Aves de rapina

O termo “Ave de rapina” é uma conhecida classificação vulgarmente atribuída a várias espécies de aves carnívoras onde se incluem nomeadamente os gaviões, as águias, os abutres e os falcões.

Este tipo de aviões… perdão, aves são essencialmente conhecidas pela particularidade que imprimem ao acto de caçar, raptando para o efeito as suas presas. “Rapina”, como bem sabemos, significa isso mesmo… roubo, saque.

As aves do governo, perdão, de rapina, fazendo-se valer das suas enormes garras, não se contentam com a simples caça, pois (reforço) não resistem a levar consigo as suas presas ou o seu saque.

Numa semana em que tanto se tagarela sobre Falcões e escalas técnicas mas tão pouco se fala ou sequer se reflecte sobre escalas de vergonha, de abusos que roçam a obscenidade e da sobranceria inconsequente que já há muito vêm a extravasar níveis de razoabilidade e de sensatez que se impõem a qualquer membro de um Governo da República, a coisa eleva-se ao nível seguinte, quando se junta um Falcon, um Chefe de Governo Fascista e um Primeiro-Ministro até então anti-Extremista.

António Costa, num só dia, consegue fazer o pleno.

Omite da sua agenda oficial o desvio de uma aeronave da Força Aérea Portuguesa, reservada apenas para circunstâncias bem identificadas, nenhuma das quais prevendo um saudoso e sentido abraço a um conhecido treinador de futebol.

É que, ainda entendendo que possa ter Mourinho em devida conta de “Special One”, Costa insiste em ter-se a si próprio como o Especial de Corrida… e os portugueses secretamente revêem-se em Costa.

Só assim se explica clinicamente a perturbação mental que representa o facto de a maioria dos portugueses ser conivente com o ultraje que a usurpação de um avião pago com os nossos impostos sirva para sentar um Primeiro-Ministro democraticamente eleito, lado a lado e a convite de alguém que pelo menos até à véspera encarna e representa, pela boca do mesmo, todos os adjectivos que jurava diabolizar.

Com particular destaque para o Xenófobo, passando pelo Ditador, virando à esquerda para o Pró-Putin, acelererando para o Extremista, atalhando pelo Homofóbico, entre outros tantos mimos que seguramente terão trocado no aconchego de um Estádio cheio e a pretexto de uma inevitável escala técnica que imagine-se… afinal não o era.

Por altura dos últimos 10 minutos da partida, terá Costa questionado o quão técnica seria a dita escala, decidindo então não ficar para o After Hours.

Não há RSI que pague esta bênção que é ter um Primeiro-Ministro consciencioso.

Que Costa tenha tiques de Ave de Rapina e trejeitos de Falcão das berças já nem é, tristemente, chocante.

Que Marcelo saia uma vez mais em defesa daquele, escassos meses após o feroz e sumarento discurso onde lembrou a todos os portugueses (exceptuando o próprio) que a sua vigilância, qual poderosa arma de destruição massiva, seria desde então perigosamente apertada, também já não é chocante, continuando pelo contrário a dar-nos hoje noites de sono de uma qualidade extraordinária.

Chocante é a incapacidade de indignação ser generalizada.

Chocante é a dimensão do descaramento e do saque ser feito à cara podre.

Chocante é o grau de tolerância à indecência atingir níveis históricos.

Chocante, de facto, é assumir por fim que a submissão e o conformismo estão oficialmente normalizados.

Costa consegue hoje o que nem Darwin alguma vez terá sonhado para a mais exótica das aves de rapina: a especialização no voo planado do abutre, melhorado com o voo em velocidade do falcão, agora turbinado com o twist de um voo acrobático digno do mais retorcido dos gaviões.

E nem de propósito… Sai mais um apoio extraordinário para a mesa do canto para mitigar os efeitos da inflação.

Acordem-me quando sair o apoio extraordinário do eleitorado para um referendo que dê ordem de prisão aos ratos do Largo, já que as ratazanas, não caindo sozinhas da janela, nem para comer servem… por enquanto.

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