Vivemos num País onde muitos dos nossos concidadãos não conseguem compreender que discordar não é o mesmo que atacar

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A ditadura do “politicamente correcto”, as campanhas mediáticas da esquerda e as lavagens ao cérebro dirigidas pelos radicais bem tentam torcer a realidade em seu favor. Mas, no momento do voto, é sempre a maioria silenciosa quem mais ordena.

António Costa parecia o herdeiro do trono. Embora não o dissesse expressamente, a generalidade da imprensa já o tratava como “primeiro-ministro em espera”. Mal chegou à liderança do seu partido, após uma valente facada nas costas de António José Seguro, exigiu eleições antecipadas, só tendo recuado aquando da prisão de José Sócrates.

Mas, mesmo assim, António Costa parece o homem prometido, e assumiu a posição triunfalista dos prometidos, sempre propagandeada pelos Media nacionais. O azar, para ele, é que o único voto que conta é o que é preenchido em segredo, no dia das eleições. E até lá tudo pode acontecer.

Mas isso não significa que a máquina de guerra mediática da esquerda vá parar.

Quão livres somos? Somos livres de exprimir uma opinião controversa sem medo de represálias? Talvez não. Vivemos num País onde muitos dos nossos concidadãos não conseguem compreender que discordar não é o mesmo que atacar. Em muitos países, apesar de se discordar dos pontos de vista do adversário, concorda-se em respeitar a dignidade das pessoas com quem não se concorda.

Em Portugal, a oposição de esquerda não vê quem discorda dela como adversário, mas sim como inimigo, monstro que não possui qualquer virtude, ser desumano que deve ser derrotado, humilhado, espezinhado pelo “crime” de ter ideais diferentes. Talvez por isso, em Portugal geralmente discutem-se pessoas, e não ideias.

Narrativas e ameaças

No dia 31 de Janeiro, uma deputada da Nação Portuguesa, Isabel Moreira, eleita pelo Partido Socialista (e, por sinal, filha de Adriano Moreira, noutros tempos ministro do Ultramar), publicou no semanário ‘Expresso’ um artigo de opinião em que chamava ao chefe do Governo da República Portuguesa “ignorante”, acusando-o ainda de “não ter qualquer espírito patriótico”.

O “crime” de Pedro Passos Coelho, aos olhos da parlamentar, era discordar dela sobre o suposto “saldo positivo” das eleições gregas, e por isso o acusou de não ter “qualquer espírito de Estado”. A verdade é que, independentemente da sua opinião sobre as eleições na Grécia, Passos Coelho enviou cordatamente os parabéns ao novo primeiro-ministro grego, cumprindo a sua função institucional, enquanto a exaltada deputada trata o primeiro-ministro português, legitimamente eleito pelo povo, por “tu”.

Mas os insultos e agressões por parte da esquerda portuguesa são tristemente comuns. Mário Soares é talvez o seu expoente máximo. Blindado pela imunidade legal que o seu cargo de Conselheiro de Estado lhe concede, Soares tenta constantemente usar a agressão verbal para construir uma “narrativa” em que Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho são vilões que estão a conspirar para destruir Portugal e para destruir José Sócrates, que na mesma “narrativa” é um mártir da pátria. O líder histórico dos socialistas até se dá ao luxo de ameaçar o magistrado que mandou deter José Sócrates, avisando: “o juiz Carlos Alexandre que se cuide”. Este, não caindo na armadilha mediática de Soares, recusou apresentar queixa.

Os marxistas operam numa lógica similar à do antigo Presidente da República. Ainda mal os resultados das eleições de 2011 tinham sido contados, e já havia cartazes nas cidades portuguesas a defender a derrota da “política de direita”. O objectivo ficou claro: não é discutir nem debater, é apenas gritar mais alto.

Medo e racismo

A “espiral do silêncio” é um conceito sociológico introduzido pela alemã Elisabeth Noelle-Neumann. A ideia-base é que o indivíduo, com algumas notáveis excepções, receia o isolamento, especialmente aquele que pode advir do risco de a sociedade o excluir por causa das suas opiniões ou ideologia.

Olhando para a agressão política e mediática que a esquerda opera sobre os seus adversários, podemos compreender como um indivíduo em Portugal pode ter receio de emitir opiniões que vão contra o “normal”. Graças ao seu mediatismo, a esquerda-caviar controla uma fatia da opinião pública muito maior do que a sua real proporção de genuíno apoio popular.

Recentemente, uma nova forma de alimentar a ilusão de um enorme apoio popular foi a criação de inúmeros partidos e movimentos radicais, cada um com apenas um punhado de militantes. Gritando mais alto do que os restantes, os radicais tentam criar medo nos seus opositores. Nos Estados Unidos, afligidos por um sério conflito racial, o medo dos cidadãos de serem perseguidos pela polícia do “politicamente correcto” é tão poderoso que o pobre mortal comum tudo faz para evitar o labéu, na grande generalidade dos casos injusto, de “racista”.

