1 ARQUITECTURA
Temos óptimos arquitectos em Portugal e em Lisboa em particular. Os arquitectos portugueses alinham hoje pela melhor arquitectura que se faz no mundo, não é por acaso que temos dois prémios Pritzker e um conjunto enorme de prémios internacionais, ganhos também por uma nova geração de profissionais. Pergunta-se então: se é assim, por que é que isso não se reflecte na Cidade que vemos crescer aos nossos olhos? Não seria legítimo todos nós podermos ser chamados a participar na construção estética da cidade onde vivemos, na construção do espírito do lugar que habitamos? No sentido de a melhorarmos e de a aperfeiçoarmos, no sentido da pertença e participação. Não será a vida dos meus filhos também influenciada pela forma como o meu bairro cresce?
2 URBANISMO
Com Fernando Medina, o loteamento do Alto do Restelo será construído com torres de elevadíssima densidade, sem ouvir as pessoas que ali vivem. Eu proponho desenvolver uma “onda de renovação” dos imóveis municipais abandonados e criar um corredor verde até Monsanto. Há uma quantidade enorme de edifícios que há anos podiam ter sido reabilitados com preços mais baratos para ter verdadeiras rendas acessíveis para os lisboetas e isso não foi feito. Depois tivemos um problema brutal no licenciamento. O que é que se controla ou que é que diminui a oferta? A pessoa entrega um projecto na Câmara, supostamente, o projecto devia ser aprovado em 35 dias e, muitas vezes, demora três, quatro anos.
3 TRABALHADORES
Quero uma Câmara Municipal de Lisboa onde os trabalhadores são valorizados, com melhores condições de trabalho e onde o mérito é privilegiado. Conto com todos eles para trazer novos tempos para Lisboa. Estamos a falar de muitos funcionários, mas que estão desmotivados e que não falam entre si, em que as estruturas da Câmara são muito verticalizadas. A minha primeira medida como presidente da Câmara será criar estruturas horizontais para que as pessoas possam ter um ponto focal para resolver os problemas. Porque os papéis entram na Câmara e depois andam a passear durante anos e não há um interlocutor com poder de dizer “olhe, o senhor enviou-me isto, eu mandei para aquele departamento, já estive a falar com o director”.
4 OUVIR
Comprometo-me a ouvir os Lisboetas e a construir com eles uma cidade que se preocupa verdadeiramente com os problemas do dia-a-dia das pessoas. Alguém ouviu as pessoas que todas as manhãs se levantam e que vêem as ruas completamente bloqueadas com ciclovias que criam poluição? Quero criar uma assembleia de cidadãos para Lisboa, uma assembleia que seja diferente, que não vai substituir o que temos, mas que vai complementar, com pessoas diferentes. São esses que nunca participaram que eu quero que sejam parte desta nossa nova assembleia de cidadãos.
5 CORRUPÇÃO
Não são apenas os comportamentos do ex-Primeiro-ministro José Sócrates que corroem o funcionamento da democracia. A suspeita em volta da actuação política na CML também corrói e, a confirmar-se, revela uma forma de governar a cidade que considero absolutamente inaceitável. Estas dúvidas minam a confiança dos cidadãos e dificultam as mudanças necessárias de comportamento e cultura política. A Câmara Municipal de Lisboa não pode passar esta imagem, sob pena de perder toda a credibilidade.
6 EXAUSTÃO
São 14 anos de sempre o mesmo. De um PS que depende de uma extrema-esquerda que nos odeia, uma extrema-esquerda que odeia todos aqueles que não pensam como eles. E isso não pode ser a nossa Lisboa.
7 TEATRO
Apontando que pretende uma cidade “que olha para o futuro, mas que vive o presente”, o líder da coligação Novos Tempos diz querer “ter uma sala de teatro em cada freguesia” e não quer “um projeto megalómano para o Parque Mayer”. “Quero um projecto que seja da intersecção da cultura com a educação, com a arte e com a música. É isso que vamos fazer, simples, bom, claro, feito”.
8 EXAGERO
Questionado sobre se não é “um exagero” usar o caso de José Sócrates – de quem Fernando Medina foi porta-voz – Moedas respondeu: “O que é um exagero é ter um presidente da câmara em exercício que é comentador televisivo”.
9 HUB CRIATIVO DO BEATO
Fernando Medina gastou 18 milhões de euros no Hub Criativo do Beato que anunciou em 2016 como a maior incubadora da Europa. Cinco anos depois do primeiro anúncio nada está executado. Nem ocupantes nem actividade. O importante é que se ocupe de imediato o espaço com empreendedores enquanto se recuperam os atrasos.
