Que Futuro?
Antes
Estou a iniciar este texto antes de saber o resultado das eleições de domingo, pelo que me limitarei a fazer futurologia tentando adivinhar os resultados, ou seja, estou convencido de que a AD será a coligação vencedora, que no caso de acordo com os liberais, terão ficado próximo da maioria absoluta, ou seja, terão as condições políticas e morais para formar governo, ficando apenas por saber qual a posição dos restantes partidos, nomeadamente do PS.
Sabemos que nos últimos oito anos o Partido Socialista fez do PSD o seu adversário principal, por vezes o inimigo, mas as condições poderão mudar e o PS deveria ter a posição que teve o PSD sob a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente aos governos minoritários de António Guterres. Recordo que o governo de Guterres caiu por demissão do primeiro-ministro e não por decisão do PSD, que deixou o PS governar.
Veremos o que fará agora o PS de Pedro Nuno Santos. Arrisco dizer que haverá duas fases: numa primeira ocasião o PS deixará a coligação AD e IL governar sem o Chega, mas há medida que os empregos da família socialista forem substituídos por empregos da nova governação, haverá uma certa convulsão no PS que passará à fase de oposição pura e dura, forçando a negociação do Governo com o Chega na tentativa de um acordo que evite novas eleições. Espero que não, porque aí haverá o perigo do governo de Luís Montenegro não se limitar a acordos meramente parlamentares, o que implicaria a entrada do Chega no governo com os perigos correspondentes.
Termino aqui este exercício de futurologia e os leitores terão a oportunidade de verificar no próximo número deste jornal a dimensão do meu erro.
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Depois
Afinal não errei muito, mas não previ a dimensão do crescimento do Chega que ultrapassou os meus piores receios. Resta agora saber o que fará a AD, suponho que manterá a sua palavra de numa primeira fase não integrar o Chega no novo Governo, mas o futuro dependerá da posição do PS, como escrevi antes. De alguma forma, o PS obteve uma vitória com o crescimento do Chega, que há muito promove com a finalidade de criar dificuldades à alternativa do PSD e do IL, ou seja, o PS aposta na instabilidade e não é provável que repita a compreensão do PSD para com o PS de António Guterres, a quem deixou governar durante seis anos.
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