Eleições da IL: as respostas

0
513

Carla Castro
“Uma mensagem de renovação e modernidade”

O que a levou a ter o impulso de se candidatar a líder da IL?

Candidato-me por ter a certeza de que consigo ter a melhor contribuição e projecto para fazer crescer o partido e tornar Portugal e o partido mais liberais.

Que mudanças vai introduzir nas estruturas da IL?

Um partido mais aberto, mais transparente, menos autocrático, com os núcleos a trabalhar em rede. Mais autonomia, mais liberdade, mais comunicação interna. Um Conselho Nacional (CN) mais independente e actuante, auto inibindo a Comissão Executiva (CE) de votar em CN. Não faz sentido as inerências da CE terem direito de voto num órgão que serve para escrutinar o seu próprio trabalho. É errado em qualquer lado votarmos em matérias que nos dizem respeito. Criar uma Academia Liberal para formar os membros e chegar mais longe em Portugal.

Pensa que com a sua liderança a IL tem possibilidades de crescer?

Sim. Pelos vectores de proximidade de que fala a nossa moção estratégica, em www.carlacastroliberal.pt. Bater a sola pelo país, porque há muitos cidadãos que são liberais e não sabem. Os portugueses são um povo ferozmente independente e livre. É necessário combater esta dependência do Estado que nos prende, que nos carrega com impostos, salários baixos, e obriga os nossos filhos a emigrar para… países liberais sem esse tipo de dependência e hostilidade com tudo o que é privado.

A ideologia liberal durante muitos anos era uma espécie de patinho feio da política. A IL já ajudou a alterar este estado de coisas?

Muito. Uma caminhada que começo com Miguel Ferreira da Silva, primeiro presidente, que formou o partido, com Carlos Guimarães Pinto, que nos colocou na AR, e com João Cotrim de Figueiredo, que nos transformou na 4ª maior força política portuguesa. O liberalismo foi sempre combatido pelo Estado Novo e depois pelas forças comunistas e estatistas retrógradas. O 25 de Abril cumpriu as liberdades políticas e sociais, falta cumprir a liberdade económica, com os bons exemplos da Europa, de países liberais com os melhores níveis de desenvolvimento económico e social. Temos razão e bons exemplos. A nossa estratégia liberal, porta a porta, terá imensos frutos, espalhando a nossa ideologia de liberdade e resolução de problemas concretos, já testados na Europa, na saúde, na educação, na competitividade, nos salários, etc..

Como pode a IL captar mais juventude para as suas fileiras?

Da mesma razão que vamos captar mais pessoas. E ainda mais porque os jovens estão a ver um país estagnado, dependente, têm mais mundo e vêem as soluções liberais noutros países europeus para onde emigram a funcionar. Têm ambição, querem crescer, dar uma melhor vida aos seus filhos e apenas se vêem carregados com impostos sem luz no túnel. Os jovens, mais que todos, entendem a necessidade de mudar de políticas. Insistir nas mesmas e esperar que resultem, é só burrice, diria Einstein.

Em seu entender era útil uma jota da IL?

Não vemos necessidade de haver grupos temáticos, etários ou profissionais. Os liberais estão juntos, organizados apenas por conveniência em núcleos geográficos. Todos juntos somos poucos para tornar Portugal mais liberal.

Tem andado no terreno. O que mais a tem marcado?

A vontade de mudança, no partido e no país. Uma mudança sem rupturas, mas firme, no caminho de um Portugal e um partido mais liberais. Dar voz aos cidadãos descontentes que se querem fazer ouvir e trabalhar. Temos activos fantásticos no partido. É necessário aproveitá-los.

Tem encontrado desânimo em relação à política?

Bastante. Há que converter, e a IL tem feito, esse desânimo em esperança. Na vontade de sair do sofá por um partido novo, por uma mensagem de renovação e modernidade, de seguir bons exemplos. Os outros países estão melhores e nós não. Porquê? Porque ainda temos de emigrar, 50 anos depois do 25 de Abril. Vamos lá, não somos piores que os outros… o sistema é que é diferente. Lá são mais liberais.

A democracia está em causa?

Não nos parece. No entanto, devemos lutar por ela e pela liberdade todos os dias. Por cada um poder ter a ambição de crescer, de criar riqueza, de contribuir para um Portugal mais próspero.

O que é preciso fazer para o alterar a pouca ligação do cidadão com a política?

Dar possibilidade de sonhar, de ter ambição, de acreditar que podemos ser melhor e ter menos pobres e emigrantes. Portugal é um país fantástico. Há que acreditar, sair do sofá, da zona de conforto. Ver o bom que se faz lá fora, pegar no liberalismo, na liberdade e juntar-se a um projecto de mudança, para melhor, porque o liberalismo funciona e faz falta a Portugal.

Porque diz não a entendimentos com o Chega?

Nós dialogamos com todos os partidos do sistema democrático. É essa a nossa raiz liberal e tolerante. No entanto, não conseguimos ter acordos com o Chega, com o BE ou com o PCP, porque defendem modelos de sociedade contrários aos nossos princípios. É impossível ter entendimentos.


Rui Rocha
“Seremos o partido que derrotará o bipartidarismo”

O que o levou a ter o impulso de se candidatar a ser líder da IL? 

Exactamente pelos mesmos motivos que aceitei ser cabeça de lista em Braga. Pela vontade de construir um país completamente diferente do que temos hoje. Um país com crescimento económico, com oportunidades para todos, em que a emigração é uma opção e não uma condenação e onde a carga fiscal não asfixia as pessoas. Um país onde o mérito é reconhecido e recompensado e onde existe liberdade de escolha na saúde e na educação. É este o país da Iniciativa liberal e que pretendo apresentar aos portugueses a partir do próximo domingo. Em segundo lugar, o facto de ter contado, desde a primeira hora, com o apoio de muitos membros com quem falei e da grande maioria das pessoas que trabalham comigo, diariamente, no Parlamento e nos diferentes órgãos do partido.

