Volume V das “Obras Escolhidas” de Manuel Ferreira Patrício

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No volume V das “Obras Escolhidas” de Manuel Ferreira Patrício, que cobre o período de 2007 a 2010, um período igualmente fecundo (o que decerto se explica por o nosso autor se ter entretanto libertado das suas funções reitorais), começamos por dar destaque aos seus textos publicados na Revista NOVA ÁGUIA (o que também acontece no sexto e último volume desta Colecção).

Fazemo-lo por uma única mas (ainda assim) suficiente razão: nestes textos (ao todo, mais de duas dezenas) emerge muito claramente uma dimensão “nova” do seu pensamento: falamos da sua reflexão sobre a importância da “Lusofonia” enquanto, sobretudo, bloco geocultural e, por isso, bloco geopolítico, fundamental para o futuro histórico de Portugal, leia-se, para o futuro histórico da nossa Língua e Cultura. Nestes textos, de forma muito clara, Manuel Ferreira Patrício emerge como um dos pensadores portugueses contemporâneos que mais lucidamente assume a importância da “Lusofonia”.

Essa dimensão não é completamente “nova” porque, em toda a sua obra, podemos verificar o quanto Manuel Ferreira Patrício sempre afirmou a essencial relação entre Pensamento, Língua, História e Cultura. A sua própria concepção de “Escola Cultural” também denota essa essencial relação. E o mesmo se diga da sua valorização da Filosofia Portuguesa, precisamente enquanto corrente que parte dessa essencial relação entre Pensamento, Língua, História e Cultura.

Eis, de resto, o que se confirma em muitos dos mais de meia centena de textos que aqui coligimos, desse período. Os filósofos portugueses que Manuel Ferreira Patrício mais valoriza são aqueles que, de forma mais ou menos explícita, mais afirmam essa essencial relação. Inversamente, os filósofos portugueses menos valorizados são aqueles que mais expressamente a renegam: caso, paradigmático, de António Sérgio. Há pois uma absoluta coerência em Manuel Ferreira Patrício, na sua vida e no seu pensamento – a primazia dada à Cultura determina as suas posições quanto à Escola e à Educação, as suas posições filosóficas e, inclusivamente, as suas posições políticas: caso do seu assumido não-marxismo.

Essa primazia que concede à Cultura não faz com que a posição de Manuel Ferreira Patrício seja, no entanto, estritamente “culturalista”. Há uma dimensão espiritual e metafísica que, se bem que enquadrada culturalmente, não se reduz ao estrito plano cultural. Eis o que igualmente se reafirma em alguns destes textos – onde o Autor, nas palavras de Samuel Dimas, “vai acrescentar às noções de razão poética e de razão mítica a noção de razão mistérica, para pensar analogicamente e teleologicamente a experiência saudosa do mistério da Origem que é, ao mesmo tempo, saudade do futuro que preanuncia a espiritualização cósmica, de acordo com o espírito d’A ÁGUIA e da NOVA ÁGUIA traduzido na imagem de Jano bifronte”. ■

Edição do MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Para encomendar: info@movimentolusofono.org