BANHA DA COBRA. Coisas ouvidas na campanha eleitoral: “reinventar Portugal”; “uma cultura focada em encontrar soluções”; “resolver os problemas dos portugueses”; “pensar no presente e no futuro”; “pôr o país a mexer”; “o primado da estabilidade”; “uma política para as pessoas”; “pessoas que trabalharam uma vida inteira”; “Portugal não pode parar”; “construir a democracia”; “dar atenção às pessoas de carne e osso”; “dar centralidade aos portugueses”; “enfrentar as desigualdades”; “melhorar a vida das pessoas”; “para que a vida das pessoas não seja mais do mesmo”; “um pacto com o amanhã”; “a minha candidatura diz sim aos compromissos”. Confesso que, embora ande nisto há muitos anos, nunca tinha ouvido tanto lugar-comum, tanta palavra oca, tanta frase parva, tanta banalidade, tanta futilidade, tanta nulidade, tanta pantominice, tanta banha-da-cobra, tanta idiotice por minuto. E o problema é que um dos autores destas pérolas do pensamento vai mesmo ser Presidente da República.
SUBVENCIONADOS. Mais de cinco milhões de euros estão orçamentados pelas onze candidaturas presidenciais para ações de campanha, com destaque para Cotrim, Ventura, Gouveia, Seguro e Mendes. Mas não tenha pena deles: tudo isto vai ser pago por si, leitor, por mim e por todos os contribuintes através de generosas subvenções do Estado – ou, no caso do pelotão dos minorcas, pelos respetivos partidos. Só Manuel João Vieira, o Palhaço Tiririca a que temos direito, terá de andar a vender Ferraris e vinho tinto para pagar a fatura. É a vida, pá.
12 CANDIDATOS. No último debate das presidenciais, terça-feira passada, na RTP, percebi que afinal havia 12 candidatos, e não 11. O 12º, por sinal aquele que mostrou mais vontade de dizer coisas, atropelando os outros, foi precisamente o chamado “moderador”. Dani, Dani, devias ir p’rá Pulhítika.
PIOR A EMENDA. Aquela respeitável senhorinha mignone, com carinha de costureirinha infeliz, que dá pelo nome de Maria Lúcia Amaral e responde pelo Ministério da Administração Interna, percebeu finalmente que a véspera de Natal não era o melhor momento para pôr à experiência um novo sistema de controlo de dados biométricos nas fronteiras, experiência que transformou o aeroporto da Portela numa feira da ladra. Mas vejam só a pontaria: suspendeu a experiência na véspera de Ano Novo, lançando o aeroporto em novo caos devido ao regresso inesperado a um antigo sistema de controlo cujos meios já haviam sido desativados. Agora só lhe falta experimentar novamente no pino da época turística de Verão. Isto é que é pontaria!
QUANDO O RIDÍCULO NÃO MATA. Marcelo leva os casos da Venezuela e da Ucrânia ao escrutínio severo do Conselho de Estado. Perante a notícia, as chancelarias entram em alerta máximo, a NATO fica de prevenção e a comunidade internacional treme de expectativa.
OLÁ, MANO. E por falar em Marcelo: a família Rebelo de Sousa continua em maré da azar. Agora soube-se que o irmão mais novo do PR foi vítima da burla “olá pai, olá mãe”. Pedro Rebelo de Sousa recebeu a mensagem fatídica, acreditou que o filho estava em apuros, caiu na esparrela e viu voarem 987 euros da sua conta. Temos pena.
SILÊNCIO. As gazetas do regime esconderam muito bem escondidinha a notícia dos energúmenos que decidiram assinalar a passagem de ano com disparos de pistola e metralhadora num bairro dos Olivais, em Lisboa, assustando e pondo em perigo toda a vizinhança. As imagens correram na internet, mas sobre elas desceu um pesado silêncio. Será porque os atiradores pertencem àquela “minoria do costume” cujo nome não se pode pronunciar?




