A alternativa nuclear

Enquanto o Médio Oriente arde e o Estreito de Ormuz se torna o garrote da economia europeia, Portugal e a Europa despertam, estremunhados, para a fragilidade dos seus castelos de vento. António Costa, agora na cátedra de Bruxelas, apela a uma "soberania" que ele próprio ajudou a desmantelar em solo pátrio. Entre a memória do apagão ibérico de Abril e a crueza dos números, o País confronta-se com a fatura de uma década de dogmatismo: ou aceitamos o nuclear, ou preparamo-nos para a irrelevância num mundo que não perdoa a ingenuidade. Nestas páginas apresentamos o essencial de um estudo do Professor João de Jesus Ferreira, Engenheiro Conselheiro – Electrotécnico, especialista em Energia, antigo Professor e ex-Director do Curso Superior de Engenharia Electrotécnica (Energia) do Instituto dos Pupilos do Exército. Intitulado “Segurança do Sistema Eléctrico e Neutralidade Carbónica – O Papel da Energia Nuclear”, o estudo foi elaborado no corrente mês de Março e reflete já as condicionantes impostas nas últimas semanas pela guerra no Médio Oriente.

O destino, com o seu humor frequentemente ácido, decidiu que o ano de 2026 seria o ano do choque de realidade. Enquanto a retórica oficial continuava a vender a imagem de um Portugal líder mundial na “transição verde”, os mísseis sobre o Irão e a consequente escalada bélica no Médio Oriente vieram recordar-nos que a economia moderna não se move a boas intenções. O disparo dos preços do petróleo e do gás natural nas últimas semanas não é apenas um problema de inflação: é o sintoma de uma nação que abdicou da sua soberania energética em favor de uma liturgia ambiental que a física, teimosamente, se recusa a validar.
Há dias, no Conselho Europeu em Bruxelas, os líderes da União reuniram sob a sombra pesada dos mercados energéticos em polvorosa. À entrada da reunião, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou solenemente que a União Europeia enfrenta “tempos desafiantes” e que a soberania energética só é possível aumentando a “produção interna”. Para o ex-Primeiro-Ministro português, a melhor forma de ter um “horizonte preditivo e confiável” é ser autónomo e independente. “O conflito actual no Irão mostra-nos uma vez mais que a única maneira de sermos autónomos é tornar seguro o nosso sistema de energia”, afirmou.
Estas palavras, embora irrepreensíveis na forma, carregam o peso de uma herança que o orador não pode sacudir. António Costa não é um observador externo desta crise; ele foi o arquitecto-mor da política energética que deixou Portugal numa encruzilhada de vulnerabilidade. Durante os seus longos anos em São Bento, assistimos ao encerramento apressado das centrais a carvão de Sines e do Pego e à aposta quase messiânica em fontes intermitentes.
Agora, em Bruxelas, Costa admite que a diversidade dos Estados-membros exigirá “diferentes soluções”. É um reconhecimento tardio de que a receita única do “verde absoluto” pode ter prazos de validade que a realidade geopolítica se encarregou de abreviar.

O meio-dia de trevas: a lição de 28 de Abril
Falar em “horizonte preditivo” quando o sistema eléctrico ibérico colapsou há menos de um ano é, no mínimo, um exercício de optimismo audaz. O grande apagão ibérico de 2025 continua bem vivo na memória. Não aconteceu no pico de uma tempestade de Inverno, mas sim num dia que deveria ser de glória para as renováveis: 28 de Abril.
Naquele momento, perto do meio-dia, o sol brilhava intensamente e as turbinas eólicas giravam com vigor. A rede estava saturada de energia “limpa”. No entanto, foi precisamente essa abundância que traiu o sistema. A falta de “inércia rotativa” — aquela estabilidade fundamental que as grandes massas giratórias das centrais térmicas e nucleares garantem — impediu a rede de absorver uma variação súbita de frequência. Num piscar de olhos, o que era um dia radioso transformou-se num “apagão de luz solar”.(..)

Leia o artigo na integra na edição desta semana já nas bancas ou em formato digital aqui

 

Link – Estudo completo do Prof. João de Jesus Ferreira

 

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