O PS de hoje e o do tempo de Sócrates é exatamente o mesmo. Não há fosso nenhum repentino entre eles, ao contrário do que os dirigentes do PS e o próprio Sócrates nos mentem, em dueto coordenado. Sócrates é um mentiroso compulsivo, que tanto mente sobre o cofre da mãe, como sobre a sua relação actual com o PS. A verdade é que Sócrates e PS estão mancomunados e beneficiam ambos de impunidade, protegendo-se mutuamente, sem denunciarem nada do muito que sabem do passado e presente uns dos outros. O PS de hoje continua os mesmos vícios socráticos governativos que levantam suspeitas sobre corrupção, por exemplo nas energias renováveis e nos negócios imobiliários dos bancos pagos pelos contribuintes, escudando-se das consequências através da mesma manipulação da Justiça.
Há novos magistrados Pintos Monteiros, úteis ao PS como no período de Sócrates. Nada mudou. O governo socialista é composto pela mesma gente, com as mesmas práticas e resultados que tinha com Sócrates: mão estendida para ajuda internacional, seja ela “Troika” ou “Bazuka”. António José Seguro, com uma honestidade heroica e quase solitária no topo do PS, conhecendo profundamente o PS socrático-costista, denunciou que aquele era um partido invisível, que misturava negócios ruinosos e inviáveis com política, levando-nos à bancarrota.
Pedro Nuno Santos, João Galamba, Ana Catarina Mendes, Mariana Vieira da Silva, Pedro Delgado Alves, Duarte Cordeiro e demais figuras da nova geração no topo do PS, que sempre elogiaram Sócrates (aliás muitos deles foram escolhidos por Sócrates), não hesitaram um segundo em colocar-se do lado de Costa contra Seguro. Sabiam bem que o que queriam era a sinistra continuidade socrática e não um corte que trouxesse uma revolução ética e reformista. Não queriam limpeza, queriam manter o PS sujo.
Rodearam-se dos velhos “mestres” socráticos, que nada trariam e não trouxeram de novo a Portugal, apenas mais do mesmo do que houve com Sócrates: Augusto Santos Silva, Ferro Rodrigues, Eduardo Cabrita, Viera da Silva, Carlos César, Ascenso Simões, José Magalhães, etc.
A comunicação social, pressionada pelo PS, não está a anunciar a manifestação de 25 de Abril, no Porto, contra a corrupção, tal como ocultaram, no passado sábado 17 de Abril, a manifestação em Lisboa intitulada “Nojo, Vergonha, Corrupção.” Isto são sinais claros que o PS tem medo da população estar farta da justiça conivente com corrupção, feita por magistrados nomeados ou influenciados pelo PS.
O juiz Ivo Rosa ilibou o antigo Primeiro-ministro e Salgado da maior parte dos crimes, invocando um acórdão pró-corrupção do Tribunal Constitucional – com o aroma fétido da podridão do pântano do PS – feito a meio da investigação do processo por um juiz relator do PS e beneficiando Sócrates. Foi assim que os crimes de corrupção agora, a meio do jogo, de repente, passaram a prescrever ainda mais cedo do que de costume. A corrupção em Portugal prescreve mais rápido que a própria sombra! Ironicamente, podíamos sugerir que já faltou mais para, por cortesia dos juízes pró-PS, começar a contar a prescrição da corrupção, logo que dois corruptos se conhecem na escola primária e enganem a turma toda, para quando um for Primeiro-ministro do PS e o outro falso empresário a viver dos contribuintes e enganarem toda a população.
Segundo o jornalista João Miguel Tavares, no Público, esse acórdão 90/2019 do Tribunal Constitucional, que pôs a prescrição a começar a contar logo no primeiro acordo entre corruptos – e não a partir da data do último pagamento do suborno –, foi votado favoravelmente por três juízes do TC. Estes incluíram o relator, ex-deputado do PS e actual nomeado do PS na Justiça, Cláudio Monteiro, juntamente com José Teles Pereira e João Paulo Caupers, Presidente do Tribunal Constitucional. Estes três juízes de topo por influência política estão, com certeza, no coração agradecido de Sócrates e Salgado, pois foi graças a eles que estes se livraram da maioria dos crimes, que foram magicamente apagados por Ivo Rosa. Para estes “artistas” da justiça, quando Sócrates recebia os últimos subornos de Salgado já os crimes tinham prescrito. Porque combinaram tudo anos antes. A musa inspiradora deste trio do Constitucional para tamanha “obra de arte judicial” foi, segundo a jornalista Sandra Felgueiras, no Programa Sexta as 9, a deputada do PS, claro, Cláudia Cruz Santos. Que país é este e que Justiça é esta? Com que interesse e por que razão, juízes pagos por todos nós beneficiam corruptos que desviam milhões dos impostos pagos pelos contribuintes. Felizmente, neste pântano, ainda existem heroínas como a juíza do Tribunal Constitucional, Fátima Mata-Mouros, que se recusou a votar a favor de tal aberração. Para ela, tal acórdão pró-corrupção tinha “custos irreparáveis para o prestígio da Justiça e Estado de Direito.”
Por tudo isso nunca o PS esteve tão socrático como hoje. Continuam as pressões e controlo da Justiça, as perseguições na comunicação social aos que lhe são incómodos, as contratações para o Estado e empresas públicas de “boys” sem qualificações, os ajustes directos de milhões para empresas de familiares ou amigos, os perdões fiscais às companhias com políticos nas administrações, os milhares de milhões perdidos em negócios ruinosos, em energias renováveis ou em bancos, as comissões de inquérito na Assembleia da República que não servem para nada, as contratações de deputados para os escritórios dos advogados do costume, as paralisações de investigações no Banco de Portugal, a censura nas televisões às manifestações contra a corrupção, as comissões de transparência eternamente adiadas, as prescrições de casos de corrupção e esbanjamento… Tudo igual ou pior que no tempo de Sócrates. Ivo Rosa teve, até, a desfaçatez de afirmar que Sócrates não tinha cometido crimes fiscais ao não declarar os seus rendimentos obtidos através da corrupção. Além de fazer pouco de todos nós contribuintes, Ivo Rosa, escarneceu de procuradores heroicos, como Rosário Teixeira, insultando a investigação do Ministério Público, classificando-a de “fantasiosa, especulativa, desprovida de lógica”. Sim, a lógica não fantasiosa, certa e factual para Ivo Rosa deve ser Sócrates ter acesso a um cofre da mãe, repleto de recursos infindáveis provenientes do volfrâmio.
Na série completamente actual – mas transmitida em 1993 – sobre a máfia siciliana “Il Cacciatore” (O Caçador), o procurador honesto e heroico, Sergio Barone, quer libertar a sua terra da corrupção e da pobreza que ela acarreta, mas a princípio não consegue porque a sua integridade quase solitária contrasta com juízes desprezíveis, a favor da máfia, a minarem o seu trabalho, a tentar afastá-lo e a manterem a Sicília desgraçada na mão do crime organizado. Tirando a violência, felizmente muito menor ou nada expressiva em Portugal, há muitos paralelos com o “modus operandi” do actual pântano português. Como esperança para os portugueses, no caso da máfia siciliana, apesar das muitas investidas contra a Justiça, os procuradores honestos em que a série se baseia, acabaram por triunfar largamente e limpar da sujidade mafiosa a sua bonita e solarenga terra. Por ora, confiemos no Tribunal da Relação para reverter a decisão dos juízes pró-PS, que acham que os crimes de corrupção são sempre para prescrever, sem consequências e sem impostos! ■