10 INCAPACIDADE
Lisboa não pode continuar a ser adiada. A vida dos lisboetas não pode ser determinada pela incapacidade de Fernando Medina. Lisboa precisa de quem cumpra o que promete.
11 POTENCIALIDADE
Queremos uma cidade que acredita nas potencialidades das suas gentes. Uma cidade para as pessoas, que lhes dê ferramentas para concretizarem as suas ideias. Uma cidade onde seja possível habitar, desfrutar, estudar, trabalhar e empreender. Eu acredito em Lisboa, eu acredito nos lisboetas, mas sobretudo acredito na nossa capacidade de darmos, em conjunto, muito mais ao mundo. Por isso sei que podemos juntos ambicionar muito mais para esta nossa cidade.
2 VISÃO
Como engenheiro, penso que aquilo que falta a Fernando Medina, a esta câmara municipal, é, sem dúvida, a visão que não tem, a execução, que também não tem, e a participação das pessoas, que nunca teve.
13 CICLOVIAS
Alguém ouviu as pessoas que todas as manhãs se levantam na Almirante Reis e que vêem a rua completamente bloqueada com uma ciclovia que cria poluição? As ciclovias não são para a poluição, são para retirar a poluição, são para descarbonizar a cidade.
14 AGENDA
Fernando Medina não tem de facto visão para a cidade. Tem uma visão dos “rankings” da cidade, tem uma visão que é fazer uma “check list” e ter não sei quantos quilómetros disto e quilómetros daquilo, tem uma visão para parecer bem aos seus amigos, para parecer bem aos outros, para agradar sobretudo ao Governo. É essa a agenda de Fernando Medina. Não é uma agenda ao serviço dos lisboetas, é uma agenda ao serviço do Governo.
15 INOVAÇÃO
Lisboa tem tudo para ser a Capital Europeia da Inovação, da Investigação e da Criatividade. Temos de garantir oportunidades para o desenvolvimento de novos talentos, mas assegurar as condições para que os mesmos se fixem cá. Na Europa, Lisboa pode ser muito mais do que se imagina.
16 EUROPA
Entre 2014 a 2019, geri como comissário europeu o maior programa do mundo nas áreas da Investigação, Ciência e Inovação, com um orçamento de 80 mil milhões de euros. Antes de concluir o mandato em 2019, ainda consegui negociar que o próximo programa fosse dotado de cerca de 100 mil milhões de euros. Mais importante do que estes números avultados, é o impacto directo destas verbas no quotidiano dos cidadãos europeus. Nestas áreas, os fundos europeus contribuem para maior crescimento económico, mais prosperidade e criação de emprego de valor acrescentado: criam-se equipas de investigação com jovens cientistas promissores, descobrem-se tratamentos e curas inovadoras, apoia-se a criação de empresas inovadoras que desenvolvem produtos de mãos dadas com as universidades.
17 EXPERIÊNCIA COMUNITÁRIA
Como comissário europeu, percorri o mundo de lés-a-lés e Portugal de Norte a Sul e as nossas ilhas. Testemunhei que as políticas públicas com maior impacto nos cidadãos são cada vez mais tomadas ao nível das cidades, recuperando o antigo conceito de cidade-Estado. As cidades são hoje em dia faróis de inovação. Funcionam como ímanes para o talento, o capital e as oportunidades. Assim, em 2017, aproveitei o “Web Summit” para atribuir a Paris o Prémio de “capital europeia da inovação” para um projecto que junta novas tecnologias com arte, música e educação para crianças. Em 2018, brindei Atenas com o mesmo prémio para projectos de revitalização de edifícios abandonados, através da concessão de pequenas subvenções aos residentes, às pequenas empresas, às comunidades criativas e a outros grupos da sociedade civil, para dar nova vida aos bairros desta cidade. É esta experiência europeia e conhecimento adquirido que quero hoje trazer em benefício de Lisboa. Porque acredito que a Lisboa que ambiciono consiga reforçar a sua identidade na Europa que defendo.
18 SEGURANÇA
Ao contrário do compromisso e das afirmações de Fernando Medina, o que se verificou foi uma total falha de segurança e de organização no caso Sporting. Fernando Medina não soube dividir atempadamente e com variedade os espaços de festejo do Sporting. Fernando Medina revelou, uma vez mais, a sua incapacidade e incompetência. Fernando Medina é responsável. Fernando Medina deve muitas explicações aos lisboetas.
