Os escoceses disseram não à independência e maioritariamente decidiram continuar no Reino Unido, tal como acontece há mais de 300 anos.
No final importa tecer alguns comentários:
- A Escócia surge vencedora deste episódio de expressão democrática. Primeiro, pela elevação da campanha e o exemplo de sadia convivência entre os partidários do Sim e os do Não. Um exemplo. Em segundo, pelo comprometimento das autoridades de Londres no que tange a uma maior autonomia política, à redução de impostos e consequente maior distribuição de riqueza pela nação escocesa.
- O referendo à independência no quadro europeu veio inevitavelmente trazer à colação a luta dos povos da Catalunha, do País Basco, da Galiza em Espanha e da Flandres na Bélgica.
- Lutas, algumas bem seculares, que merecem cada vez mais uma maior atenção, não só dos Governos de Espanha e da Bélgica mas, também, da comunidade internacional. Com efeito, o direito à livre auto-determinação dos povos e das nações merece protecção jurídica, social e política.
- No século em que vivemos e com as conquistas democráticas e de cidadania já conquistadas, ao nível individual, do trabalho e das comunidades, não pode deixar de se ter em conta a vontade de povos que se constituem como nações há muitos e muitos séculos. Povos que partilham dentro de si uma língua própria, uma cultura bem específica, tradições sociais e até políticas caracterizadoras da unidade e integralidade do território.
Compreende-se o apelo à unidade do Estado por parte dos Governos de Londres e de Madrid, mas a dinâmica dos tempos determina que a vontade dos povos não é passível de ser calada ou ignorada. A unidade dos Estados só é plena se resultar da vontade livremente expressa dos povos e nações que a integram.
A voz dos escoceses foi ouvida, urge respeitar.
Outros povos vão querer expressar-se de igual forma. Será que tal lhes será permitido?
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A semana que passou foi ainda marcada por Marinho Pinto. Depois de criticar o Parlamento Europeu e as suas múltiplas incoerências de cariz burguês e tecnocrático, anunciou que continuaria a exercer as suas funções de deputado apenas e só porque carece da remuneração (tem um filho a estudar) mas até às próximas eleições legislativas em Portugal, momento em que se candidatará, sendo que exercerá o mandato até às eleições presidenciais em que será, desde já, candidato.
No caminho rompe com o Partido da Terra e cria o seu partido pessoal de cariz republicano.
Um advogado, ex-bastonário, que criou toda uma imagem pública na crítica aos políticos e ao sistema, manifesta, em pouco tempo, uma incoerência de se lhe tirar o chapéu. Para onde corre este Candidato, agora profissional, a “Qualquer Coisa”? Quem o apoia ou se reconhece na sua mensagem (?) política e social?
De tempos a tempos, a democracia portuguesa é vítima destes populistas demagogos que aglutinam o descontentamento popular com base no verbo justiceiro e a crítica pura e dura sem nexo e sem esperança. Portugal bem dispensa estes oportunistas…




