Tem que ficar escrito

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João Filipe Pereira_PBJOÃO FILIPE PEREIRA

Tem que ficar escrito. Foi em 2015 que a política nacional se transformou em nada e em tudo. Ou seja, no ridículo absoluto. Esta será, por ventura, a campanha eleitoral mais sem sentido de sempre.

Alguém – e esse alguém é a classe política actual – rebaixou a política ao extremo do mau gosto. Os portugueses têm assistido a uma campanha eleitoral para legislativas que Cavaco transformou (ou não soube evitar) numa campanha ora legislativa ora presidencial. Uma campanha onde os debates televisivos são tema de capa de jornal ainda antes de terem acontecido. Uma campanha onde se discute a fórmula da mesma até ao último dia. Uma campanha em que os jornalistas são obrigados a falar de todos por igual e, por isso mesmo, não falam de ninguém.

Uma campanha que fica marcada pelo gozo de cartazes, de figuras e figurantes. Uma campanha nas redes sociais. E sabemos por experiência que as redes sociais da internet têm um efeito limitado nos resultados finais. Que o diga o Livre e outros tais.

Tem que ficar escrito. Tem que ficar escrito que a classe politiqueira conseguiu que os portugueses deixassem de discutir os programas partidários. Os jornais, televisões e rádios não podem falar de um partido sem falar de todos os outros… Um absurdo. E eu sou um defensor dos pequenos partidos, aqueles sem representação na Assembleia da República.

Mas o peixe morre pela boca. Já há deputados socialistas a ficarem chateados porque fazem quilómetros para aparecerem em eventos mediáticos e depois não são ouvidos pelos jornalistas. O PS que consentiu a lei que agora vigora e o primeiro a cair na ratoeira. Já ninguém vai falar dos candidatos que concorrem por Leiria, Aveiro ou Castelo Branco. Acabou. Portugal resume-se uma vez mais a Lisboa. A cinco partidos. Ou quatro, já que parece que o CDS não irá existir nestas eleições. Mas até aí é Paulo Portas quem vence.

Tem que ficar escrito. Tem que ficar escrito que as legislativas estão de olhos postos nas presidenciais. Umas presidenciais em que Passos sai perdedor. O líder do PSD queria Assunção Esteves para candidata presidencial, ainda antes da Presidente da Assembleia “inconseguir” manter a boca fechada. Antes da Senhora Presidente fazer citações duvidosas no espaço mais nobre da República. Passos quis Santana Lopes e atirou Marcelo para fora da corrida. Tentou.

Portas não queria Santana e dificilmente apoiaria a candidatura. Mas o CDS não tem candidato a apoiar, seria um tiro nos pés fazê-lo. Rui Rio queria tramar Passos e irá conseguir de uma forma ou outra. Marcelo sempre sonhou com a Presidência e chegou a derradeira oportunidade de o conseguir, depois de as circunstâncias o terem afastado de um cargo de primeiro-ministro que sempre desejou. Mas no PS as coisas não estão melhores. Maria concorre a Belém e Sampaio da Nóvoa será um eterno algo que nunca o foi. Tantos são os candidatos presidenciais que não seria de estranhar ver um ninja político de Gaia a conseguir as assinaturas necessárias para ir a sufrágio. Aliás, já ate tivemos um Coelho da Madeira.

Que fique escrito que daqui a quatro anos tudo poderá piorar. Eles abriram a caixa de Pandora. Parece que agora tudo é permitido em política.

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