Portugal entra em 2022 com a terceira pior perspectiva de crescimento económico da Zona Euro. Um estudo do Fundo Monetário Internacional divulgado esta semana indica que só a Grécia e a Itália têm à sua frente um ano pior do que o nosso.
Segundo o FMI, a baixa produtividade portuguesa é o principal factor da estagnação económica. Nos últimos 25 anos, Portugal caiu 11 lugares no ‘ranking’ mundial do PIB por habitante – em contraste com países como a Irlanda, que no início da década 80 tinha um PIB per capita (em paridade de poder de compra) pouco superior ao português e que hoje está praticamente no topo do mundo.
“O problema é a eterna questão da baixa produtividade do trabalho, para a qual contribui de forma fundamental a baixa intensidade de capital”, afirmou Pedro Brinca, professor da Nova SBE, ao comentar para o ‘Expresso’ os dados do FMI. Nas últimas décadas, a riqueza média dos portugueses tem sido ultrapassada por inúmeros países dentro e fora da Europa. “O investimento em Portugal situou-se em níveis historicamente baixos na meia dúzia de anos que antecedeu a pandemia, e já vinha declinando, em proporção do PIB, desde o início deste século”, comentou, por sua vez, Miguel St. Aubyn, professor do ISEG e membro do Conselho das Finanças Públicas.
O reflexo mais imediato da baixa produtividade e do baixo nível de investimento é o declínio da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto, que no anterior regime atingiu níveis extraordinários. Nos anos 60, foi 5,8% ao ano. Nos 10 anos seguintes, embora ainda elevado para os padrões actuais, o ritmo caiu para 4,9%. Depois disso foram 3,6% (anos 80), 3% (anos 90) e 0,7% (anos 2000), até descer ao nível negativo de -0,21% entre 2011 e 2020.
Na Zona Euro, Portugal começa o novo na antepenúltima posição da tabela do crescimento económico, em melhor situação apenas do que a Grécia e a Itália. Resultados melhores estão a ser obtidos por Irlanda, Malta, Polónia, Roménia, Lituânia, Estónia, Letónia, Eslováquia, Luxemburgo, Bulgária, Hungria, Chipre, República Checa, Eslovénia, Suécia, Croácia, Espanha, Bélgica, Finlândia, Holanda, Áustria, Dinamarca, França e Alemanha.
Como se isto não bastasse, 2022 vai ficar marcado pelo aumento generalizado de preços que os consumidores irão pagar pelos serviços que usam no dia-a-dia. O custo da eletricidade aumenta para quem está no mercado regulado, mas também para os clientes que já passaram para o liberalizado. As portagens e os transportes também registarão acréscimos, assim como as rendas (que estiveram “congeladas” em 2020), as portagens nas autovias, os transportes públicos e as telecomunicações. ■




