Uma Europa mais fragmentada
As eleições europeias de 9 de Junho de 2024 trouxeram grandes surpresas e mudanças significativas no panorama político da União Europeia (UE). Este artigo oferece uma análise factual e detalhada dos resultados dessas eleições em Portugal e compara-os com os resultados em toda a Europa, destacando os vencedores, as tendências emergentes e as questões futuras para a União Europeia.
Resultados em Portugal
Em Portugal, as eleições reflectiram um cenário político altamente competitivo e algumas mudanças significativas no apoio aos principais partidos. Sobretudo na perspectiva em que o PS, com Pedro Nuno Santos, parece ter tido uma grande e vocal vitória e que o PS é quem domina Portugal, quando elegeram para o Parlamento Europeu o rosto da má gestão da nossa saúde, com mortes à mistura.
A AD terá de pensar se Sebastião Bugalho foi efectivamente uma boa aposta ou não. Candidato pouco empático e mais preocupado com a sua sobrevivência e com o seu guarda-roupa do que em ouvir e perceber os reais problemas, tentando mascarar tudo isso com laivos de tecnocrata que sabia as estatísticas de alguns temas europeus.
Cotrim ganhou por ser um rosto conhecido e que até gera empatia com um sorriso fácil e cativante, assim como um bom sentido de oportunidade e de humor.
André Ventura é aquele insuflável de Verão em que o pescoço está caído porque lhe falta ar para encher, foi mesmo um ar que se lhe deu e o vento levou-lhe metade do eleitorado. As perguntas são: o Chega perde metade do seu eleitorado porque o candidato era fundo do tacho? Ou porque os comportamentos de Ventura em dizer que vai acabar com o socialismo em Portugal, mas vota sempre ao lado do PS, deixa o seu eleitorado confuso, pois o comportamento não é igual ao discurso prévio? Ou o eleitorado do Chega não quer saber da Europa?
O Bloco de Esquerda e o PCP perderam igualmente eleitorado, deixando ambos de ter dois deputados, para serem partidos unipessoais, mas quem os ouvisse, até pareciam que eram uma força pulsante na Europa.
O PAN só fala de touradas e de veganismo, o eleitorado fez-lhes um “olé!”.
Partido Socialista (PS) – O PS foi o vencedor com 32,10% dos votos, mantendo os oito eurodeputados. Este resultado, embora positivo, representa uma leve diminuição em comparação com eleições anteriores. O PS enfrenta agora o desafio de manter sua posição em um cenário político cada vez mais fragmentado e competitivo.
Aliança Democrática (AD) – A AD, que inclui o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social – Partido Popular (CDS-PP) e ainda um desaparecido Partido Popular Monárquico (PPM), obteve 31,12% dos votos, garantindo sete mandatos, mais um que anteriormente. A pequena diferença em relação ao PS demonstra uma forte disputa pelo poder e uma base eleitoral bastante dividida.
Chega – O partido de extrema-direita Chega obteve 9,79% dos votos e dois mandatos. Este resultado confirma a influência do Chega no cenário político português, reflectindo um aumento no apoio ao populismo de direita. Mas muito longe daquele discurso de Ventura que ditava o fim do bipartidarismo.
Iniciativa Liberal (IL) – A IL alcançou 9,07% dos votos e dois mandatos, indicando um aumento no apoio ao liberalismo económico. Este resultado destaca a atracção dos eleitores por políticas económicas mais liberais e pró-reforma europeia.
Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP) – O BE e o PCP obtiveram 4,24% e 4,12% dos votos, respectivamente, cada um elegendo um eurodeputado. Estes resultados mostram uma base de apoio relativamente estável, mas limitada, para os partidos de esquerda em Portugal.
Outros partidos – partidos como o Livre (3,75%), o ADN (1,37%) e o PAN (1,21%) não conseguiram eleger representantes, evidenciando a dificuldade dos partidos menores em obter representação significativa no Parlamento Europeu.
Resultados na Europa
Os resultados das eleições europeias em toda a UE revelaram mudanças substanciais no equilíbrio de poder entre os diferentes grupos políticos, com uma noite particularmente difícil para liberais e verdes e positiva para a extrema-direita.
Vencedores
Centro-direita (Partido Popular Europeu – PPE) – O PPE confirmou-se como o maior grupo no Parlamento Europeu, ganhando oito assentos adicionais e totalizando 182. Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, expressou confiança e determinação na manutenção do domínio do PPE.
Extrema-direita (Identidade e Democracia – ID) – liderado por Marine Le Pen, o ID ganhou 58 assentos, um aumento de nove em relação a 2019. Este resultado reflecte um aumento no apoio ao populismo de direita em toda a Europa.
Partidos não alinhados – partidos não alinhados, que não pertencem a grupos políticos reconhecidos, ganharam 99 assentos, 37 a mais do que em 2019, indicando uma crescente fragmentação política no Parlamento Europeu. Resta saber para onde serão encaixados no futuro próximo e como isso vai dar ou tirar influência a alguns grupos políticos.
Conservadores e Reformistas Europeus (ECR) – dominado por Giorgia Meloni, o ECR ganhou quatro assentos adicionais, fortalecendo sua posição e reflectindo o aumento do apoio ao conservadorismo na Europa.
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