no Brasil, por despreparados para a arte de dirigir e orientar os povos na direcção da paz, da ordem e do progresso. Bons tempos com Chirac, Adolfo Suarez, Cavaco e Silva, Angela Merkel, Thaetcher, Reagan, Bush pai…

Hoje, governa-se e deixa-se cercar por áulicos, não se recruta mais, nem nas empresas sem donos pelas qualidades da lealdade, da credibilidade e do mérito. Os casos de falta de decoro e princípios morais multiplicam-se.

Isso não é democracia nem capitalismo.

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