19 RESPONSABILIDADE
A responsabilidade máxima é sempre do presidente da câmara, seja o urbanismo, seja o ambiente ou as estradas ou o que for, a responsabilidade máxima em qualquer caso de suspeita é do presidente da câmara. Portanto, Fernando Medina tem essa responsabilidade. Eu assumirei sempre as minhas responsabilidades, sem opacidade e com transparência total. Se errar e tiver de pedir desculpa aos Lisboetas, é o que farei.
20 ORÇAMENTO PARTICIPATIVO
O Orçamento Participativo tem menos de 60 por cento de taxa de execução. Finge servir os lisboetas. Quero construir a nossa cidade com e para os lisboetas, envolvendo-os no processo de decisão e dando-lhes voz sobre o que querem para Lisboa.
21 MUDAR
Felizmente estamos a poucos meses de podermos mudar a presidência da CML, a poucos meses de podermos virar a página deste exercício diário de irresponsabilidade e incompetência. São muitos anos a falhar com os lisboetas.
22 PRESENTE E FUTURO
Quando eu digo que uma cidade pode ser muito mais do que imaginamos, falo de uma cidade que olha para o futuro e que tem as características que eu vi em muitas cidades que olham para esse futuro da ciência, da cultura, mas que tratam dos problemas dos que cá vivem, porque nós não podemos só olhar para o futuro. O presente é aquilo que nós temos e o presente é realmente de toda uma geração que já não consegue viver em Lisboa e isso para mim tem várias soluções. Não há uma solução mágica, há, sobretudo, uma solução de aumento da oferta daquilo que hoje temos. Temos uma câmara municipal com muitos, muitos imóveis devolutos. Estamos a falar de milhares de metros quadrados que podem dar aqui um choque de oferta em que, com mais oferta, os preços diminuem.
23 PESSOAS
Lisboa constrói-se com as pessoas no processo de decisão. Com a participação de especialistas das mais diversas áreas, independentemente da sua ideologia política, ligação partidária ou estrato social. Lisboa faz-se com todos os que nela querem participar!
24 ÁREA METROPOLITANA
A Área Metropolitana de Lisboa representa, em termos de produto interno bruto, algo comparável a um país como a Bulgária ou a Roménia. Estamos aqui a falar de 36 ou 37 por cento do produto interno bruto do país e, portanto, a área metropolitana devia ter uma visão conjunta que hoje não existe. Não existe, por exemplo, na mobilidade em que Medina afirmou que íamos ter, os chamados parques dissuasores. Esses mais de quatro mil lugares nunca aconteceram, porque falta coordenação com os concelhos limítrofes. A AML tem um potencial económico extraordinário, em que a visão conjunta da tecnologia e da cultura devia ser também ao nível metropolitano.
25 CENTRALIDADES
Lisboa não é uma cidade pequena e podíamos ter outras centralidades. Já vamos tendo algumas, como o Parque das Nações, mas há outras zonas da cidade que estão mal aproveitadas e devem ser desenvolvidas. Por outro, temos de olhar para a estadia média – Portugal e, sobretudo, no caso Lisboa, tem um tempo de estadia muito curto. Como é que podemos estender isso? Com “vouchers” para irem a restaurantes, para ficarem mais duas noites nos hotéis. Vamos ter aqui um plano de ajuda que não seja apenas dar dinheiro, mas conseguir transformar a indústria do turismo em Lisboa para um turismo de maior qualidade e que fique mais tempo na cidade. Mas não pode ser o único. Temos de ter um plano que seja o que eu chamo “para além da Web Summit”. Quero lançar esta ideia da fábrica de empresas para Lisboa e isso exige ter a capacidade de desenvolver os negócios em Lisboa de outra maneira.
26 METRO
Acho que um político tem de ter as suas prioridades certas e para mim a prioridade não era a linha circular. Isso é uma escolha política que não teria feito. Depois, essa ligação a Ocidente traria uma das minhas outras prioridades que é a ligação ao rio. Temos de ter uma maneira de ligar toda a parte de Belém ao rio. Se tivéssemos o Metro até Alcântara ou Belém e depois uma linha que não seja a típica linha ferroviária, que cria barulho entre o rio e a cidade, em que as pessoas pudessem passar mais livremente, a relação seria diferente.
27 POLÍTICA
Este é o grande desígnio da minha vida e da minha luta política. Não há maior ambição do que ser presidente de uma câmara. A minha experiência na Comissão Europeia é que os países, de certa forma, estão a enfraquecer, o poder nacional já não conta o que contava e o que hoje conta na Europa são as cidades e a Europa. Aquilo que pode realmente trazer mudança na vida das pessoas são os presidentes de câmara, por um lado, e depois os grandes problemas como a pandemia, a cibersegurança, que são todos a nível europeu.■




