O Chefe do Estado Português continua a sair mais caro aos portugueses do que Felipe VI aos espanhóis. Nos últimos anos, a Casa Real espanhola aplicou um programa interno de austeridade que reduziu as suas despesas, enquanto a Presidência portuguesa conseguiu aumentar ainda mais os custos de manutenção. A comparação negativa não se aplica só a Espanha: o nosso Presidente é mais dispendioso para os cofres públicos do que muitos dos monarcas europeus.

Para Portugal ter um Presidente como Chefe do Estado, os contribuintes vão ter de desembolsar quase 16 milhões de euros este ano – mais do dobro dos 7,7 milhões que a Coroa espanhola custa a ‘nuestros vecinos’. Quando o custo é considerado tendo em conta a população ou o PIB, então conclui-se que o Presidente da República Portuguesa se encontra entre os Chefes de Estado mais dispendiosos da Europa, superando inclusive muitas das cabeças coroadas dos países ricos do velho continente.

Esta é uma realidade que já vem a ser abordada, nomeadamente por este jornal, desde o tempo em que Juan Carlos e Cavaco Silva, respectivamente, ocupavam os cargos de Rei de Espanha e Presidente da República Portuguesa. Desde então, a situação só piorou, razão provável para Marcelo Rebelo de Sousa, actual detentor do cargo, ter pedido uma auditoria às despesas da Presidência, conseguindo com isso obter uma poupança de meio milhão de euros.

Ainda assim, o que a Presidência portuguesa ultimamente reduziu em gastos de funcionamento corresponde apenas a metade das poupanças de um milhão de euros que a Coroa espanhola conseguiu em 2016, isto após ter reduzido o seu orçamento de 8,2 milhões em 2012 para 7,7 milhões em 2016. Em 2012, o orçamento da Presidência da República portuguesa era de 15 milhões, em 2016 superou os 16 milhões.

O problema parece residir na “corte” republicana do Presidente, visto que, na verdade, muito pouco desta larga fortuna é gasta na figura do próprio Chefe do Estado. Para todos os efeitos, Marcelo Rebelo de Sousa é dos líderes mais “pobres” da Europa: apenas aufere 6.700 euros mensais, muito menos do que outros estadistas europeus. Até mesmo Alexis Tsipras recebe mais por ano do que o nosso Presidente, que apenas tem um ordenado maior do que o de alguns líderes de países do Leste. O mesmo se passa com o primeiro-ministro de Portugal, que também recebe muito pouco em comparação com outros líderes.

A maior fatia da despesa recai, assim, sobre os gastos de pessoal. A pequena “corte” de 155 funcionários já é uma redução dos 200 que Belém empregava em 2009, mas ainda representa 72 por cento dos gastos da Presidência da República, o equivalente a 11 milhões de euros. Em comparação, na Casa Real espanhola, a rubrica dos funcionários apenas representa 49 por cento das despesas. E a Casa Real britânica, que serve uma população seis vezes maior do que a nossa e cumpre deveres protocolares de Estado incomparáveis com os da Presidência portuguesa, apenas emprega 400 funcionários.

Note-se que, do Orçamento de Belém, também são pagos os gabinetes dos antigos Chefes do Estado, bem como todas as despesas associadas aos mesmos: os ex-Presidentes (actualmente três) também têm direito ao uso de automóvel do Estado com motorista. Cada antigo Presidente custa, em média, 300 mil euros anuais ao erário público. Em comparação, Juan Carlos (que, por razões excepcionais, abdicou do Trono em favor de seu filho, o actual Rei Felipe VI) custa aproximadamente 200 mil euros – embora, pela própria natureza da instituição monárquica, não seja comum haver Reis aposentados.

Mas não é só o Rei de Espanha que é menos dispendioso do que a Presidência portuguesa. As Casas Reais da Dinamarca e Suécia, países consideravelmente mais ricos, somente custam 13 milhões de euros anuais aos seus contribuintes. Outras Casas Reais, como a belga, norueguesa e holandesa, são mais dispendiosas em termos nominais, mas também reinam sobre países consideravelmente mais ricos do que Portugal, tendo a Noruega uma economia com o dobro do valor da nossa, apesar de apenas ter metade da população. A Monarquia, nesses países, continua a reunir elevados níveis de apoio, enquanto a Presidência portuguesa só recentemente tem sido vista com alguma simpatia – não pela instituição em si, mas pela personalidade característica de Marcelo Rebelo de Sousa.