Quais as suas prioridades? 

As prioridades são claras: realizar as reformas internas que o partido precisa para fazer crescer ainda mais a Iniciativa Liberal, de modo a obtermos representação em todos os parlamentos nos próximos dois anos. Queremos eleger os primeiros deputados liberais à Assembleia Regional da Madeira e ao Parlamento Europeu, reforçar a presença liberal nos Açores e chegar aos 15% nas próximas eleições legislativas. Queremos reforçar significativamente a representação eleitoral da Iniciativa Liberal para nos tornarmos a força transformadora do sistema político em Portugal. Seremos o partido que derrotará o bipartidarismo, responsável pelo atraso e pela estagnação do país. Para isso teremos mais proximidade, mais iniciativas mediáticas na rua junto dos portugueses e dos nossos núcleos, com novos temas e soluções liberais concretas para os problemas das pessoas, como a habitação, transportes, energia ou o ambiente.

Que mudanças vai introduzir nas estruturas da IL? 

Queremos transformar a Iniciativa Liberal no partido português mais avançado no seu funcionamento. Nesse sentido, vamos avançar com uma reformulação rápida para melhorar a comunicação interna e a capacidade de participação dos membros para tornar a Iniciativa Liberal mais forte. Entre outras medidas, iremos criar o portal interno do membro e reforçar a ligação aos núcleos territoriais do partido com a constituição de uma equipa de apoio aos núcleos e autarcas nas áreas financeira, jurídica e das políticas locais e regionais. Por outro lado, vamos rever a quota regular dos membros de 60€ para 40€, reforçando a parte que vai para os núcleos. Queremos um partido mais descentralizado com núcleos territoriais mais autónomos e capacitados no seu financiamento. 

Pensa que com a sua liderança a IL tem possibilidades de crescer? 

Sim. Considero que sou o candidato que tem mais energia, criatividade e combatividade para fazer oposição ao PS e às ideias socialistas que têm conduzido Portugal à estagnação. Por outro lado, tenho comigo uma equipa que alia continuidade e renovação. Uma equipa que junta muitos dos membros que lideraram a história de sucesso da Iniciativa Liberal, mas também com novas pessoas, com novas ideias, capazes de realizar as reformas que o partido precisa para passarmos rapidamente para o combate que temos de travar no país.

Como pode a IL captar mais juventude para as suas fileiras?

A Iniciativa Liberal é hoje o terceiro partido mais votado entre os eleitores mais jovens. É uma das forças do partido que podemos e queremos reforçar. Isso faz-se através do incremento da comunicação digital, mas também na aposta nos jovens para vários projectos do partido, reforçando o peso político do pelouro da Juventude da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal. Por outro lado, continuaremos a organizar eventos específicos, destinados aos jovens, entre os quais o Encontro Nacional da Juventude, que ambicionamos venha ser o maior evento partidário da juventude em Portugal. 

Em seu entender era útil uma jota da IL? 

Não vejo que seja útil. Na Iniciativa Liberal não nos revemos em formas de organização assentes em juventudes partidárias ou outras estruturas focadas na gestão do poder interno ou em lógicas de aparelho. Existe uma maior integração dos jovens na Iniciativa Liberal e uma maior proximidade de todos os jovens à direcção do partido sem qualquer necessidade de uma juventude partidária. 

Tem andado no terreno. O que mais o tem marcado? 

No início da campanha prometi estar presente em todos os núcleos do país, junto dos membros, para lhes mostrar a minha visão para o partido e para Portugal. É isso que estou a cumprir. Ouvir todos os membros. Desde as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira a Faro e Bragança, passando pelo Reino Unido e Bruxelas. Em todos eles senti um grande entusiasmo em relação a estas eleições e às ideias que temos para o partido e para o país. Chegamos à Convenção confiantes de que temos todas as condições para, no dia seguinte, iniciar o combate por um Portugal muito mais liberal.

Tem encontrado desânimo em relação à política? 

Tenho encontrado, sobretudo, um grande número de pessoas inconformadas com a actual situação política do país. Pessoas que não se revêem no bipartidarismo que conduziu Portugal a esta estagnação, mas que ainda acreditam que é possível mudar. Que ainda acreditam num país com uma proposta de sociedade e de economia completamente diferente. 

A democracia está em causa? 

Vivemos, felizmente, numa democracia, mas não podemos deixar de nos preocupar com alguns indicadores que vamos conhecendo. Portugal tem vindo a descer consecutivamente nos índices democráticos, sendo considerado, hoje, uma democracia com falhas e que as medidas restritivas impostas pela pandemia vieram agravar. 

O que é preciso fazer para o alterar?

A Iniciativa Liberal continuará a bater-se contra qualquer forma de restrição aos direitos, liberdades e garantias dos portugueses. Na Revisão Constitucional, sendo a voz da oposição e indo para a rua, se necessário for, no combate aos confinamentos administrativos que PS e PSD se preparam para permitir, sem nenhuma intervenção prévia da Assembleia da República ou dos tribunais, mas também na necessidade de haver uma maior fiscalização do Parlamento ao Governo. Continuaremos a bater-nos pela reforma do sistema político e do sistema eleitoral, com a criação de um círculo de compensação nacional, garantindo que não se despreza o voto de mais de 700 mil portugueses, que se verão finalmente representados.