O período de ouro do crescimento de Portugal

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Miguel Mattos Chaves

Estou, como cidadão português, farto das mentiras absurdas de pessoas que tenho dificuldade em considerar como compatriotas – pessoas que contaram, e continuam a contar, histórias mentirosas sobre o meu País e sobre o seu passado. Depois de na edição anterior ter desmascarado a atoarda de que a 2ª República (1926-1974) foi um regime “fascista”, ocupo-me hoje de outra mentira: aquela que pretende que o Estado Novo correspondeu a um período de atraso e isolamento de Portugal.

Outra das mentiras em voga é a de que a 2ª República significou o atraso do País aos níveis económico, cultural, social e educacional. Vejamos então se assim foi na realidade. E com isto não estou a dizer que o Regime da 2ª República ou Estado Novo fosse isento de defeitos, como qualquer regime….

Vamos, caros concidadãos, analisar os números de entidades insuspeitas, como a OCDE, Banco Mundial, para além do Banco de Portugal:

O que se verificou foi que Portugal teve a maior taxa de crescimento do PIB, por habitante, da Europa. No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil mundial passou dos 101,2 para os 80,4 e na zona Europa/América de 30,8 para 20,6. A taxa de analfabetismo mundial desceu dos 53.9% para os 42.4%, tendo na zona Europa/América passado dos 15.8% para os 14.3%.

Outros indicadores evolução de Portugal: A taxa média de desemprego rondou os 2% na década de 1960. Os défices públicos andaram sempre abaixo do 1% do PIB. A inflação foi sempre rigorosamente controlada, tendo apresentado valores médios de 2,3% ao ano durante o período compreendido entre 1950 e 1970. No período seguinte (1970/1974) subiu para os 7% devido ao efeito da 1ª grande Crise Petrolífera Mundial (por exemplo, o litro de gasolina super subiu em dois meses de 5$50 para 9$50 e depois para 12$50; o barril de petróleo subiu nesta altura de 3 USD por barril para mais de 30 USD o barril).

Os números falam por si. Daí que se chame, também em Portugal, a este período “o período de ouro” do crescimento da economia portuguesa. A Europa do pós-guerra toda ela crescia a níveis elevados, e Portugal acompanhou esse crescimento. Acontece que Portugal partiu mais de trás que os seus parceiros do continente e, portanto, para chegar aos níveis destes, levará mais tempo do que se tivesse partido de bases semelhantes. Contudo, reduziu-se a distância que nos separava dos mais ricos e desenvolvidos.

Significativo. Números são números. E ainda por cima de fontes insuspeitas. Eis os resultados que os Comunistas e Socialistas ainda tentam negar.

Ambiente internacional 1948/1974

Portugal estava isolado, política e diplomaticamente, do resto do Mundo? Vejamos os factos:

No pós-guerra, Portugal estava com o seu prestígio intacto. A Inglaterra devia a Portugal cerca de 80 milhões de libras, mas não tinha condições, na altura, para as pagar. No entanto os ingleses, correctamente, concordaram em obrigar-se, além dos juros, a uma cláusula ouro, que actualizava a dívida em função do preço do referido metal precioso.

Portugal pretendia recuperar a soberania plena das bases dos Açores, o que conseguiu. Pretendia ser parte, como membro de pleno direito, das Organizações Internacionais relevantes. O princípio afirmado e anunciado publicamente, pelo Presidente do Conselho, era o de que Portugal deveria colaborar lealmente com os seus aliados, no limite das suas possibilidades. Mas também era claramente dito que Portugal deveria defender-se de quaisquer tentativas que pudessem afectar a sua soberania.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.