Quando um negro e um branco competiram para o cargo de Governador da Califórnia, uma enorme fatia do eleitorado branco respondeu que estava indeciso, ou então que pretendia votar no candidato negro, apesar de na verdade discordar do seu projecto político. O objectivo era evitar a perigosa conotação com “racismo”.

O resultado final foi que o candidato negro obteve uma significativa vantagem nas sondagens, mas depois perdeu a eleição.

Maioria silenciosa

Recentemente, durante o referendo sobre a independência da Escócia, os radicais do Partido Nacional Escocês (que, apesar do nome, é de cariz socialista) conseguiram apresentar a “causa independentista”, apesar de potencialmente catastrófica para os próprios escoceses, como algo “chique”. Vários actores e celebridades, muitos dos quais nem sequer vivem na Escócia, colaram-se à campanha anti-Reino Unido. Os radicais ainda sonharam com a vitória, pois as sondagens chegaram a dar-lhes uma vantagem confortável face aos lealistas. A campanha parecia renhida, até o “Não” vencer com uma margem decisiva de 10%.

150px-Mai_68_debut_d'une_lutte_prolongeeOutro exemplo extremo foi o Maio de 1968 em França. Incentivados e enganados por agitadores marxistas, os trabalhadores franceses pararam a Nação, nessa altura liderada pelo general De Gaulle. Os agitadores quase fizeram o país acreditar que a maioria da população queria a revolução socialista mas, no fim, quem reuniu a maior manifestação de sempre em França foram os conservadores apoiantes do General De Gaulle.

Nas eleições legislativas realizadas quase imediatamente a seguir aos eventos do Maio de 68, o partido gaulista “União para a Defesa da República” conquistou uma enorme maioria dos votos e dos assentos na Assembleia Nacional Francesa.

O partido liderado por “mon ami Mitterrand” ficou reduzido a pouco mais de 50 deputados, e os comunistas, que se achavam à beira da vitória, apenas conquistaram 30. A “revolução” havia sido morta na urna e a partir desse momento ficou patente a força escondida da maioria silenciosa.

Gritar mais alto

Em Portugal, os radicais marxistas tiveram tanto medo de que o povo não partilhasse das suas ideias utópicas, que tentaram impedir a realização de eleições. De facto, a eleição da Assembleia Constituinte só aconteceu um ano depois do golpe de 25 de Abril. Antes, já o Presidente da República António de Spínola tinha tentado reunir um movimento democrático e moderado para salvar Portugal da opressão comunista.

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A “liberdade de expressão” da esquerda

No que pode ser descrito como o primeiro pecado do regime de Abril, a manifestação da “Maioria Silenciosa” foi proibida por Otelo Saraiva de Carvalho, um major do Exército então à frente do todo-poderoso Comando Operacional do Continente (COPCON). E o primeiro-ministro radical, Vasco Gonçalves, declarou aos gritos a “vitória sobre a reacção”. Por “reacção”, note-se, Gonçalves referia-se a uma manifestação pacífica de apoio a uma figura política. A liberdade de expressão nasceu coxa em Portugal.

Hoje o mundo está diferente, mas a táctica é a mesma: “gritar mais alto” para silenciar os adversários. Infelizmente para os radicais, a manobra continua a não funcionar: o pacato cidadão pode passar a sua vida silencioso, mas no dia do sufrágio é livre de votar como quer, em quem quer, sem o controlo de ninguém. Talvez seja por isso que o PCP prefira votações de braço no ar, onde a comunidade se pode “autocriticar”.

Talvez também seja por isso que, apesar de todo o circo mediático que está a ser criado, António Costa faz mal em adoptar a postura triunfalista: a História mostra que nem sempre tudo corre como planeado.

Vitória “certa”

O ano é 1992, e o primeiro-ministro conservador do Reino Unido, John Major, está em campanha pela reeleição. O seu partido está no poder há 13 anos, um voto de confiança que os eleitores lhe deram durante 4 eleições consecutivas. Um voto de confiança no partido que resgatou a Grã-Bretanha das garras do caos socialista para lhe devolver a dignidade.

Apenas alguns anos após os eventos do infame Processo Revolucionário em Curso (PREC) em Portugal, o Reino Unido, outrora o maior Império do mundo, teve de pedir ajuda financeira ao FMI, fruto do esbanjamento do Partido Trabalhista, o PS britânico, bem como do radicalismo marxista. A nação parecia moribunda. Em 1979, enquanto o lixo apodrecia nas ruas por falta de recolha, e os corpos se decompunham nas morgues, porque os coveiros estavam em greve, o povo deu um voto de confiança aos conservadores. A ordem social foi reposta, para júbilo da vasta maioria dos britânicos.