Mesmo em termos republicanos, a nossa Presidência é dispendiosa. O Presidente alemão, Chefe de Estado do país mais rico da Europa, tem apenas um custo de 25 milhões de euros para o contribuinte. O Presidente de França, embora sendo mais dispendioso do que o nosso (é o mais caro dos líderes republicanos europeus), tem responsabilidades executivas (quando dispõe de uma maioria parlamentar) que o Presidente português nunca teve. Mas se contabilizarmos o custo de ambas as Presidências por cidadão, então concluiremos que os 16 milhões de euros da Presidência portuguesa saem mais caros aos 10 milhões de portugueses do que os mais de 100 milhões de euros da Presidência de França saem aos 67 milhões de franceses.

Nunca foi dado aos portugueses a oportunidade de votarem democraticamente sobre se preferem continuar a eleger Presidentes ou se desejam aclamar popularmente (conforme a tradição nacional) o Rei de Portugal. Números como os que atrás referimos mostram que talvez seja o momento de se fazer esse debate.

COMPARTILHAR
  • Carlos De Mello

    Infomação falsa. Só os bobos da corte acreditam nisso.
    Primeiro que não se trata de ser mais cara e sim de ser COMPLETAMENTE INÚTIL, ser ridícula, da filosofia da esperteza, do simbolismo de humilhação de uma época em que a sociedade era dividida em castas determinada pela hereditariedade.
    E depois que “esquecem” que ter um parasita para adorar não substitui o primeiro ministro.

    • Carlos De Mello

      O que deve ser feito é acabar com gastos exagerados da presidência e jamais voltar ao passado e piorar o que já está ruim.
      Quando se tem uma democracia o presidente pode ser tirado, trocado, reduzido os custos. Agora imagina com um reizinho que NINGUEM ESCOLHEU, se sair entra um parente.
      Só retardados com baixa estima para admirar um ser que se acha superior

      • Henrique

        Pela história e pelo desenvolvimento científico e econômico, os japoneses, os ingleses, os dinamarqueses, holandeses, suecos, os noruegueses, os canadenses, os australianos são pessoas prudentes e longe de estarem dentro desta sua classificação pejorativa.

      • Robson Levy

        E todos esses países que o Henrique citou são monarquias. Olhe o nível e a constância desses países. Já diz muito!

      • Marcos Neves

        Esse seu linguajar é digno de Pena!

    • Henrique

      Primeiramente, parece que você não sabe a diferença entre “Chefe de Estado” e “Chefe de Governo”.
      Nas repúblicas, os chefes de Estado possuem responsabilidade semelhantes aos dos Monarcas, que são chefes de Estado também.
      O Primeiro Ministro de um país parlamentarista é o Chefe de governo.
      Portanto, nem em uma república quanto em um Monarquia, o Chefe de Estado substitui o Chefe de Governo (Primeiro Ministro). São atribuições e responsabilidades distintas.
      Além do fato de que, o chefe do Estado Português custar muito mais caro para os portugueses, do que as Famílias Reais de muitos países.
      Portanto, você precisa de informar mais sobre política.

    • M.A.

      Percebo a sua aversão à monarquia e o seu apreço pela república. Perfeitamente compreensível.
      Só não percebo o que é falso nesta informação.
      É falso que a PR portuguesa custe 16 M€ ?
      Ou é falso que a monarquia espanhola custe 7.7 M€ ?

    • Alibaba de Massamá

      Se o Presidente Marcelo fosse um inimigo da geringonça este artigo não era escrito !

    • Diogo Menezes Areias

      As sociedades espanhola, dinamarquesa, holandesa, sueca, belga, norueguesa, inglesa, luxemburguesa são o exemplo de discriminação em castas e de humilhação.
      Só os bobos da corte é que não vêem isso. Exemplar é a república carbonária portuguesa…

  • Sara

    MENTIRA !!!

  • Marcos Neves

    A informação é totalmente verdadeira!

  • Paulo Reis

    Acredito plenamente. Só falta saber quanto custa ainda o Dr. Mário Soares. A sua “fundação” e a da sua esposa ainda custam uns bons milhares ao nosso Estado, que cada vez está mais endividado.

  • Pingback: Presidência da República custa o dobro da Casa Real espanhola()

  • Ferreira Joaquim

    Como??? Diz no texto acima. “o primeiro-ministro de Portugal, que também recebe muito pouco em comparação com outros líderes.” O autor do escrito deve estar a gozxar com os portugieses… Está a comparar valores NOMINAIS e não valores REAIS…? É que o custo de vida é o que conta…! E o rendimento vaira com o total da população de um país. Ou queria que com cinco cvezes mais de população a governar, um 1º ministro Espanhol ganhasse o mesmo que um 1º ministro português.:.? Mesmo assim, vejam só o absurdo desta República de bananas chamada Portugal:
    José Sócrates, socialista (tendo Portugal um quinto de contribuintes de Espanha!) ganhava mais do que Zapatero (também socialista). Que me dizem???