MILHÕES. A vergonha da pseudo-eleição dos órgãos dirigentes das CCDR (Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional), corajosamente denunciada pel’O Diabo na última edição, não é só uma fantochada falsamente democrática, com os vencedores previamente escolhidos pelo bloco central dos interesses, os eternos PS e PSD. É também uma pipa de massa que todos nós vamos ter de desembolsar para manter esses ‘fat cats’ nas Comissões do Norte, do Centro, de Lisboa e Vale do Tejo, do Alentejo e do Algarve. Cada um dos cinco presidentes regionais tem de salário mensal 8.768,65 euros, enquanto cada um dos 35 vice-presidentes (25 dos quais serão “controleiros” nomeados pelo Governo) abicha 7.891,78 euros por mês. Assim, por junto, os 40 ‘boys’ vão custar aos contribuintes, só em salários, 320 mil euros mensais – isto é, quase 4,5 milhões de euros por ano. Ponham-lhe por cima outro tanto em “despesas de representação”, deslocações em viaturas topo de gama e “almoços em serviço”. Tudo isto para quê? Para “adaptar as políticas nacionais à realidade da região”, dizem eles. E eu digo: para rigorosamente nada, pois coordenação não existe e o único desenvolvimento visível deve-se à iniciativa privada, que não precisa de comissões para gerar riqueza. Depois perguntem-me outra vez para onde vão os impostos que pagamos – que eu explico.
CENSURA. Está na forja uma diretiva do Conselho Internacional de Museus (de que Portugal faz parte) segundo a qual “as minorias” poderão passar a “vetar a exibição de certas peças ou obras” que “ofendam” a sua “sensibilidade”. A diretiva estipula ainda que os museus têm “o dever de abordar temas como o racismo sistémico e o respeito pelos direitos indígenas”. Lá vamos nós ter de pedir mais uma vez desculpa por termos nascido. Não há pachorra.
AO ANO SAI MAIS BARATO. Dantes convocava-se uma greve para um determinado dia. Mas o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos não se podia contentar com tamanha banalidade – e vai daí convocou uma “greve nacional de todos os trabalhadores da saúde” que vai prolongar-se “por todo o ano de 2026”. E não se queixem de o povo já deitar sindicatos pelos cabelos.
PRESOS. É a democracia versão MPLA. Um grupo de pessoas queria protestar contra abusos a mulheres e crianças, numa praça de Luanda. Mas a polícia do regime angolano tinha outros planos: a manifestação pacífica foi proibida, os manifestantes dispersos à cacetada e os organizadores presos. Querias liberdade? Toma!
EM DUAS PALAVRAS. Quase à boca das urnas, uma interpretação sintética: COTRIM FIGUEIREDO, o galo emproado que fala como quem mete mudanças no Porsche. CATARINA MARTINS, a atriz-proletária que descobriu o rimmel e a echarpe de seda à porta da Lisnave. ANDRÉ PESTANA, ódio puro em dentes cerrados e barba de arame farpado. MANUEL JOÃO VIEIRA, o descarado que nos goza dizendo-nos que está a gozar-nos. GOUVEIA E MELO, o action-man que gostava de ter descoberto esta brincadeira mais cedo. HUMBERTO CORREIA, o algarvio obstinado que só quer dizer uma coisa e depois esquece-se. TOZÉ SEGURO, o tio grisalho que ainda se lembra das caroladas que levou dos outros meninos. ANTÓNIO FILIPE, o convencido que entra na autoestrada em contramão e acha que todos os outros vêm ao contrário. ANDRÉ VENTURA, o boxeur que continua a dar socos mesmo quando está sozinho no ringue. JORGE PINTO, o marrão que chumba porque empinou o compêndio errado. MARQUES MENDES, o homem que quando nos olha de frente tem os olhos fechados.
Votem bem!




