“Acórdão infame”. Foi nestes termos que sua excelência, o falso engenheiro José Sócrates, descreveu a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que ordenou que o processo da “Operação Marquês” descesse para o Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para que começasse, finalmente, a ser julgado. Novamente, o “pobre provinciano que andou na política” recorreu e ganhou!
A novela Socrática começou em Novembro de 2014. Assim que aterrou no Aeroporto de Lisboa, vindo de Paris, o antigo primeiro-ministro tinha à sua espera uma escolta policial e jornalística. As imagens de José Sócrates a ser levado no carro das autoridades fez manchetes no dia a seguir, tanto em Portugal, como no estrangeiro. Sim, no estrangeiro: Portugal passava a vergonha de ver um ex-primeiro-ministro ser detido por suspeitas de corrupção.
Parece que foi ontem, mas já passou uma década. Como é que se explica que, 10 anos depois de ter sido detido, José Sócrates ainda não tenha sido julgado? A explicação é um pouco óbvia: o sistema de justiça transformou-se numa verdadeira teia de aranha: quanto mais tempo passamos no interior deste sistema, mais facilmente conseguimos enrolar e enrolar e enrolar a teia, deixando todos presos à mesma teia.
Senão, vejamos. Detido há dez anos e sem o julgamento ter tido sequer início, José Sócrates já se deu ao luxo de pedir o afastamento de quase 40 juízes. Dezenas de recursos e reclamações têm permitido atrasar o processo referente à “Operação Marquês” e, neste momento, ninguém sabe quando – e se – o julgamento terá, efectivamente, início.
José Sócrates, antigo primeiro-ministro do Partido Socialista. António Costa, ex-primeiro-ministro do Partido Socialista. O primeiro foi detido e esteve preso preventivamente, aguardando, dez anos depois, que se inicie o julgamento do caso em que se viu envolvido. O segundo demitiu-se do cargo depois de terem sido realizadas buscas na sua residência oficial, em São Bento, e de terem sido encontrados 75 mil euros, em notas, escondidos em garrafas de vinho, por exemplo.
Aposto que está a pensar: “os socialistas são assim, só sabem roubar o povo”. Não é mentira, porém, a corrupção, seja passiva ou activa, não está reservada apenas aos socialistas. E quando falo aqui em corrupção falo também em outros crimes de natureza financeira e económica, como é a participação económica em negócio, o tráfico de influências, o peculato e o abuso de poder, entre tantos outros. Mas desengane-se se acha que só o PS tem os seus políticos envolvidos nestes escândalos que envergonham a classe política. Do lado do PSD temos nomes bem conhecidos do grande público como é o caso de Arlindo de Carvalho (antigo ministro da Saúde), Campos Ferreira (ex-secretário de Estado), Artur Trindade (ex-secretário de Estado), entre muitos outros que não vou referir sob pena de ocupar por completo o espaço que ainda me resta para escrever.
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