Mas a memória do eleitorado pode ser curta, 13 anos é muito tempo e tudo indicava que a esquerda iria ganhar as eleições de 1992. Esquerda essa que vinha a exigir eleições antecipadas desde 1990, pois ia bem nas sondagens, embora o governo, por esta altura já liderado por Major, tivesse recusado as exigências socialistas. À medida que a data do sufrágio se aproximava, o líder dos trabalhistas multiplicava-se em comícios gigantescos em que se exultava de triunfalismo. Anúncios televisivos prometiam um futuro ridente sob o governo socialista, incluindo a revogação de muitas das medidas do Executivo conservador. O líder trabalhista actuava como se já tivesse ganho o sufrágio, reunindo com representantes da economia e do mundo laboral numa pose impaciente de primeiro-ministro “designado”.

Humildade

Ninguém dava muito por John Major, um humilde cavalheiro inglês com reputação de honestidade, mas com grande falta de carisma. Um pouco como com o actual primeiro-ministro: a esquerda-caviar não perdia uma oportunidade de lhe criticar a humildade.

Nada diferente do caso de Passos, que figuras da esquerda como Raquel Varela descrevem depreciativamente como um “morador suburbano” que usa um “fato de alfaiate de segunda” e que “cultiva, como Cavaco Silva, um estilo austero e humilde, na roupa, nos lugares onde moram”. Major não renegou as suas origens humildes, aliás abraçou-as, e ficou para a história a cena do político a discursar em cima de uma caixa de madeira, no meio da rua, sem seguranças, rodeado de apoiantes por um lado, e de agitadores de esquerda do outro.

Atiraram-lhe comida podre à cara, cuspiram-lhe em cima, ameaçaram-no fisicamente numa demonstração da “tolerância” pela liberdade alheia tão própria do radicalismo de esquerda. O Partido Conservador de Major perdia em todas as sondagens, mesmo até nas sondagens à boca das urnas. O Partido Trabalhista estava preparado para proclamar vitória quando recebeu a notícia de que perdera a eleição. Os conservadores obtiveram uma nova maioria absoluta. David Cameron conseguiu, muito recentemente, repetir esta proeza.

Sondagens furadas

Em Portugal, o exemplo mais aproximado do que aconteceu nesta fatídica eleição no Reino Unido talvez sejam os resultados eleitorais do CDS-PP. O líder conservador, Paulo Portas, geralmente não dá grande importância às sondagens: em 2005 afirmou mesmo que os grupos que fazem estes “estudos de opinião” têm “dificuldade em detectar o eleitorado do CDS”.

Neste sufrágio em particular, que fica para a História por ter dado poder quase absoluto ao antigo residente da cela número 44 do Estabelecimento Prisional de Évora, estava “previsto” que os centristas ficassem atrás do Bloco de Esquerda, como quinta força política. Uma sondagem mostrava mesmo o colapso total do eleitorado do partido, ficando com apenas 4% do voto. Foi anunciado o regresso do “partido do táxi”. Mas, no dia do sufrágio, não foi isso que se verificou: o CDS apenas perdeu dois deputados, apesar de tudo uma queda ligeira tendo em conta a poderosa ofensiva publicitária e mediática que José Sócrates e o seu partido orquestraram.

Casos similares aconteceram em 2002, quando o partido obteve 8,7% enquanto que todas as sondagens lhes davam entre 5% e 6%, e em 2009, em que obteve 10% depois de as sondagens “preverem” sempre entre 6% e 8%.

“Conservador tímido”

Embora de forma menos pronunciada, devido ao seu maior tamanho e poder, o mesmo acontece com o PSD. Nas eleições de 2011 chegou-se a prever que os social-democratas “empatariam” com José Sócrates, e quase todas as sondagens tiraram 2 pontos percentuais ao resultado que o PSD acabou por ter. A maioria absoluta da coligação apareceu quase como uma surpresa.

O que está a acontecer em Portugal é algo sobre o qual os sociólogos britânicos já se debruçaram depois das eleições gerais no Reino Unido de 1992. A sua conclusão: o eleitorado dos partidos de direita sofre do “síndrome do conservador tímido”, uma “doença” de cariz político causada pela pressão do “politicamente correcto” e da ofensiva mediática da esquerda. Tanto o PS como os radicais marxistas apregoam a “democracia de Abril” ao mesmo tempo que defendem que o regime é sua propriedade.

Isto é: como o texto original da Constituição de 1976 estipulava no seu preâmbulo, somos todos livres de escolher e defender a nossa ideologia – desde que esta seja socialista.

  • Goias Goias

    Nos últimos 100 anos tivemos 7 anos de “Ditadura Nacional” (Direita) 41 anos de Estado Novo (direita) mais 4 anos de AD (direita) mais 10 anos de PSD com Cavaco Silva (direita) mais 2 anos de Barroso (direita) mais 4 anos de PSD-CDS Passos/Portas (direita). Pelo menos então 68 anos de direita em 100 anos. Desde o 25 de Abril já foram 20 anos de direita. Metade do tempo.