Guerra do Acordo Ortográfico já começou a fazer feridos

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João Filipe Pereira_PBJOÃO FILIPE PEREIRA

Os defensores do português e oposicionistas a um decreto que estipula a alteração gráfica (e, consequentemente, sonora) da língua portuguesa eram vistos como os “Velhos do Restelo”. Um grupo – por ventura, de meia dúzia – que teimava que este “acordo” (sim, leram bem, “este acordo”) era um desastre.

Ninguém lhes deu ouvidos. Todos os partidos políticos acobardaram-se. Nota de mérito para os centristas Ribeiro e Castro e Michael Seufert que nunca se calaram, sofrendo internamente com a luta que abraçaram. Uma vergonha. O sistema mina mesmo aqueles que querem pensar diferente.

Parece que de repente tudo mudou. Durante muitos meses houve aqueles que estavam contra o acordo, aqueles que se estavam a borrifar para o acordo (e para a língua portuguesa, para a política e, convém dizer, para tudo o que seja parte da sociedade) e aqueles que estavam contra quem estava contra o acordo. Agora, porém, parece haver um grupo que tenta posicionar-se a favor do “acordo”. De facto, não argumentando a favor do acordo, mas atacando violentamente quem argumenta contra o dito. Não pense o leitor que é um caso menor. Estamos a falar de grupos com mais de 60 mil pessoas envolvidas.

Esta rixa começou na internet e a “guerra” está instalada com ataques ferozes de parte a parte. Pode ver tudo no grupo “Em aCção contra o Acordo Ortográfico”, na rede social de Mark Zuckerberg, Perfis eliminados do Facebook e, mais tarde, repostos, ameaças de avanços para a Justiça por parte dos que estão contra quem está contra o acordo – como se a Justiça fosse arma de arremesso e de ameaça! – ou ataques através de páginas anónimas… Vale de tudo um pouco. Aquilo que andava em surdina começa a ganhar contornos perigosos.

Quem defende a língua portuguesa já se começa a posicionar nas ruas. A “guerra” do ‘online’ passará para o domínio público – onde terá o devido impacto.

O que a nossa classe politiqueira tem a dizer a isto? Nada!

Os nossos políticos andam a distraídos sobre quem chamou ou não a ‘troika’. Pois bem, eu respondo: quem chamou a ‘troika’ foi o PS. Foi um José Sócrates “convencido” por Mário Soares e Teixeira dos Santos quem pediu a famosa “ajuda internacional”. Foi um José Sócrates tramado por um Passos Coelho que tinha sido ameaçado por Marco António Costa quem chamou a ‘troika’.

Agora que estamos esclarecidos, podemos discutir a herança-mãe que vamos deixar aos nossos descendentes: a língua? Podemos dar voz a quem quer um referendo? Que cobardia nacional é esta em que os deputados não acatam a voz do povo?

Os “criadores” deste “acordo” já anunciaram em público que há falhas graves na estrutura do mesmo. Se não querem ouvir quem está contra, ouçam os imbecis que o impingiram.

Os jornais que aderiram ao “acordo” tendem a calar-se. A vergonha – ou a falta dela – a isso obriga.

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  • Isabel Vaz Antunes

    Só um detalhe: o novo acordo ortográfico não vem alterar NADA à sonoridade da nossa língua. Aliás, como em todas as outras situações anteriores, veio apenas reforçar a relação entre a sonoridade das palavras e a sua escrita. Não sendo defensora acérrima do novo acordo, reconheço a sua lógica. Vejo, no entanto, alguma leviandade neste artigo… e também frases mal construídas…