Chegou recentemente a Portugal o movimento “tyre extinguishers”, tendo já começado a operar em Lisboa. Para quem ainda não está familiarizado com o tema, trata-se de um suposto movimento pelo clima que resolveu declarar guerra aos veículos utilitários desportivos (“SUV’s” e 4×4). O grupo nasceu no Reino Unido, em Março do ano passado, e actua já em vários países europeus, Estados-Unidos e Canadá. A sua acção consiste em esvaziar os pneus deste segmento específico de carros em nome de uma alegada defesa do clima, procurando assim evitar que circulem nas cidades.
Defendem estes “extintores de pneus” como justificação para os seus actos, que os “SUV’s” são desnecessários e pura vaidade, poluem mais que um carro pequeno, mesmo quando são eléctricos, e que ocupam muito espaço. Referem até a existência de estudos que sustentam que os condutores deste tipo de veículos são mais propensos a conduzir de forma arriscada. Esta linha argumentativa, que consta da sua propaganda, acaba por ser reveladora das suas reais motivações. O clima é o argumento mediático que fica bem em qualquer manifesto, mas aqui percebe-se que serve de desculpa para levar a cabo outro tipo de combate, muito mais político e ideológico: o combate ao nosso modelo de sociedade do tipo ocidental, onde as pessoas são livres de, entre várias outras coisas, escolher o seu automóvel e circular com ele.
Estamos, uma vez mais, perante comportamentos extremistas e radicais que, em nome da causa ambiental, agem à margem da lei e do respeito pelos outros. Não é o primeiro movimento com estas características e seguramente não será o último, pois infelizmente são recorrentes as tentativas de apropriação das questões do ambiente e da sustentabilidade (que são importantes e que merecem ser tratadas de uma forma séria) por parte de pequenos grupos de activistas, muitas vezes com ligações à extrema-esquerda, e que vêem nestes temas a oportunidade de introduzir as suas agendas políticas. Bloqueios da circulação, ocupação de instalações e agora ataques à propriedade, neste caso os carros, têm sido algumas das estratégias de luta utilizadas. Para estes grupos minoritários e ruidosos os fins justificam os meios e a sua luta sobrepõe-se a qualquer outra questão. Outro aspecto revelador é o facto de só actuarem num conjunto de países que, ironicamente, até são dos mais comprometidos nas questões climáticas. Seria interessante vê-los em acção na Rússia ou na China, mas suspeito que não teremos essa possibilidade. É muito mais cómodo e seguro este tipo de comportamentos nos países ocidentais.
Recentemente, na Assembleia Municipal de Lisboa, na discussão sobre a chegada deste fenómeno à capital, ficou tudo mais claro. No momento de votar a condenação destes actos, o Bloco de Esquerda votou contra, e PCP e Livre abstiveram-se. Este último referiu, aliás, a mesma linha argumentativa dos “justiceiros” dos pneus: os carros grandes não devem ter lugar nas nossas cidades, poluem muito e são um perigo para a segurança rodoviária. Depois de terem falhado na sua tentativa de impor uma redução de velocidade em 10km/h em toda a cidade, agora parecem apoiar uma tentativa de definir que carros podem ou não circular em Lisboa.
Haverá que permanecer atentos a estes fenómenos e esperar que as autoridades actuem e consigam travá-los. Não podemos permitir que estes pequenos grupos organizados espalhem o medo com os seus actos de vandalismo, nos imponham a sua agenda ideológica e, progressivamente, comecem a condicionar as nossas liberdades. ■




