Como era previsível, Pedro Nuno Santos (PNS) tornou-se secretário-geral do PS e vai disputar as próximas eleições a 10 de Março, depois de uma campanha interna previsível e sem grandes novidades. Foi uma campanha de continuidade de António Costa sem surpresas, nomeadamente feita da negação de todos os problemas vividos pelos portugueses e da criação de uma falsa realidade. Vamos agora continuar uma nova campanha eleitoral demasiado longa, até 10 de Março, e que por todas as razões terá um resultado menos previsível.
A minha grande curiosidade é a de saber se os portugueses, que tão bem se deixaram enganar nas eleições de 2022, quando já era bem visível a realidade virtual criada pelo Partido Socialista e suportada por sectores importantes da comunicação social, acordarão ou não para a realidade. Muito dependerá do PSD e dos partidos do centro-direita e do que se passar nos próximos dois meses e meio, nomeadamente da qualidade e da realidade das propostas para que Portugal possa concorrer em boas condições com os outros países europeus que nos estão a passar à frente. Porque sem um claro crescimento económico e apenas a consumir o dinheiro recebido da União Europeia e do aumento da dívida, como até agora, o diabo acabará por chegar, mais tarde ou mais cedo. Porque com o crescimento da pobreza, com a falência do investimento na indústria e com uma esmagadora maioria de pequenas empresas comerciais, com baixas qualificações e sem um crescimento exponencial das exportações, nenhum governo poderá ter sucesso.
Escrevi antes que o novo secretário-geral PNS não sabe a dimensão daquilo que não sabe, o que aliás ficou bem visível no seu primeiro discurso de vitória, quando fez uma longa enumeração de todas as coisas que distanciam Portugal das outras sociedades avançadas da União Europeia, mas sem enunciar nenhuma medida concreta para reduzir os grandes atrasos à sua frente, para além de promessas. Pior, sem corrigir os erros anteriores do Governo socialista e do seu ministério das Infra-estruturas e da Habitação, cuja falta de casas não mudou em oito anos, que criou as enormes confusões da “TAP” – empresa que, a propósito, vai ter grandes problemas no futuro –, alguém que criou uma estratégia isolacionista na ferrovia e que nunca demonstrou ter a dimensão de alguém com uma estratégia e que conhece o caminho. Nesse discurso inicial repetiu muitas vezes que existe muito trabalho a realizar pela frente e apontou as suas fortes convicções para essa realização. Infelizmente, para ele e para os portugueses, todos nós temos convicções, o que nem sempre existe é o conhecimento, a estratégia e a construção das condições necessárias para que o sucesso seja possível.
Acredito que Pedro Nuno Santos seja um político profunda e perigosamente palavroso e as suas palavras são o substituto com que preenche o espaço do conhecimento que não tem. Claro que qualquer governante pode melhorar os resultados da sua governação através da qualidade das pessoas que escolha e que tenham a experiência e o saber suficientes para fazer a diferença. Infelizmente, se PNS chegar a primeiro-ministro, o que será mais provável é o domínio dos interesses da grande família socialista e o uso do poder e dos empregos que adquiriram no aparelho do Estado, poder e empregos que não largarão. Ou seja, a qualidade não abunda nos que o rodeiam e ele é, para todos os efeitos, um político da casa, onde ainda sobrevivem os vícios carreiristas da sua passagem pela juventude socialista. Será ainda interessante saber o que fará PNS em relação à corrupção de que não falou durante toda a campanha.
Não podemos ainda avaliar o voluntarismo de Pedro Nuno Santos relativamente a uma ideologia de extrema-esquerda que vive fora do tempo e da realidade histórica, o que não deixará de lhe criar problemas, antes e depois das eleições. Entretanto, muito dependerá do PSD, que não deve tornar todo o tempo PNS uma vítima do passado, para antes mostrar o potencial das propostas do partido e do que precisa de ser mudado na política e na economia portuguesas. Muito depende também das pessoas que o PSD e o CDS coloquem na primeira linha da campanha eleitoral, que não podem ser apenas, ou principalmente, os mesmos que temos visto.
Volto ao discurso inaugural de PNS, que foi igual e si próprio, voluntarioso, descuidado, trapalhão e sem rigor metodológico ou visível sentido da realidade. Que as pessoas presentes não se cansassem de aplaudir mostra até que ponto a política portuguesa é superficial e pouco preparada para ver para além das palavras. Depois foram poucos os comentadores das televisões que olharam a realidade da vida dos portugueses e avaliaram o abismo existente entre as palavras de PNS e essa realidade. Nessa cena tivemos um verdadeiro acontecimento, o aparecimento do ex-ministro Eduardo Cabrita que renasceu para mostrar aos portugueses a profundidade do seu pensamento socialista. Com sorte ainda chega novamente a ministro.
Em resumo, mais alguns anos do Partido Socialista no poder será a continuidade da mentira na governação, da estagnação económica, dos baixos rendimentos dos portugueses, da dependência do dinheiro da União Europeia e do crescimento da dívida, bem como a permanência de Portugal no carro vassoura da Europa. Mudar é a única alternativa.
Aproveito para desejar a todos os leitores de O Diabo, suas Famílias e aos profissionais que fazem o jornal e suas Famílias, um Natal Feliz, Paz e Saúde no Novo Ano. ■
O novo velho




