COVID-19 Afinal, a culpa é nossa…

Só Costa diz que preparou o País para enfrentar a pandemia de Covid-19. Diz, mas ninguém acredita.

O primeiro-ministro rejeitou a ideia de que o Governo não preparou o País para a segunda vaga da pandemia de Covid-19 no Outono-Inverno, defendendo que há agora mais meios de atendimento e mais profissionais de saúde. Estas posições foram publicadas por António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter.

Ao estilo da pior propaganda político-partidária, Costa refere que em Março passado, no início do surto da Covid-19 em Portugal, a linha SNS24 podia atender até dez mil telefonemas, mas agora “tem capacidade para mais de trinta mil”. No que respeita à capacidade de testagem, o primeiro-ministro aponta que em Março passado a média diária era de 2.578, sendo hoje de 35.348.

Tal como já havia afirmado na entrevista que concedeu à TVI, o líder do Executivo defende em seguida que as camas de unidades de cuidados intensivos para doentes Covid-19 passaram de 433 em Março para 704 – e, acrescenta, esse número poderá subir para 944 “com desmarcação de actividade programada”. Ou seja, pondo em sofrimento e em risco todos os doentes que não padecem de Covid mas de outras patologias, António Costa prepara-se para voltar a prejudicar muitos milhares de portugueses.

Entretanto, a directora-geral da Saúde advertiu que as refeições fora do núcleo familiar básico são “um momento de alto risco” para o contágio com Covid-19, lembrando que cerca de 70% dos casos ocorrem em convívios familiares ou sociais. Graça Freitas chamou a atenção para “um momento extremamente crítico” dos convívios familiares ou sociais, que são as refeições onde há partilha de bebidas e comida. “É um momento de grande descontracção, de grande proximidade e, obviamente, não estamos a usar máscara”, salientou.

Esta declaração está em completa consonância com a “explicação oficial” decretada por António Costa e difundida pelo próprio em várias entrevistas dadas no início desta semana. Segundo o chefe socialista, o surto de novos casos de Covid-19 dever-se-ia a “contactos familiares”. O grosso da situação “depende do comportamento das pessoas”, insistiu o primeiro-ministro numa entrevista à TVI – sem explicar de que forma as famílias poderiam reduzir os contactos entre os seus membros. Só fechando-se cada um num quarto da casa, sugerimos nós. E mesmo assim…

Esperança na vacina

Entretanto, a Pfizer anunciou estar já em fase muito adiantada a produção de uma primeira vacina do Covid-19. A farmacêutica norte-americana Pfizer e a alemã BioNTech garantiram no início desta semana uma eficácia superior a 90 por centro no tratamento, que está na terceira e última fase de testes. Com isto, existe a convicção de que a vacina poderá começar a ser distribuída em Dezembro ou Janeiro.

O anúncio foi feito por Anthony Fauci, diretor do Instituto Americano de Doenças Contagiosas, ao canal “CNN”. As primeiras doses de vacinas poderão estar finalizadas em breve e irão ser administradas, numa primeira fase, apenas nos Estados Unidos.

Nos ensaios clínicos realizados, a eficácia desta vacina está a ser demonstrada ao sétimo dia depois da segunda dose, e ao 28º logo após a primeira dosagem. A vacina Pfizer/BioNTech é uma das dez vacinas em todo o mundo que já estão numa fase final de testes. O estudo foi realizado com mais de 43 mil voluntários. 

No que se refere à comercialização, Ryan Richardson, chefe de estratégia da empresa alemã de biotecnologia, declarou: “Tentámos prosseguir uma abordagem equilibrada que reconhece que a inovação requer capital e investimento, pelo que planeamos fixar o preço da nossa vacina muito abaixo das taxas de mercado típicas, reflectindo a situação em que nos encontramos e com o objectivo de assegurar um acesso alargado em todo o mundo”. 

Cientistas de todo o mundo têm recebido a notícia com um ‘otimismo cauteloso’. No entanto, pode ser um grande passo para que uma vacina seja finalmente aprovada, uma vez que os ensaios realizados mostraram um desempenho muito superior face aos restantes candidatos. Os reguladores já afirmaram várias vezes que bastaria que a eficácia fosse de 50% para obter aprovação.

A União Europeia vai assinar um contrato até 300 milhões de doses desta vacina, revelou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no início desta semana.

Efeito devastador 

nas economias

A OCDE é clara. A pandemia aumentou o risco de “colapso do sistema de financiamento ao desenvolvimento” das nações mais frágeis, mas os países doadores “têm a obrigação” de reforçar este apoio. De acordo com o relatório “Global Outlook on Financing Sustainable Development 2021: A New Way to Invest for People and Planet”, cerca de “90 países em vias de desenvolvimento encontram-se em recessão económica” e “150 milhões de cidadãos” poderão ser “atirados para uma situação de pobreza extrema” ainda este ano por causa da pandemia.

A publicação divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) explicita que antes da crise pandémica estes países “já se deparavam com uma lacuna financeira de 2,5 biliões de dólares” para conseguirem cumprir os 17 objectivos de desenvolvimento sustentável.

A pandemia veio agravar este hiato, que a OCDE estima ser agora de 4,2 biliões de dólares, e resulta não só do “agravamento das necessidades financeiras” destas nações na ordem de 1,7 biliões de dólares, mas também da quebra de investimento directo estrangeiro e de remessas de emigrantes em 700 mil milhões, e do aumento em um bilião de dólares das despesas associadas à gestão e resposta à covid-19. Por isso, a OCDE adverte para o “risco de colapso do sistema financeiro ao desenvolvimento”.

Contudo, apesar dos obstáculos ao investimento provocados pela pandemia, o relatório explicita que os países que integram esta organização “têm a obrigação” de reforçar o apoio financeiro aos Estados “mais frágeis, tanto na gestão da crise sanitária, como na recuperação económica” – que terá de estar em pé de igualdade com o combate às desigualdades e às alterações climáticas.

Os objectivos da OCDE

A OCDE recomenda a “mobilização de mais ajuda pública ao desenvolvimento”, uma abordagem sistémica da dívida dos países mais pobres, o aumento de mecanismos de investimento privado, e o alinhamento de todo o financiamento público e privado com os objetivos de desenvolvimento sustentável.

Os Estados que integram a OCDE também têm de “suprir a lacuna de 4,2 biliões de dólares” no financiamento ao desenvolvimento. O relatório especifica que há “cerca de 379 biliões de dólares de activos financeiros geridos por bancos, investidores institucionais, mercado de capitais e gestores de activos financeiros”. “Logo, bastaria que 1,1% desses activos financeiros fossem anualmente alocados a projectos dedicados ao desenvolvimento sustentável para que aquele défice fosse suprido”, completa o relatório.

Os 17 objectivos de desenvolvimento sustentável são: erradicar a pobreza; erradicar a fome; saúde de qualidade; educação de qualidade; igualdade de género; água potável e saneamento; energias renováveis e acessíveis; trabalho digno e crescimento económico; indústria inovação e estruturas; reduzir as desigualdades; cidades e comunidades sustentáveis; produção e consumo sustentáveis; acção climática; proteger a vida marinha; proteger a vida terrestre; paz, justiça e instituições eficazes; parcerias para a implementação dos objectivos. ■

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