Números do PIB e do desemprego podem ser ilusórios

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Compras e deflação

O crescimento do PIB é fictício, notado apenas nas folhas de cálculo daqueles que – por interesse – mudaram as regras do jogo.

Mais certo é que o índice de vendas no comércio a retalho registou uma variação homóloga positiva de um por cento em Julho, enquanto o emprego, as horas trabalhadas e as remunerações evoluíram 0,2, -0,5 e 1,2 por cento, respectivamente, segundo o INE.

Em Junho, a variação homóloga das vendas no comércio a retalho tinha sido negativa em 0,5 por cento, sendo que nos índices de emprego, horas trabalhadas ajustadas de efeitos de calendário e remunerações foi de 0,1, -2,2 e 1,8 por cento, pela mesma ordem.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a variação do índice de volume de negócios no comércio a retalho foi determinada pelo índice do agrupamento de produtos não alimentares, que passou de uma taxa de variação homóloga de 0,9 por cento em Junho para 2,8 por cento em Julho.

Boas notícias? Talvez não. Sobretudo se tivermos em conta que Portugal está à beira da deflação. Os preços estão a baixar. Se há deflação, o valor das dívidas aumenta e isso é terrível para a economia portuguesa. Além de que, se os preços estão a baixar, o incentivo para o investimento desaparece.

Mais, a taxa de inflação anual na zona euro deverá recuar para os 0,3 por cento em Agosto, um ponto abaixo em relação ao mês passado, segundo a estimativa rápida divulgada pelo gabinete oficial de estatísticas da União Europeia.

Segundo dados do Eurostat, o sector dos serviços deverá ser aquele que regista a taxa anual mais elevada em Agosto (1,2 por cento, contra 1,3 por cento em Julho), seguido dos sectores dos bens industriais excluindo a energia (0,3%, contra 0,0% no mês anterior), da alimentação, álcool e tabaco (-0,3%, estável face a Julho), e da energia (-2,0%, face a -1,0% no mês anterior).

Os valores finais para o mês de Agosto da taxa de inflação anual (a variação do nível de preços entre um mês e o mesmo mês do ano anterior) serão divulgados pelo Eurostat a 17 de Setembro.