A segunda tomada de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em 20 de Janeiro de 2025, marcou um evento singular e profundamente divisivo na história política americana. Realizada na Rotunda do Capitólio, devido às condições climáticas extremas, a cerimónia não apenas sublinhou a divisão política do país, mas também estabeleceu o tom de um mandato que promete ser tão controverso quanto o primeiro. Com uma abordagem marcada por simbolismos, declarações contundentes e a presença de figuras emblemáticas, Trump reforçou a narrativa de “América Primeiro” enquanto mobilizava uma base fiel e provocava reacções globais.
Na noite anterior à tomada de posse, Washington D.C. foi palco de um evento grandioso organizado pela equipa de Trump no Lincoln Memorial. Nomeado “Celebrando a Grandeza Americana”, o espectáculo contou com apresentações de artistas “country”, discursos de figuras republicanas de peso e um espectáculo de fogos de artifício sincronizado com músicas patrióticas como “God Bless the USA”. Em um dos momentos mais emblemáticos da noite, Trump apareceu ao lado de sua família e afirmou: “Amanhã começa um novo capítulo na história da nossa nação. Juntos, vamos restaurar a glória da América.”
Este evento atraiu dezenas de milhares de apoiantes, enquanto opositores organizaram vigílias silenciosas em outros pontos da cidade.
Contexto político e comícios
Os comícios que antecederam a posse de Trump foram um reflexo claro da polarização crescente nos Estados Unidos. Apoiado por uma base leal e vocal, Trump centrou sua campanha em temas como imigração, segurança nacional, liberdade individual e críticas ferozes à administração Biden. Um dos eventos mais marcantes ocorreu no Washington Capital One Arena, onde Trump discursou para uma multidão de 20 mil pessoas, afirmando: “Estamos aqui para lutar pelo futuro dos nossos filhos e netos. Este país pertence ao povo americano, e ninguém nos tirará isso”.
O comício foi transmitido ao vivo em plataformas digitais, alcançando milhões de visualizações e consolidando a sua narrativa populista. Protestos simultâneos ocorreram do lado de fora do evento, reflectindo a divisão acentuada na capital do país.
A estratégia de campanha também incluiu o uso intenso de plataformas digitais para disseminar mensagens e mobilizar eleitores. Segundo um estudo do Pew Research Center, cerca de 68% dos eleitores republicanos consideraram as redes sociais como sua principal fonte de informação durante a campanha de 2024.
O discurso de posse
O discurso de posse de Donald Trump foi tão polarizador quanto esperado. Proferido em tom combativo na Rotunda do Capitólio, Trump descreveu sua eleição como uma “segunda revolução americana”, reafirmando sua promessa de “devolver o poder ao povo”. Ele destacou: “Prometemos devolver o poder ao povo, e é exactamente isso que faremos. A era dos globalistas acabou. Este é o tempo do patriota americano”.
O discurso, que durou cerca de 25 minutos, apresentou uma visão distópica do passado recente e um apelo às massas para resistirem ao que ele chamou de “ameaças à soberania americana”. Medidas específicas, como o aumento de tarifas sobre importações e a intensificação das deportações de imigrantes ilegais, foram anunciadas como prioridades do novo governo.
Trump também criticou duramente o que chamou de “media corrupta” e “políticos profissionais”, reforçando uma narrativa “anti-establishment”. Em uma referência indirecta à administração anterior, ele afirmou: “Os últimos anos foram marcados por promessas vazias e falhas. Hoje, colocamos um fim nisso”.
A presença de líderes republicanos como Kevin McCarthy e Mitch McConnell na cerimónia destacou a unidade do partido, enquanto democratas como Alexandria Ocasio-Cortez e Bernie Sanders criticaram o discurso como divisivo e incendiário.
A dinâmica na Sala Oval
Logo após a cerimónia de posse, Trump dirigiu-se à Sala Oval para uma série de actos executivos. Este momento foi cuidadosamente coreografado para destacar sua agenda. Cercado por figuras de destaque como Elon Musk, Peter Thiel e outros bilionários influentes, Trump assinou decretos que marcaram sua nova administração:
– Cancelamento de políticas climáticas: revogou regulamentações ambientais impostas por Biden, declarando: “Os Estados Unidos não serão reféns de uma agenda climática que destrói empregos”.
– Perdões presidenciais: anunciou uma série de perdões a indivíduos condenados por participação no incidente do Capitólio em 6 de Janeiro de 2021. Este acto foi amplamente criticado como uma tentativa de reescrever a narrativa em torno dos eventos daquele dia.
– Tarifas comerciais: introduziu tarifas significativas sobre produtos manufacturados na China, reafirmando sua política de proteccionismo económico.
Os gestos simbólicos também foram evidentes. Ao assinar os decretos, Trump usou canetas personalizadas com a inscrição “Make America Great Again”, que posteriormente foram distribuídas aos presentes. Além disso, um retrato de Andrew Jackson foi reposicionado em destaque na Sala Oval, sublinhando a afinidade de Trump com líderes populistas do passado.
Reacções e cenários futuros
As reacções à posse e aos primeiros actos de Trump foram imediatas e intensas:
Nos Estados Unidos: enquanto apoiantes celebravam em estados conservadores, como Alabama e Oklahoma, manifestantes tomaram as ruas em cidades como Washington D.C., Nova Iorque e Seattle
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