Recordando o nadador-salvador

A função do nadador-salvador numa praia é de grande importância, pois a sua presença evita abusos dos banhistas e mesmo que haja abusadores em dificuldade, o nadador-salvador age com destreza para salvar da dificuldade aquele que não cumpre com as regras estabelecidas no mar, correndo riscos que lhe podem provocar a morte. A figura do nadador-salvador cria a confiança daquele que desfruta o prazer do mar e do sol estendido nas areias finíssimas das nossas praias.
Transpondo para a política a figura e a função do nadador-salvador, é sumamente importante o que ele pode praticar em relação a um governo quando corre riscos de naufrágio, sobretudo num país como Portugal, pois a governação é um acto que exige grandes cautelas depois da tragédia que sofreu sobre ele.
Recordando a questão da CGD, esta foi uma onda alterosa que se abateu sobre o Governo e nomeadamente sobre o PM e o ministro das Finanças, em que estiveram quase a perecer afogados se não tivesse sido um nadador-salvador de nome Marcelo a socorrê-los do turbilhão em que se viram envolvidos.
O Senhor Marcelo é um excelente nadador-salvador, com experiência adquirida no passado, quando demonstrou qualidades excepcionais no ano em que se lançou às águas poluídas do Tejo para mostrar o arrojo e destreza com que Deus o dotou.
Assim, o Senhor Marcelo acabou por dizer que o antigo ministro da Saúde do Governo Passos/Portas, Paulo Macedo, era tão bom ou melhor que António Domingues, o administrador que jurou a pés juntos que não mostraria à populaça o património adquirido com o suor do seu rosto, pois sabe como tal populaça é invejosa dos que possuem algo de seu, uma vez que a protectora dos pobrezinhos, uma tal Mortágua, acabaria por torná-lo indigente com a carga fiscal a favor dos desprotegidos da sorte.
Passos Coelho bem tentou que deixassem soçobrar na onda alterosa o PM e o ministro das Finanças, mas o Senhor Marcelo, como dedicado nadador-salvador, não o permitiu, lançando-se à água com denoto e valentia, arrancando à morte certa tão dedicadas figuras ao serviço do bem-estar nacional. É de lembrar que o Senhor Marcelo, dedicado nadador-salvador, acabou por dar umas bicadas em Passos Coelho, quando este afirmou que o Senhor Marcelo se julgava Presidente da República de todos os portugueses, pois era sabido que ele não havia sido o candidato do PSD, por ser demasiado catavento para o seu gosto.
A resposta não se fez esperar e o nadador-salvador replicou que ele adorava todos os portugueses, como andava a demonstrar com os afectos, dando beijinhos e abracinhos a todos os portugueses, incluindo mesmo as mulheres com buço, pois ele não estabelece diferenças entre nós todos, quer sejam ricos, remediados ou pobres, com barba ou não, ou com mãos finas de burgueses ou calejadas da rabiça do arado, ou do cabo da enxada dos trabalhadores.
Como o Senhor Marcelo não tem amuos também deu mais bicadas no Passos Coelho, porque este não havia comparecido na festa da causa defendida pelo ex-deputado Ribeiro e Castro, uma vez que este se dedicou à causa da retomada do 1º de Dezembro como o dia da nossa Restauração, depois do Rei Filipe e da Rainha Letícia terem sido brindados com lautos jantares pagos pelos contribuintes, em que se viu como devem pegar-se nos copos dos brindes, coisa que o Presidente da AR , na altura um tal Ferro Rodrigues, desconhecia, pegando-lhe como se estivesse na tasca do saboroso “tintol” alentejano.
Também a sua excelsa esposa achou que uma cadeira de estilo, possivelmente D. João V, o nosso Magnânimo, era um excelente cabide para pendurar o casaco, dada a temperatura elevada do ambiente, provocada pela ingestão do sangue de Baco. Nesse aspecto, o nadador-salvador não pôde salvar da maré-alta a dita Senhora, a qual ficou toda envolvida pelas águas poluídas do local, como se viu na televisão.
Mas voltando à bicada do nadador-salvador, também afirmou que o 1º de Dezembro nunca deveria ter sido abolido pelo Passos, pois era um dia marcante, esquecendo-se, contudo, que o Documento de Entendimento da “Troika” dizia que deveriam ser suprimidos quatro feriados, para obrigar os defensores do nadador-salvador a trabalhar mais, já que não eram alemães, os quais, derrotados duas vezes em outras tantas guerras mundiais, já comandavam de novo a UE devido ao trabalho com o suor dos seus rostos, como se dizia sem constrangimentos.
Em contrapartida, o nadador-salvador apoiou a redução das horas de trabalho dos portugueses de 40 para 35 horas semanais, pois em primeiro lugar está o descanso e o repouso de tais trabalhadores, de preferência nas areias finas das nossas praias, onde ele, como nadador-salvador, exerce a sua função de vigilância do bem-estar dos que sofrem das corveias de tantas horas de labor insano.
Sempre que haja alguma dificuldade com o Governo do PM Costa ele acudirá sempre como nadador-salvador, não vá o navio vermelho encalhar contra alguma rocha e acabar com o hedonismo dos portugueses, todos eles com os bolsos cheios de euros para pagar os impostos indirectos, julgando que foram aumentados devido à bondade do PM Costa, o tal mais indiano do que luso.
Assim ia a praia da ocidental Europa, onde um nadador-salvador, eleito como PR, para orientar um barco com 561Km de comprimento e 220km de largura, mais se tem interessado pelo apoio aos abusadores dos mares do que por aqueles que cumprem as boas regras da permanência no areal fino da praia chamada Portugal.
Porém, um nadador-salvador serve, em larga medida, para salvar os que estão prestes a afogar-se nos “tsunamis” por eles criados, sem olharem às consequências dos seus abusos. Pensava-se igualmente que o Senhor Marcelo, conhecido nadador-salvador e distribuidor de comendas, a lembrar aquele dito liberal de Garrett, “foge cão que te fazem barão, mas para onde se me fazem visconde??”, desperte de tão penoso e aturado trabalho em dia de ventania e mude de direcção como o catavento, indicando novo rumo com a agulha magnética da bússola a indicar a direcção desejada, sem necessidade de continuar a ser nadador-salvador.
Finalmente, chegou a ocasião ou a oportunidade para o nadador-salvador punir os abusadores que trouxeram ao palco um menino brincalhão com o lítio e o hidrogénio verde, que andou por aí a agilizar influências em almoços, visando a construção de edifício em zona protegida lá para os lados da praia de Sines, o qual merecia umas palmadas pelo abuso e ter permitido a acumulação dumas notas de euros em caixas e páginas de livros ao amigo que se julgava “lobby”.
O nadador-salvador insistiu para o abusador abandonar o palco político, a que se opôs veementemente o padrinho do Governo em afastar o afilhado. Com tantas diatribes deste, o padrinho abandonou o barco e o nadador-salvador não deixou fugir a oportunidade para empurrar o que não cumpriu com as regras instituídas. Como a vingança se serve e bebe fria, eis que o bom povo da coutada irá ser chamado a pronunciar-se no dia 10 de Março próximo para escolher elementos mais cumpridores das regras nos mares e nas praias paradisíacas.
O humor e as metáforas fazem parte da qualidade de vida no planeta azul em que vivemos. Basta cada um de nós estar atento às diversas sondagens publicadas para a risota ser geral. Como nos rebuçados, apregoados, cada cor seu paladar, é são mesmo uma delícia. A quantidade desses bombons varia conforme o dinheiro disponível para os comprar. ■

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