Europa começa a responder ao terrorismo islâmico

O Presidente francês e o Chanceler austríaco apelaram esta semana às outras nações europeias para que se lhes juntem numa acção concertada contra o terrorismo islâmico. Os mais recentes ataques terroristas, na França e na Áustria, tiveram o condão de despertar a classe política europeia para um problema que durante anos foi negado pelo “politicamente correcto”. Parece agora ter chegado ao fim uma era de permissividade e descontrolo nas políticas migratórias europeias e de ilusão quanto à boa-fé dos grupos fundamentalistas muçulmanos armados.

A nossa anterior edição já estava fechada e a entrar na rotativa quando surgiu das agências a notícia da decapitação, em plena rua, em Conflans-Sainte-Honorine, na região parisiense, de Samuel Paty, um professor liceal de 47 anos que leccionava as disciplinas de História e de Geografia. Paty foi decapitado por Abdullakh Anzorov, refugiado muçulmano de 18 anos, por ter mostrado caricaturas do profeta Maomé no início de Outubro em duas aulas sobre a liberdade de expressão.

Já não fomos a tempo de incluir a notícia, mas, significativamente, nessa mesma edição O DIABO inseria os resultados de um estudo chancelado pela Fundação Pontifícia ‘Ajuda à Igreja que Sofre’, segundo o qual em 2019 ocorreram cerca de três mil ataques contra igrejas, escolas e símbolos cristãos na Europa, entre incêndios criminosos, profanação de lugares de culto, saques, roubo e vandalismo.

O caso da decapitação chocou o mundo. Abdullakh Anzorov, que acabou por ser abatido pela polícia no dia do ataque, reivindicou a sua acção numa mensagem áudio em que dizia ter “vingado o profeta” Maomé, acusando o professor de o ter “mostrado de forma insultuosa”.

Ainda a Europa não tinha recuperado do choque quando, escassos dias depois, vários ataques terroristas islâmicos foram registados em Nice, Avignon, Lyon e no Consulado francês em Jeddah. O nível de alerta antiterrorista foi elevado ao máximo e o Presidente Emmanuel Macron afirmou que “a França está sob ataque”, anunciando um aumento do dispositivo militar para proteger o país. 

Em Nice, três pessoas morreram na sequência de um ataque tresloucado com arma branca: um homem e uma mulher foram assassinados na igreja de Notre-Dame (onde o homem era sacristão) e uma terceira vítima, gravemente ferida, morreu num bar perto da igreja, onde se tinha refugiado. O atacante (Brahim Aoussaoui, um tunisiano de 21 anos que chegou a França vindo de Lampedusa no final de Setembro) gritou “Allah Akbar” (“Alá é grande” em árabe) enquanto assassinava as suas vítimas. Recorde-se que Nice foi já palco, em 2016, de um outro ataque terrorista que deixou 86 mortos na famosa avenida Promenade des Anglais.

Pouco depois do último ataque em Nice, um homem armado com arma branca tentou esfaquear várias pessoas, mas acabou por ser abatido por agentes da polícia em Avignon. Também este atacante gritava «Alá é grande» enquanto brandia a faca. Em Lyon, no mesmo dia, um afegão foi preso quando tentava entrar num eléctrico armado com uma faca e um sacerdote ortodoxo foi vítima de um ataque a tiro. O suspeito de 20 anos, que usava um traje tradicional afegão, já havia sido identificado pelos serviços de inteligência franceses. Também na cidade de Jeddah, na Arábia Saudita, as forças de segurança sauditas detiveram um cidadão que atacou um guarda do Consulado francês, deixando-o ferido.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, que durante anos manteve uma posição “politicamente correcta” e frequentemente acusava de “xenofobia” quem ousasse denunciar a escalada de violência islâmica em França, mudou subitamente de atitude e declarou, durante uma homenagem nacional ao professor Samuel Paty, que continuará a defender a liberdade de expressão, incluindo a publicação de caricaturas.

No local dos homicídios em Nice, Macron caracterizou explicitamente o acto como um «ataque terrorista islâmico» e disse que «a França se encontra sob ataque». «Não cederemos» na defesa dos valores franceses, disse o Presidente à imprensa, sublinhando “o nosso amor à liberdade, a nossa capacidade de manter a liberdade de credo», disse Macron, que fez um apelo à «união contra o terror».

Além disso, Macron anunciou o aumento de 3.000 para 7.000 o número de militares destinados ao reforço da vigilância antiterrorista. Antes, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, já tinha qualificado o ataque em Nice como «ignóbil, bárbaro e abjecto» e prometido uma resposta «firme, implacável e imediata».

A França tem sofrido atentados terroristas de alto impacto desde 2015, quando um ataque extremista em 7 de Janeiro contra o semanário satírico ‘Charlie Hebdo’ deixou 12 mortos. No dia 13 de Novembro do mesmo ano, um comando jihadista executou ataques coordenados em Paris que mataram 130 pessoas, e no ano seguinte ocorreu o atentado acima mencionado em Nice que vitimou 86 pessoas.

Também a Áustria conheceu esta semana o luto em mais um atentado terrorista islâmico. O ataque começou com um tiroteio numa rua central de Viena, junto a uma sinagoga. Os atacantes deslocaram-se depois pelo centro da cidade, disparando sobre quem ocupava as esplanadas. Do atentado em Viena, perpetrado por vários extremistas, resultaram quatro mortos e 17 feridos. Entre estes encontra-se um cidadão luso-luxemburguês, que se encontra a recuperar no hospital.

O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, considerou que se tratou de um «repugnante ataque terrorista» e que pode haver «um motivo antissemita». Kurz pediu à União Europeia que combata o «islão político», uma «ideologia» que representa um «perigo» para o «modelo de vida europeu». Por seu turno, a União Europeia “condenou veementemente” o “atentado horrível”. O Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, afirmou que “a Europa condena veementemente este acto covarde que viola a vida e os nossos valores humanos”. ■

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